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Faxina patrimonial

Justiça mantém arresto de bens da fabricante do Vaporetto

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O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve o arresto de todos os bens, inclusive as contas bancárias, da Polti do Brasil Comercial Ltda -- empresa fabricante do Vaporetto, eletrodoméstico que virou febre entre as donas de casa. O depositário dos bens será o empresário João Zangrandi Neto, ex-sócio da Polti.

A decisão, unânime, foi tomada pela 10ª Câmara de Direito Público, que rejeitou recurso (agravo de instrumento) interposto pela Polti, e confirmou decisão da juíza Ana Luiza Liarte, da 8ª Vara Cível Central da capital paulista. Votaram os desembargadores Maurício Vidigal (relator), João Carlos Saletti e Carvalho Viana.

Anteriormente, João Zangrandi Neto ganhou na Justiça o direito de receber cerca de R$ 7 milhões, a título de indenização, valor correspondente a 40% das ações que detinha na sociedade com a Polti. Em 18 de fevereiro, a juíza da 8ª Vara Cível decretou o arresto dos bens da empresa, como forma de garantir o pagamento da indenização.

O arresto foi requerido pelo advogado João Batista de Souza, que descobriu uma série de fraudes envolvendo o patrimônio da Polti Services SA -- multinacional com sede na Suíça, comandada por Franco Polti e Reto Luigi Pianta.

De acordo com a ação de arresto, a Polti desviou para o comerciante de Jóias José Brüner, de Pirassununga, interior de São Paulo, o negócio de produção, importação e comércio de eletroportáteis pertencentes a Polti do Brasil.

Um contrato de comodato transferia para o comerciante a posse gratuita de todos os bens móveis (veículos, máquinas e equipamentos) da fábrica brasileira. O objetivo seria o de receber o produto da venda de todo o estoque para frustrar o pagamento de crédito ao empresário João Zangrandi Neto, esvaziando a Polti do Brasil.

Na mesma data da celebração do contrato, a Polti vendeu para José Brüner quase todo o seu estoque de matéria prima e de produtos acabados (eletrodomésticos), por R$ 1,6 milhão, que seriam pagos em 12 parcelas, com vencimentos entre novembro de 2002 a outubro de 2003.

Além disso, a própria relação de estoque de produtos acabados, anexada ao contrato, demonstra que só o custo de estoque de Vaporetto era de R$ 1,335 milhão, com preço de venda de R$ 3,908 milhões. Isso sem falar na lista de produtos acabados que incluía, ainda, cafeteiras, máquinas de fazer gelo, cappucino manual e ar condicionado.

Vaporetto

O Vaporetto é um aparelho que se assemelha a um aspirador de pó, mas que, na verdade, ao invés de sugar o ar, expele, em alta pressão, um jato de vapor de água a uma temperatura de 120 graus centígrados.

Zangrandi começou sua carreira vendendo o produto de porta em porta. Em menos de cinco anos, foi do céu ao inferno. A partir de 1993, conheceu o sucesso, quando as vendas do Vaporetto iam de vento em popa, no Brasil. Chegou a faturar perto de US$ 250 milhões por ano.

Entre 1992 e 1997, o empresário vendeu 1 milhão de unidades no país. Em maio de 1998, perdeu a representação do Vaporetto. O motivo foi uma briga com Franco Polti, controlador da marca que resolveu retomar o comando dos negócios no Brasil.

Hoje, Zangrandi vive o paraíso. Além da vitória conquistada na Justiça contra seus inimigos, o empresário voltou a saborear o sucesso com as vendas de máquinas de café. Em 2002, fechou uma parceria com a italiana Saeco para trazer ao Brasil máquinas de café expresso. O acordo prevê a distribuição dos eletrodomésticos da marca no país. O carro-chefe são as máquinas de café.

Cada máquina custa entre R$ 400 e R$ 1,7 mil. Os planos iniciais eram de vender entre 20 e 30 mil máquinas por ano. As vendas foram boas e a previsão para 2005 é superar esta marca e faturar cerca de R$ 50 milhões com importação.

Antes de ingressar no ramo de máquinas de café expresso, João Zangrandi Neto teve uma experiência com a fabricação de macarrão. Em 1998, com a ajuda do governo italiano conseguiu montar em Araras (SP) a fábrica de macarrão Granzani. A fábrica produz macarrões de “marca própria” para grandes redes de supermercados.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 19 de maio de 2005, 15h56

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