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2 setembro 2005

Grampo contra grampo

PF pede prisão de Maluf e Pitta à Justiça Federal

A Polícia Federal protocolou esta semana na Justiça um novo pedido de prisão preventiva dos ex-prefeitos Paulo Maluf e Celso Pitta e de Flávio Maluf. O motivo: os acusados estariam atrapalhando as investigações com ameaças, subornos e ocultação de provas. A lista de crimes atribuídos a Paulo Maluf é oceânica. Tem de tudo. Pede-se também buscas e apreensões na casas e nas empresas dos indiciados.

Não é o primeiro pedido de prisão nesse processo, mas desta vez surgiu um novo componente: enquanto o acusado grampeado, ao mesmo tempo em que era monitorado, monitorava os seus acusadores também.

O ex-prefeito nega a autoria das escutas. Teria sido procurado pelo advogado carioca Jorge Serpa, a pedido de quem recebeu o empresário José Carlos Kalil com a oferta de venda dos grampos. Na primeira abordagem, a oferta foi de grampo de conversas entre o promotor Sílvio Marques e o ex-vereador Armando Mellão. Na segunda, diálogos de uma suposta “assessora do governador” com um jornalista, ambos, aparentemente, interlocutores regulares dos representantes do Ministério Público que conduzem o inquérito.

Para mostrar a qualidade do produto, os vendedores teriam dado ao ex-prefeito as transcrições degravadas das fitas. As conversas mostram negociações para conseguir mais acusações e testemunhas contra Maluf e um acerto para transformar a prisão do ex-prefeito em um mega-espetáculo global.

Festa do grampo

Em um dos diálogos, revela-se uma possível tática. Como a juíza do caso, Sílvia Maria Rocha tem sido dura na concessão dos pedidos da acusação, o pedido de prisão seria apresentado em suas férias. “Não comente nada” — diz um jornalista à suposta assessora do governo do estado — “eles estão esperando a juíza que está lá sair de férias, ela não dá nada, aí eles vão ao substituto e consegue na hora, vai ser uma coisa feita de surpresa — cara ele me mostrou lá que o que já está confirmado de dinheiro do Maluf no exterior são quatrocentos milhões de dólares!!”.

A tática, se existiu, padece de um descompasso. Como o pedido de prisão — cumulado com busca e apreensão nas casas e empresas dos acusados — foi apresentado na segunda-feira (29/8) e as férias da juíza titular do caso só estão programadas para o dia 12 de setembro, há tempo suficiente para a apreciação do pedido.

Na próxima semana, a juíza Sílvia Maria Rocha será substituída porque participa de um congresso sobre lavagem de dinheiro na segunda e terça-feira (dias 5 e 6). Ela volta ao trabalho por mais dois dias, na quinta e sexta-feira, antes das férias.

Ouvido pela reportagem da Consultor Jurídico, Serpa negou qualquer participação no episódio. Dizendo-se surpreso, disse que esteve pessoalmente com Maluf no casamento de um amigo comum e que falou com o ex-prefeito pelo telefone nas bodas de ouro dele. Admitiu que conhece o empresário José Carlos Kalil, mas garantiu também que não fala com ele há muito tempo. "Estou surpreso. Este tipo de processo não tem nada a ver comigo", sustentou.

Revista Consultor Jurídico, 2 de setembro de 2005

Comentários

Comentários de leitores: 1 comentário

5/09/2005 09:58 BARRETO (Estudante de Direito - Comercial)
nos dia de hoje já não da mais pra culpar ningu...
nos dia de hoje já não da mais pra culpar ninguem !!!! todo mundo roba todo mundo finge que investiga !!!!!!!!!!! e todo mundo sai ganhando !!!!!!!!!! só o povo é que sai perdendo !!!!!!!!! Brasil esta é a sua cara !!!!!!!!!!!!

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