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Combate à fraude

PF estuda novo modelo de concursos para dificultar fraudes

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A descoberta de um grupo que fraudava concursos públicos em oito estados brasileiros, a partir da UnB – Universidade de Brasíla, fez sugir um novo modelo de prova, que será apresentado ao governo federal esta semana. Francisco Carlos Garisto, presidente da Fenapef – Federação Nacional dos Policiais Federais, vai aos ministros da Justiça e do Planejamento oferecer o novo modelo, que consiste em dez provas diferentes, confeccionadas em dez gráficas diferentes, elaboradas por dez professores diferentes. A prova a ser aplicada será sorteada na frente dos candidatos.

Em depoimento ao jornal Correio Braziliense, o candidato Márcio Cundari, de 33 anos, relatou: “Fui entregar o relógio e o celular antes de entrar na sala para fazer a prova de agente penitenciário, em fevereiro deste ano. Enquanto estava na fila, um carioca começou a comentar que tinha comprado o gabarito e passaria de qualquer jeito. E se gabava. Em um fórum de concurseiros, cheguei a mandar mensagens de críticas a dois candidatos que diziam que tinham comprado as respostas. Para mim, eles são perdedores. Em 2002, me ofereceram a compra de um gabarito, mas eu não aceitei por princípios. Foi quando conversava com amigos no Quiosque do Atleta, no Parque da Cidade. O padrasto de um amigo meu disse que um conhecido pediu para comentar conosco, porque estávamos prestando concurso, que existia um esquema de compra das respostas do concurso da Polícia Federal por R$ 20 mil. Eles só entregariam o gabarito depois de depósito em conta, e combinariam como repassariam os dados. Não aceitamos. Meu amigo foi aprovado na Polícia Federal sem precisar disso. É uma prova de que é possível passar com o próprio esforço”.

Em entrevista à revista Consultor Jurídico, Garisto disse o seguinte:

Essa quadrilha vinha atuando há 20 anos. É uma coisa sem precedentes, atuavam em concursos e vestibulares. Não podemos fuzilar essa gente porque não há pena de morte, mas temos de dar a eles a prisão perpétua. O golpe é dado aqui em Brasília e em mais oito estados. E olha que a polícia está apenas no começo desta investigação.

Esta semana toda estamos atentos a isso porque aqui em Brasília não se fala outra coisa, é o assunto dos restaurantes. Estamos investigando o vazamento de informações no concurso da Polícia Federal. Um garoto disse que foi oferecido a ele um gabarito das provas para ingresso nos quadros da Polícia Federal. Temos que saber como é o sistema de sigilo das pessoas que controlam essas provas.

Estamos, então, bolando uma nova forma de se fazer concurso no Brasil. Analisando todas essas fraudes que foram descobertas, analisando junto com membros da Fenapef que são especializados em concurso e são diretores sindicais aposentados da PF, nós concluímos que esses vazamentos ocorrem através das gráficas ou através de pessoas ligadas a parentes de pessoas que confeccionam as provas intelectualmente.

É muita tentação: o camarada está elaborando a prova e tem um parente que está fazendo concurso para juiz, para procurador ou para delegado da polícia, ele fica tentado a revelar no mínimo algumas perguntinhas. É muita tentação e, portanto, muita responsabilidade para um homem só. Então o que nós queremos é que se faça dez tipos de provas diferentes em dez locais diferentes, em gráficas diferentes. É lógico que vai ficar mais caro, mas é muito melhor ser mais caro do que esse vazamento continuar colocando desilusão na cabeça de todo mundo que está fazendo concurso.

A prova final será sorteada entre as dez confeccionadas no dia do exame, na mesa, na frente dos candidatos. A pessoa vai precisar de uma sorte de Megasena para saber qual das dez provas ele vai fazer e qual a sala em que ele vai estar.

No caso de a pessoa conseguir o gabarito através de crime, já pensou um criminoso manuseando dez gabaritos na sala de aula? Ele vai ficar meio maluco. Essa portanto é uma solução que vai ser encaminhada ao ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos, e ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e também à Academia de Polícia da PF. Não pode restar a simples idéia de que alguém tenha entrado na Polícia Federal pela porta dos fundos.

Liberado depois de depor

A Polícia Civil do Distrito Federal liberou neste sábado o professor Mauro Luiz Rabelo, diretor acadêmico do Cespe – Centro de Seleção e Promoção de Eventos da UnB, preso sob acusação de fornecer provas e gabaritos para a uma quadrilha especializada em fraudar concursos públicos em diversos estados.

Rabelo foi preso no fim da noite de sexta-feira por policiais do Deco – Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado, em Brasília. O diretor acadêmico do Cespe foi solto no final da madrugada, depois de prestar depoimento aos policiais, que não viram indícios de sua participação na “máfia dos concursos”.

As investigações chegaram ao nome de Rabelo após o depoimento de Carlimi Argenta de Oliveira, na madrugada de quinta-feira (26/5). De acordo com a polícia, ela seria a pessoa que levava os gabaritos das provas obtidos no Cespe para o técnico judiciário Hélio Ortiz, apontado como o líder da quadrilha.

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 28 de maio de 2005, 23h01

Comentários de leitores

4 comentários

Por algum motivo, meu blog (http://www.bloglegi...

Achim2 (Outros)

Por algum motivo, meu blog (http://www.bloglegis.zip.net) foi removido de buscadoras da Web. E essa remoção coincidiu com meus comentários negativos sobre os critérios obscuros de correção das provas discursivas no concurso da Câmara Legislativa do Distrito Federal, que foi e está sendo realizado pelo Cespe/Unb. Eu, como muitos outros candidatos em diversos cargos --ou seja, não sou um caso isolado-- fui eliminado do cargo para nível médio, Técnico Legislativo, apesar de ter alcançado a sexta maior nota na prova objetiva. Houve mais de vinte mil candidatos para somente dez vagas. Fui eliminado na redação por ter fugido do tema, segundo a banca avaliadora do Cespe. Estou também prestes a ser eliminado (por critérios duvidosos de um prova prática --na verdade uma outra prova discursiva) do cargo de Consultor Legislativo (3 vagas), apesar de eu ter alcançado a segunda maior nota na prova objetiva. Achei minha nota desproporcional na prova prática (uma das menores dentre os classificados), pois esta também mede conhecimentos como a prova objetiva. Conclusão: por haver vários candidatos na mesma situação sendo eliminados, certamente não há um critério seguro de correção das provas discursivas realizadas pelo Cespe. E por ter havido, recentemente, irregularidades em concursos realizados pelo Cespe, não seria injusto desconfiar dos critérios subjetivos de correção das provas discursivas. Se houver mesmo irregularidades --o que é difícil de provar, por se tratar de provas discursivas-- sinto que minhas chances são mínimas no Judiciário. Mesmo assim, achei por bem fazer essa comunicação.

Cópia do email que redigi à excepcional Polícia...

Eduardo Peres F Câmara ()

Cópia do email que redigi à excepcional Polícia Civil de Brasília. Se as provas orais dos concursos públicos continuarem como estão, a fraude e a corrupção e " cartas marcadas" continuarão a existir tranquilamente: Ao Sr. Delegado-Chefe da Polícia Civil do Distrito Federal, A propósito do brilhantíssimo trabalho da Polícia Civil do Distrito Federal no desbaratamento dessa quadrilha de concursos públicos, tenho uma sugestão a dar, de aspecto jurídico, para a transparência absoluta dos próximos concursos públicos. As Provas Orais dos Concursos Públicos, por serem ABSOLUTAMENTE INCONSTITUCIONAIS, ao ofenderem os princípios constitucionais da AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO, ao não permitirem que o candidato submeta recurso ao Poder Judiciário, na hipótese de ser reprovado no certame oral, os certames orais não têm nenhuma transparência , podendo propiciar fraudes de toda a natureza, porque essas provas não são degravadas em fita magnética de áudio ou áudio e vídeo, como meio material de prova robusta. Já me insurgí, inúmeras vezes, como advogado, para sanar essa questão, por emails ao Ministério da Justiça, da Educação, ao Presidente da República , a parlamentares , ao Ministério Público Federal e AO Próprio CESPE recentemente, no sentido de que esses certames sejam degravados em áudio pelo menos e todos estranhamente se calam. As Bancas Examinadoras das provas orais se constituem, pois, em verdadeiros TRIBUNAIS DE EXCEÇÂO , também vedados pela Carta Política de 1988, pois elas podem TUDO, inclusive impedir que o candidato submeta seu inconformismo com o resultado, à Justiça. Creio que surge o excelente momento de , no intuito de se limpar mais essa chaga pútrida das Instituições brasileiras, no elenco das medidas efetivamente saneadoras que terão de ser adotadas nesse particular, a inserção dessa exigência. Conto com o decisivo apoio da nossa brilhante Polícia Civil, de longe, a melhor do País. Meus parabéns e não deixem passar essa oportunidade de ouro. Atenciosamente, EDUARDO PERES F CÂMARA

Existe uma forma mais simples de se combater a ...

Ricardo Cubas (Advogado Autônomo)

Existe uma forma mais simples de se combater a fraude em questão. A causa primária está no fato de que a ordem das questões nos cadernos de provas são iguais para todos os candidatos. Se alguém obtém um gabarito fraudado, fica fácil repassá-lo adiante. A solução é fornecer cadernos de provas em que a ordem das questões em cada um dos blocos de matérias sejam diferentes para os candidatos. A ordem dos próprios blocos de matérias poderiam ser diferentes. Dessa forma, seriam impressos 100 (cem), ou mais, cadernos de provas com ordens diferentes de questões, porém com as mesmas questões.

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