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1 setembro 2005
Crime de Bertioga
Exoneração de Thales Schoedl será oficializada no sábado
A exoneração do promotor Thales Ferri Schoedl, de 27 anos, deve ser publicada na edição do próximo sábado do Diário Oficial do Estado de São Paulo. A partir daí, Schoedl estará oficialmente fora do Ministério Público paulista e deixará de receber o salário de promotor substituto, de cerca de R$ 5,8 mil brutos.
A perda do foro especial garantido aos promotores de Justiça também depende da oficialização do não-vitaliciamento de Schoedl. Sem o cargo, o ex-promotor deve ser levado a Júri Popular em Bertioga, no litoral paulista. Ele responde a processo por homicídio consumado e outro tentado, ambos sem agravantes.
O Órgão Especial do Ministério Público de São Paulo decidiu na última quarta-feira (31/8) exonerar Schoedl. Os procuradores mantiveram decisão do Conselho Superior do MP. O promotor foi exonerado por 18 votos a 17. A única possibilidade do ex-promotor retomar o cargo é uma decisão judicial que obrigue o Ministério Público a reintegrá-lo.
Schoedl matou Diego Mendes Modanez e feriu Felipe Siqueira Cunha de Souza após uma discussão no dia 30 de dezembro passado, em Riviera de São Lourenço, condomínio de classe média alta em Bertioga. O promotor disparou 12 tiros com uma pistola semi-automática calibre 380, que tem capacidade para 13. Modanez, de 20 anos, foi atingido por dois disparos e morreu na hora. Souza, da mesma idade, foi baleado quatro vezes, mas sobreviveu.
O exame psicotécnico na avaliação para a admissão de Schoedl no Ministério Público é um dos documentos usados pela Corregedoria para defender o não-vitaliciamento do promotor. O laudo apontou baixa auto-estima, imaturidade e dificuldade de lidar com pressão. Apesar disso, Schoedl foi aprovado pela banca examinadora.
Outros argumentos contra ele foram a sua queda de produtividade meses antes do crime e um histórico que relata outros problemas em sua conduta pessoal. O corregedor-geral do MP paulista, Paulo Hideo Shimizu, destaca que o pedido de não-vitaliciamento não foi baseado apenas no homicídio tentado e outro consumado na Riviera.
Leonardo Fuhrmann é repórter da revista Consutor Jurídico.
Revista Consultor Jurídico, 1º de setembro de 2005
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