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21 setembro 2005

Boas notícias

ConJur completa oito anos com leitores em mais de cem países

Por Márcio Chaer

A revista eletrônica Consultor Jurídico já é lida em mais de cem países. No mês de agosto, o site foi acessado em 108 nações. Pelo critério de páginas lidas (ou vistas), pessoas localizadas nos Estados Unidos acessaram as páginas do site 132 mil vezes. No Japão, 8.269 vezes; Portugal, 6.856 vezes e daí por diante. O site foi visitado por internautas localizados em países tão improváveis como a Algéria, Qatar, Togo, Croácia ou Letônia.

Essa é uma das notícias interessantes que a ConJur tem para apresentar quando completa oito anos de existência, em uma marcha contínua de difusão na rede. A prova é que a mais respeitada ferramenta de busca da internet, o Google, informa que há no mundo 112 mil links (remissões) em sites direcionados para esta Consultor Jurídico.

Neste primeiro balanço depois que passou a integrar o Portal do Estadão, o site aperfeiçoou-se no campo tecnológico. O veículo restaurou ferramentas importantes, como o boletim diário de notícias jurídicas e a enquete destinada a aferir a opinião do leitor sobre grandes temas.

Outro avanço é a possibilidade de comentar notícias e artigos, com mais segurança. As ferramentas de busca (simples e avançada) tornaram-se mais precisas e o sistema de indexação de notícias mais eficiente. Ao pé de cada notícia já se tem textos remissivos relacionados com o que se acabou de ler.

Mais leitores

A visitação vai bem. Por diferentes critérios de medição, a audiência está consolidada. Segundo a aferição do Ibope, que só considera residências (não são computados escritórios, tribunais ou empresas), no mês de agosto o site foi freqüentado por 127,2 mil pessoas diferentes. Extrapolando-se o dado do Ibope na hipótese de que os usuários domiciliares representem 1/3 do universo global de internautas, chega-se a 381,6 mil leitores.

Pela estatística gerada pelo Portal do Estadão, que usa critério diferente, foram 336,6 mil os freqüentadores da ConJur e cerca de 9,2 milhões o número de páginas vistas — o que significa que cada internauta desse grupo abriu cerca de 27 notícias e artigos no mês. O site já representa cerca de 14% da audiência do Portal.

Os números orgulham a equipe responsável por este veículo. Mas a busca pela audiência não está à frente da preocupação com a qualidade. Essa busca constante exige que se cultive o senso crítico junto a sensibilidade para os temas que realmente tenham utilidade para o leitor. Pede coragem para entrar em assuntos desafiadores e talento para relatar o que é importante de forma interessante, já que o mais fundamental dos assuntos se perde quando apresentado de forma aborrecida ou chata.

Nesta terça-feira (20/9), notícias produzidas pela equipe ConJur foram republicadas ou citadas em onze outros veículos de comunicação. São sinais de credibilidade. Durante a tarde de terça, reportagem desta revista eletrônica foi citada diversas vezes durante o interrogatório do doleiro Toninho da Barcelona e outra durante sessão do Supremo Tribunal Federal.

Faro jornalístico

É uma receita fulminante, mas pedregosa: combinar o faro jornalístico, a agilidade, a capacidade de seleção dos assuntos e a insolência de desafiar a pilantragem de quem, incapaz de reagir no plano dos fatos, responde com processos fadados ao fracasso, como se relata ao final deste texto.

Nesse mapeamento, a equipe ConJur demonstrou que o Brasil além de ser avesso às leis, é também um país em que a maior parte das leis é inconstitucional.

Com base nas leis questionadas no Supremo Tribunal Federal e nos Tribunais de Justiças, constatou-se que cerca de 80% das leis produzidas nos municípios são inconstitucionais. As assembléias legislativas não fazem bonito também. De cada 100 leis questionadas, 51 são anuladas por trombarem com a Constituição. Finalmente, as leis federais: apenas 21% delas tiveram sua constitucionalidade confirmada pelo STF.

Para quem quiser achar que só os legisladores tentam encontrar soluções à margem da Carta, uma surpresa: dos atos de tribunais levados ao exame do STF, 80% foram suspensos por colidirem com a Constituição Federal.

Escudo judiciário

O site levantou questões que passaram a ser debatidas pela imprensa brasileira, como o uso degenerado de algemas nas detenções da Polícia Federal. Introduziu também a discussão sobre a invasão de escritórios de advocacia um fato que, de início, os próprios escritórios e a OAB optaram por manter em sigilo para proteger a imagem dos prejudicados. A transparência, como se viu, foi mais saudável.

Foi o primeiro a dar informações a respeito de operações da Polícia Federal; íntegras de decisões importantes na sucessão de escândalos que assolam o país, do Mensalão às estripulias em torno dos Maluf.

Outro assunto polêmico tratou da maior guerra de negócios já travada neste hemisfério: a disputa pelo comando da Brasil Telecom, a operadora de telefonia que arrecada seu quinhão a cada telefonema feito em nove estados do país. Este site descobriu que a Ação Civil Pública contra o empresário Daniel Dantas (Opportunity), assinada pelo procurador da República Luiz Francisco de Souza, saiu da empresa de quem tem milhões a ganhar com ela, o arrecadador petista Luís Roberto Demarco. Mais tarde, descobriu-se que cerca de trinta outras ações assinadas pelo mesmo procurador foram igualmente produzidas a quatro mãos com os inimigos dos alvos dos processos.

A descoberta do site deixou momentaneamente nua uma das mais admiradas instituições deste país: o Ministério Público. Soube-se com isso que, a exemplo do que se viu com o procurador Guilherme Schelb, a instituição — como costuma fazer a imprensa, aliás — não trata os seus com o mesmo rigor dispensado a outros.

A única conseqüência do clamoroso episódio, até agora, são três ações criminais apresentadas contra o site por Demarco, o empresário que se intitula “consultor em Dantas” e tem nessa atividade uma fonte de lucros. O assédio judicial de Demarco contra o site não funcionou. Todas as investidas foram rejeitadas pelo Judiciário, que não se deixou instrumentalizar com o truque.

Demarco não foi o único a tentar usar o Judiciário como escudo para proteger seus empreendimentos. Outro empresário, o promotor de eventos Norberto Gauer, caminhou nos mesmos trilhos e colheu dos mesmos frutos. Gauer inventou o diploma do “Melhor da Advocacia”, que ele vende a quem se dispõe a pagar 1.800 dólares. O site noticiou o golpe, que é aplicado até mesmo em quem sequer é advogado. Gauer, no primeiro momento, conseguiu impedir que este veículo divulgasse a “promoção”. Comprovada a falseta, porém, o Judiciário repeliu as intenções do promoter, no mérito, da primeira instância até o STF.

Nova investida partiu de um secretário interino do governo fluminense, José Roberto Andrade Coutinho. Diante de uma ordem do Tribunal de Justiça do Rio, para restabelecer em 24 horas a aposentaria de uma velha professora, Coutinho levou 45 dias para obedecer. A cena foi hilária. Com o oficial de justiça e um grupo de PMs em seu encalço, Andrade Coutinho escondeu-se na garagem do edifício. Em contato com o próprio TJ, onde chegou a informação de que o secretário se evadira do prédio pela única saída além da porta principal, a de emergência, o site divulgou o que lhe foi informado.

Coutinho, que não deixara, mas ocultara-se no prédio, acionou o site por isso. A defesa falhou (acontece), mesmo tendo o desembargador da causa como testemunha voluntária de defesa. E dessa vez a ConJur levou a pior.

Para mostrar que não há limites para a insânia, a Consultor Jurídico foi processada também por um conhecido empresário do ramo hoteleiro que, por deixar de pagar pensão a sua ex-mulher, uma senhora com mais de 70 anos de idade, teve decretada sua prisão. A notícia informava que empresário fora “condenado” a cumprir pena na suíte Imperial do hotel cinco estrelas de sua propriedade, com direito a saídas noturnas. Em outro caso, um juiz acusado de assédio sexual por três ex-funcionárias conseguiu que colegas seus proibissem o site de divulgar o assunto. A proibição vigora até hoje.

São os ossos do ofício. Mostram que ninguém está imune às vicissitudes da justiça. Mas o melhor de tudo é que, assim como seus leitores — advogados, juízes, integrantes do MP, empresários e jornalistas — a equipe que produz o site vai se reestruturando, aprendendo e fazendo alguma coisa para que o Direito se torne sinônimo de justo neste país.

Márcio Chaer é diretor da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 21 de setembro de 2005

Arquivo

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Comentários

Comentários de leitores: 6 comentários

22/09/2005 09:51 E. M. Nascimento (Serventuário)
Tenho como inegável a relevância dos serviços p...
Tenho como inegável a relevância dos serviços prestados por esse conceituado órgão de comunicação eletrônica, cujas matérias jornalísticas são publicadas de forma independente e sem caráter apelativo, ao contrário, buscam cumprir o dever de informar de forma objetiva, a fim de que o leitor possa se esclarecer e muitas das vezes participar do debate com seus comentários. No entanto, penso que algumas matérias não são veiculadas da melhor forma, como de fato ocorreu com aquela publicada pelo ilustre correspondente Alexandre Machado, sob o título: "Juiz artificial - Decisão às pressas do presidente Jobim divide STF", 18/09/2005, a qual, veio a público a modo de notícia de fato jornalístico, quando, na verdade, melhor seria que tivesse sido veiculada como artigo, sendo esta a sede própria para opinões pessoais de ilustres articulistas sobre temas relevantes. Dssa forma, a abordagem - corajosa - do digno correspondente não contribuiu propriamente para a formação de opinião do leitor. Menos conteúdo, e mais pela forma. Por isso que, sentindo desafiada a minha inteligência, emiti o seguinte comentário: "Penso que a matéria do ilustre correspondente Alexandre Machado foi além daquilo que se espera de uma reportagem jornalística de valor, por isso que ao emitir sua opinião pessoal sobre o mérito da matéria, o digno correspondente arvora-se de articulista jurídico para exprimir sua opinião sobre tema complexo, quando o ideal seria trazer os fatos ao conhecimentos dos leitores, para que estes, legitimamente informados, emitam seus comentários a respeito do tema."
21/09/2005 23:26 Marcondes Witt (Auditor Fiscal)
Apesar de 'chover no molhado', parabéns ao Conj...
Apesar de 'chover no molhado', parabéns ao Conjur. Apenas correções em frases acima: -> Já foi divulgado em alguns artigos aqui que não houve "invasões de escritório de advocacia". Houve, isto sim, "busca e apreensão", sempre determinado pelo Poder Judiciário. Evidente que toda e qualquer ação policial e decisão judicial pode ser objeto de críticas, mas o uso adequado das palavras, em site jurídico, faz-se necessário; -> Nas leis inconstitucionais de Municípios e União, não procede que "X% das leis são inconstitucionais". O correto, como ressalvado nos Estados, é que "X% das leis contestadas são inconstitucionais". Há muita lei não contestada por ser constitucional e, eventualmente não contestada e inconstitucional. Os números infelizmente ainda permanecerão relativamente altos, mas a frase está mal redigida.
21/09/2005 18:22 Fernando Moreira Gonçalves (Juiz Federal de 1ª. Instância)
Meus efusivos cumprimentos ao Márcio Chaer e a ...
Meus efusivos cumprimentos ao Márcio Chaer e a todos os excelentes jornalistas que fazem do Consultor Jurídico o melhor site jurídico do país. Parabéns e sucesso sempre!

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