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9 setembro 2005

Preços controlados

Setor sucroalcooleiro sai na frente para receber indenização da União

As empresas do setor sucroalcooleiro começaram levando a melhor numa briga que pode custar, segundo estimativas, mais de R$ 50 bilhões aos cofres da União. Três ministros da 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça entenderam que o governo tem de indenizar as empresas de açúcar pelos prejuízos sofridos nos dez anos em que o extinto IAA — Instituto do Açúcar e do Álcool controlou os preços praticados pelas indústrias.

Os ministros julgam recurso da União contra decisão que garantiu a indenização à Coopersucar — Cooperativa de Produtores de Cana de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo. A decisão sobre o caso foi adiada com o pedido de vista do ministro Francisco Peçanha Martins.

Já votaram a favor das empresas do setor sucroalcooleiro o relator do processo, ministro Franciulli Netto, o presidente da 2ª Turma, ministro João Otávio Noronha e o ministro Castro Meira. Além de Peçanha Martins, falta votar a ministra Eliana Calmon.

Os três ministros entenderam que os produtores de açúcar e álcool foram realmente prejudicados pela política do governo aplicada pelo Instituto do Açúcar e do Álcool. As empresas alegam que o IAA desconsiderou os valores apurados pela Fundação Getúlio Vargas, escolhida pelo próprio governo para levantar a variação dos custos médios de produção do setor.

A União contesta decisão da 3ª Seção do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A segunda instância decidiu que o IAA agiu contrariando a lei que regia as relações entre o governo e os produtores do setor. As informações são do STJ.

O governo federal alega que a decisão do TRF da 1ª Região violou disposição da Lei 4.870/65, que disciplinava o setor. Argumentou, ainda, que o dano apontado pelas empresas não serial real, mas mero dano hipotético. Para a União, o dano só existiria se cada empresa conseguisse demonstrar efetivamente seu prejuízo contábil no período, o que não aconteceu.

Histórico

Os preços do açúcar e do álcool foram, durante dez anos, controlados em todo o país pelo governo que os entendia estratégicos para a economia nacional. Os valores dos produtos eram fixados pelo Instituto do Açúcar e do Álcool. O instituto firmou convênio com a Fundação Getúlio Vargas, para que ela apurasse a variação dos custos médios de produção, conforme determinava a lei que regulamentou o setor — Lei 4.870/65.

Mas segundo as empresas produtoras, entre as décadas de 1980 e 1990, o Ministério da Fazenda, por questões políticas, passou a não acatar o índice de preços estipulado pelo IAA com base nas planilhas da FGV, obrigando os produtores de açúcar e de álcool a vender o produto com preços abaixo dos determinados pelo próprio governo.

REsp 746.301

Revista Consultor Jurídico, 9 de setembro de 2005

Comentários

Comentários de leitores: 1 comentário

10/09/2005 12:52 Valdir Assef (Comerciante)
Até quando seremos barbarizados pelos poderes c...
Até quando seremos barbarizados pelos poderes constituídos, a mídia em todas as suas formas e meios nos escandalizam com tudo que nossas autoridades protagonizam. Porem quando daremos um basta a essa podridão que se tornou a nossa justiça, votos como os desse "ministros" são mais nocivos à nação do que o que nos causam os representantes do executivo e legislativo. Salta aos olhos o descalabro, pois, essas empresas, beneficiarias de decisões monstruosas por parte do judiciário, apesar de pleitearem indenizações baseadas em lei, de fato não trabalharam com prejuízos naquele período, mesmo porque nenhuma delas quebrou em razão dos preços praticados pelo contrario muitas delas cresceram e muito, e se algum ou outro casos ocorreu pode-se ter certeza foi mais um golpe que já estamos cansados de assistir. Vamos aproveitar o grande momento que o país vive e promovermos a grande limpeza necessária. Valdir Assef Advogado e Comerciante Pirapozinho - SP RG 4.919.606

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