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12 setembro 2005

Orientação sexual

Condomínio é punido por reclamar de festas gays

Por Leonardo Fuhrmann

O Condomínio Fortunato Mazzalay, em São Paulo, foi advertido pela Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania do governo paulista por discriminar um morador homossexual do prédio. A pena de advertência, em processo administrativo, é a mais branda da Lei 10.948/2001, que prevê multa de até 3 mil Ufesps (cerca de R$ 40 mil) para empresas ou pessoas que cometem discriminação a homossexuais, bissexuais, travestis e transexuais.

Para a Secretaria, uma carta enviada a Miguel Sérgio Brozoski, em que o síndico encaminha reclamações de outros moradores contra festas realizadas em seu apartamento, tem um teor claramente homofóbico. Segundo o texto do síndico, outros condôminos reclamaram de “cenas desagradáveis e imorais como pessoas do mesmo sexo se beijando”.

Ao aplicar a punição, foi considerado que a carta teve como objetivo “constranger, ridicularizar e macular a identidade sexual do condômino”. “Não há dúvidas que o condômino em tela não transgrediu a lei ao promover a assinalada festa com amigos do mesmo sexo. Não importa, pois, o que seus amigos faziam, ou a maneira como se beijavam. Tais considerações de ordem moral são absolutamente irrelevantes no domínio jurídico”, considera a Secretaria.

A decisão foi tomada em um recurso, depois que a Comissão Processante considerou a reclamação improcedente. A Consultoria Jurídica da Secretaria havia se manifestado também contra a punição ao condomínio. A lei que possibilitou a punição é de autoria do deputado estadual Renato Simões (PT), que a época era presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa.

Leonardo Fuhrmann é repórter da revista Consutor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 12 de setembro de 2005

Comentários

Comentários de leitores: 2 comentários

25/01/2006 02:40 Adriano P. Melo (Advogado Autônomo)
Que tal advertência sirva de lição para os homo...
Que tal advertência sirva de lição para os homofóbicos de plantão, que se acham no direito de ditar o que é "correto" e o que é "moralmente" aceito. Apesar de não ser homosexual, acredito que o Direito deve tutelar todos que foram expostos a constrangimentos por preconceitos imbecís e untrapassados. E para aqueles que acham que Direitos Humanos só serve pra defender bandidos, dêem uma olhada mais a fundo no papel que o mesmo exerce na sociedade.
13/09/2005 11:02 Comentarista (Outros)
O zeloso síndico, com certeza, não curte Tim Ma...
O zeloso síndico, com certeza, não curte Tim Maia e tampouco Latino, pois festa no apê - independentemente de quem a frenquenta - é sempre muito bom e 'moral'... Morou?

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