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30 junho 2005
Caminho das pedras
Marcos Valério usava telefones de empregados, diz Karina.
Em entrevista exclusiva à revista Consultor Jurídico, Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária do publicitário Marcos Valério, revelou que a quebra do sigilo telefônico de seu ex-chefe de pouco servirá. “Não adianta somente quebrar o do Marcos Valério, ele fazia as coisas em celulares nos nomes de outros funcionários. É nesses aparelhos que as coisas devem ser buscadas”, disse ela, sugerindo que o Congresso amplie o número de aparelhos a terem suas ligações rastreadas.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios marcou para a próxima quarta-feira (6/7), os depoimentos do publicitário Marcos Valério, apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como um dos operadores do esquema de pagamento de mesadas a deputados do PP e PL, e de sua ex-secretária.
Fernanda Karina depôs anteontem no Conselho de Ética da Câmara, mas negou as acusações que havia feito em entrevistas nas semanas anteriores. Em seu depoimento, ela desmentiu, por exemplo, que soubesse da origem do dinheiro que teria visto em malas na agência de publicidade.
À revista Consultor Jurídico ela disse: “Fui secretária do Valério por nove meses. Era ele quem mantinha os contatos no PT, era ele quem fechava os valores, era ele que entregava o dinheiro. Mas às vezes quem entregava o dinheiro do mensalão era a gerente dele, a Simone Vasconcelos. Eu cuidava da agenda dele e ali havia nomes de deputados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul”.
Perguntada sobre quem era o contato de Marcos Valério no PT, ela disparou “era o Delúbio Soares (tesoureiro do PT), mas eu nunca o vi pessoalmente, ele veio a BH mas não foi à agência”.
Karina afirma que voltou atrás, em seu primeiro depoimento à PF, contradizendo e negando o que revelara à revista Isto É Dinheiro, porque “um motoboy abordou a minha família, me fechou, e disse que eu deveria calar a boca. Tenho dois sentimentos: primeiro, o medo de me expôr, embora saiba que agora o Marcos Valério nem é doido de fazer algo contra mim. E me sinto gratificada também, as pessoas me abordam na rua dizendo que fui muito corajosa. Mas tenho tristeza, como tem todo mundo que votou no PT como eu votei. Penso que o presidente Lula não sabia de nada disso”.
Claudio Julio Tognolli é repórter especial da revista Consultor Jurídico
Revista Consultor Jurídico, 30 de junho de 2005
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Comentários
Comentários de leitores: 1 comentário
Depoimentos e entrevistas muito contraditorias ...
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 08/07/2005.