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12 outubro 2005
Recuperação da empresa
Funcionários da Varig fazem plano alternativo de recuperação
Os Trabalhadores do Grupo Varig, entidade que reúne as associações de funcionários da companhia aérea, entregaram nesta terça-feira (11/10), à Justiça do Rio de Janeiro um plano alternativo para a recuperação da empresa. O projeto, que será levado à assembléia geral de credores na quinta-feira (13/10), prevê investimentos da ordem de 750 milhões de dólares, com origem em diversas fontes.
A maior parte dos recursos, 300 milhões de dólares, partiria de um investidor direto, cujo nome não foi revelado; outros 200 milhões seriam aplicados no primeiro ano como resultado do refinanciamento de recebíveis; 150 milhões viriam de um banco europeu que está negociando com fundos americanos; e, por fim, os próprios trabalhadores fariam um aporte de 100 milhões de dólares.
O plano foi entregue ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Sergio Cavalieri Filho, e aos juízes que integram a comissão que cuida do processo de recuperação judicial da Varig.
Os trabalhadores fazem várias críticas ao projeto apresentado pelos gestores da Varig. Entre as principais objeções, estão a demissão de 13% dos 12.800 funcionários e a mudança da sede da empresa para São Paulo. Também consideram inviável a venda da VarigLog. “O principal problema dos devedores é não ter feito o dever de casa”, afirma o economista Paulo Rabello de Castro, chairmain da SR Rating, agência brasileira de classificação de risco de créditos. Ele cita como exemplo a previsão de gastos de 78 milhões de dólares para o pagamento de honorários da diretoria.
O desembargador Sergio Cavalieri reafirmou que o Judiciário do Rio tem se empenhado para salvar a Varig dentro da legalidade. No entanto, alertou que o momento é gravíssimo e a empresa tem vários aviões parados por falta de manutenção.
“A questão principal é como manter a Varig voando. E nós temos limites: o primeiro deles é que o plano apresentado pela companhia tem sofrido objeções e o impasse levará à quebra; o segundo, é que não contêm vocês com a boa vontade do Governo Federal. Se depender disso, o plano não vai à frente”, disse.
Com a apresentação da alternativa dos trabalhadores, sobe para três o número de planos a serem examinados pela assembléia de credores marcada para quinta-feira no Hotel Glória, no Rio. Primeiramente, será examinado o projeto apresentado pelos gestores da Varig, depois, os planos da Docas e da TVG — Trabalhadores do Grupo Varig. Especula-se, ainda, que o Sindicato Nacional dos Aeronautas e a Aerus — fundo de pensão dos funcionários da empresa — também tem planos próprios que seriam levados diretamente à assembléia.
Revista Consultor Jurídico, 12 de outubro de 2005
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