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Ranking das escolas

Unip foi a faculdade que mais aprovou no Exame de Ordem

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Qual a faculdade de Direito que mais candidatos aprovou no Exame de Ordem em São Paulo? Errou quem disse PUC ou pensou USP. A campeã de aprovações em São Paulo é a Faculdade de Direito da Unip — Universidade Paulista, com 495 ex-alunos aprovados. A vice-campeã é outra surpresa: a FMU — Faculdades Metropolitanas Unidas com 467. As tradicionalíssimas PUC, Mackenzie e USP ocupam as posições seguintes no ranking de número de aprovações, com 379, 358 e 355, respectivamente.

Um levantamento com base nos resultados da segunda fase do 125º Exame de Ordem, realizado em fevereiro, mostra uma lenta e consistente tendência de mudanças no panorama do ensino jurídico em São Paulo, que certamente deve se repetir em todo o país. Trata-se de uma tendência iconoclasta, que abala as bases das tradições universitárias do Direito. Os antigos templos acadêmicos do saber jurídico estão sendo atropelados pela indústria do ensino com seus números avassaladores. A escola pública estagnou enquanto a particular se expande velozmente. As escolas, antes concentradas na capital, se alastram por todo o estado.

A Unip colocou na praça, ao final do ano passado, cerca de 3 mil novos bacharéis. A massificação dos diplomas, com certeza, dá peso à sua presença na liderança. Nada menos que 806 dos seus ex-alunos lograram passar à segunda fase do Exame de Ordem. A USP colocou 413 na segunda fase. Isso explica porque, mesmo com um índice de aproveitamento mais baixo (62% contra 86%), obteve um numero absoluto de aprovados superior ao da USP. Mas não é só isso.

“Temos feito um trabalho sério em busca de um padrão de qualidade”, diz o coordenador do Curso de Direito da Unip, professor Teixeira Garcia. “Este esforço implica a qualificação do corpo docente, a aplicação de novos métodos e o emprego de tecnologia”. Garcia dá como exemplo o “Multi-Ensino”, que permite a difusão de aulas em cadeia de televisão e pela internet por todas as unidades da rede – nove na capital e dez no interior. Neste mês de junho, os alunos da Unip, através deste sistema de multiplicação de eventos, devem assistir a palestras de três ministros do Supremo Tribunal Federal: Gilmar Mendes e Nelson Jobim já marcaram presença em diferentes unidades da Capital e Carlos Velloso passa por mais uma nesta segunda-feira (20/6). Mas os alunos de todas as unidades tiveram de assistir suas aulas em transmissão ao vivo e em cores.

A hegemonia da UNIP se consolida ainda mais quando se somam os resultados de suas 20 unidades espalhadas pelo estado de São Paulo. Neste caso, o número praticamente dobra, passando para 906 aprovados, bem acima do segundo conglomerado de faculdades coligadas. As sete faculdades católicas capitaneadas pela PUC de São Paulo que colocaram candidatos na segunda fase do Exame de Ordem da OAB-SP somaram 660 aprovados. Mais surpreendente é o sexto lugar ocupado pela Associação Educacional Toledo, um conglomerado de ensino superior com sede em Bauru e filiais em Araçatuba e Presidente Prudente que emplacou 319 aprovados.

Eficiência

Em termos de qualidade não há dúvida. As grandes escolas de direito — PUC-SP, USP e Mackenzie — mantêm-se na dianteira com uma taxa de aprovação, em relação ao número de inscrições, superior a 80%. Neste ponto, a novidade é que, pela primeira vez a PUC, com uma taxa de aproveitamento de 86,53%, superou a USP, que teve 85,96%. A surpresa é que representantes do ensino industrial já se aproximam destes índices de eficiência. É o caso da FMU — Faculdades Metropolitanas Unidas, que atingiu uma taxa de 71,96%. A Unip, da Capital, ainda está num degrau abaixo, com seus 61,72%, mas arranca sua força na avalanche quantitativa que oferece. Em números absolutos, ninguém a supera.

A tradição ainda é um fator de peso na hora da contratação, mas não há restrição ou discriminação aos egressos das neófitas. “Temos parâmetros específicos de qualidade e fazemos provas técnicas para aferir o valor dos candidatos”, diz Cláudia Meirellles diretora de Recursos Humanos do Tozzini, Freire, Teixeira e Silva Advogados, um dos três maiores escritórios do país.

Cláudia revela que um diploma da USP ou da PUC ainda causa a melhor das impressões, mas que o da Unip ou da FMU já não provoca arrepios. “Este é um mercado em franca mutação e não podemos fazer restrições”. Para ela, a primeira grande barreira é o Exame de Ordem.

Públicas e privadas

Um dos dados que mais chamam a atenção no ranking das escolas é o congelamento das escolas públicas diante do borbulhante crescimento das particulares. Não bastasse o fato de a Unicamp, uma das três universidades estaduais de São Paulo, não ter curso de Direito, as outras duas — USP e Unesp — ainda que preservando seu alto grau de excelência, praticamente desaparecem na maré enchente de escolas particulares. Somados os candidatos das escolas públicas — além de USP e Unesp, há representantes de faculdades municipais de cidades do interior do estado, bem como de universidades federais e estaduais de outros estados — eles perfazem tão somente 663, o que dá uma porcentagem de ínfimos 6,63% sobre o total. A Unip, sozinha, com seu vigor empresarial suplanta estes números, ao classificar 1.665 candidatos, o equivalente a 16,65% do total.

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 é diretor de redação da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 19 de junho de 2005, 13:07h

Comentários de leitores

14 comentários

Prezados colegas, concordo com a posição da mai...

drnakatani (Advogado Assalariado)

Prezados colegas, concordo com a posição da maioria avassaladora dos comentários ser no sentido de "rotular" o curso de direito da UNIP como de qualidade duvidosa (mesmo sendo ex-aluno e ex-funcionário daquela Instituição), porém não posso concordar com as alegações de que os bacharéis que lá se formam possuam menor ou maior aptidão para o exercício de nossa profissão. Adoto tal postura em razão, de como dito anteriormente, ser ex-aluno e ex-funcionário (orientador de um escritórios de prática jurídica mantido pela Unip), e em razão desta conhecer inúmeros excelenetes profissionais que lá se formaram, e atualmente têm obtido enorme êxito profissional. Assim, o que gostaria de consignar é que existem grandes e excelentes profissionais tanto nas faculdades mais tradicionais (São Francisco, PUC, MACK), quanto nas instituições menos tradicionais como a Unip. Frise-se que a excelência na prestação dos serviços deve ser medida única e exclusivamente do empenho e dedicação de cada profissional,e não pelo prestígio da Instituição de ensino que este cursou.

Vamos acabar com esse nazismo às avessas! O im...

lu (Estudante de Direito)

Vamos acabar com esse nazismo às avessas! O importante é o que cada futuro operador do direito tem a contribuir para a sociedade. Não importa se é oriundo de faculdade A , B ou C.

Realmente, o título foi bastante infeliz, quali...

gsantos (Serventuário)

Realmente, o título foi bastante infeliz, qualificação que, aliás, acompanha todo o texto. A comparação em números absolutos, como já apontado por outros colegas, é tendenciosa e manipuladora. No contexto da matéria (em que a UNIP é glorificada a cada parágrafo), esse mar de números torna-se ainda mais estúrdio, senão produto de má intenção deliberada. Quanto à qualidade dos cursos de Direito, nem mesmo o artigo consegue ocultar - por motivos sociais ou não, as principais faculdades de Direito de SP continuam sendo a USP, PUC e Mack, por sinal as que obtiveram recomendação da OAB no Estado (além da São Judas). Não dá pra criar fábrica de advogados (como se fossem bonequinhos que se produz em massa) e pretender ser excelência no ensino de Ciências Jurídicas! George Rumiatto Santos 2º NI - Largo São Francisco

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