Notícias
17 outubro 2005
Briga do referendo
Ministro da Justiça ganha direito de responder à Frente do Não
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, conseguiu o direito de responder à propaganda da Frente Parlamentar pelo Direito da Legítima Defesa. Segundo alegou o ministro, durante a propaganda, um trecho de seu discurso foi tirado do contexto e usado para defender o comércio de armas de fogo.
Na decisão, o ministro José Gerardo Grossi, do Tribunal Superior Eleitoral, também determinou a suspensão da propaganda. A frente parlamentar que defende o comércio de armas de fogo divulgou trecho em que Thomaz Bastos afirma que o desarmamento não pretende tirar a arma do bandido.
O ministro afirmou que o objetivo é evitar mortes acidentais originadas de brigas por motivo fútil. Na campanha, a jornalista Carmen Cestari diz que a situação ficou mais preocupante com esta declaração do ministro. Ela ainda diz que o depoimento de Bastos “é a confirmação oficial de que os bandidos não serão desarmados”.
A decisão do ministro Gerardo Grossi do Tribunal Superior Eleitoral baseou-se no artigo 11 da Resolução 22.032 sobre o referendo. O artigo remete ao direito de resposta caso a outra frente seja atingida ainda que de forma indireta por informação caluniosa, difamatória ou inverídica.
Representação 828
Leia trecho da propaganda que está suspensa
Apresentadora (jornalista Carmem Cestari): “Eu digo sempre que nunca pensei em ter uma arma, mas também não quero perder esse direito e nem quero tirar o direito de quem precisa ter. Nos últimos dias, a situação ficou ainda mais preocupante com as declarações do ministro da Justiça do governo Lula”.
Ministro Márcio Thomaz Bastos: “O desarmamento não pretende tirar arma de bandido. Ele pretende tirar essa arma do homicídio acidental”.
Apresentadora (jornalista Carmem Cestari): “É a confirmação oficial de que os bandidos não serão desarmados, por isso temos que insistir nesse refrão: 'Desarmar o cidadão não é a solução. Vote 1. Vote não”.
A frase do ministro foi tirada de discurso proferido no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social em que ele afirmou que as armas de criminosos não são alvo da Campanha do Desarmamento, mas de ações de policiais federais e estaduais.
Revista Consultor Jurídico, 17 de outubro de 2005
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 13/10/2005 Globo não pode usar “referendo do desarmamento”
- 13/10/2005 TSE suspende trechos da propaganda da Frente do Sim
- 12/10/2005 Direito de andar armado existe nos EUA e não no Brasil
- 11/10/2005 Conselheiro critica tomada de posição da OAB-SP
- 09/10/2005 Resultado mudará pouca coisa do uso de armas de fogo
- 07/10/2005 Advogado reclama ao TSE da presença de artistas na campanha
- 03/10/2005 Frente Parlamentar não consegue impedir Bang Bang
- 03/10/2005 TSE nega representação contra a revista Trip
- 27/09/2005 Presidentes de seccionais são a favor do desarmamento
Comentários
Comentários de leitores: 0 comentários
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 25/10/2005.