Notícias
14 junho 2005
Conselho instalado
CNJ é instalado sob expectativas da comunidade jurídica
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Nelson Jobim, instalou e empossou, na manhã desta terça-feira (14/6), na sede do Tribunal, os integrantes do Conselho Nacional de Justiça, o chamado controle externo do Poder Judiciário. A primeira reunião do novo órgão, presidido pelo próprio Jobim, marcada para esta tarde, deverá aprovar o seu regimento interno.
O CNJ vai funcionar dentro das instalações do STF, no sexto andar do prédio novo do Tribunal (anexo 2). As reuniões serão públicas embora o plenário destinado a elas conte com apenas 30 lugares na platéia. Os conselheiros contarão com suporte material e humano para o exercício de suas funções.
Na cerimônia de instalação, falaram apenas o presidente do Conselho Federal da OAB, Roberto Busato, o procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos e Nelson Jobim. A tônica dos discursos foi o papel do CNJ no sentido de tomar medidas para agilizar a Justiça.
“O CNJ não compromete a independência do Judiciário”, afirmou Busato, acrescentando que nenhuma instituição pública é permeável ao controle da sociedade. Busato lembrou que a idéia do controle externo do Judiciário foi lançada, há 14 anos, em reunião do Conselho Federal da OAB, realizada em Belém, capital do Pará. A entidade era presidida por Márcio Thomaz Bastos.
O ministro da Justiça também lembrou essa luta. “Foram quase 20 anos de trabalho lento em que a sociedade brasileira foi se convencendo de que (o CNJ) era um órgão a favor do Poder Judiciário”, ele afirmou. Segundo Bastos, o conselho que se instala é múltiplo e representa as mais variada posições da sociedade em termos de Justiça.
Nelson Jobim, por fim, disse que o “sucesso do CNJ vai depender da percepção histórica da nossa missão”. Segundo ele, o novo órgão deverá estabelecer políticas estratégicas para dar eficiência ao Judiciário. O CNJ, para ele, deve ser um órgão plural para exercer funções de nação e não para que seus conselheiros marquem posições pessoais.
Jobim também lembrou da luta para a criação do novo organismo, iniciada nos trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte, em 1987. Na época, advogados queriam controlar juízes e juízes lutavam para não serem controlados por advogados. A idéia não foi adiante. “Ainda é cedo, vamos perder, mas a perda será o início da construção”, afirmou Jobim, homenageando e lembrando as palavras do ex-presidente da Constituinte, deputado Ulisses Guimarães.
O presidente do CNJ também elogiou o senador José Jorge (PFL/PE), relator da reforma do Judiciário, que incorporou o novo organismo. Segundo Jobim, o senador soube transitar acima dos conflitos. A racionalidade legislativa que levou à criação do CNJ, segundo Jobim, ocorreu não pela ação de advogados e juízes, mas pela sabedoria do Congresso Nacional.
Vicente Dianezi é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.
Revista Consultor Jurídico, 14 de junho de 2005
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 13/06/2005 Integrantes do CNJ tomam posse nesta terça-feira
- 07/06/2005 CNJ deverá propor políticas de eficiência do Judiciário
- 07/06/2005 AMB rechaça instalação do Conselho Nacional de Justiça
- 07/06/2005 Lula assina nomeação de integrantes de CNJ e CNMP
- 04/06/2005 CNJ deve dividir-se entre inovador e corporativista
- 02/06/2005 Fiscalizados também cobrarão eficiência do CNJ
- 24/05/2005 Em nova votação, Senado aprova Moraes para o CNJ
- 19/05/2005 Juízes paulistas repudiam rejeição de Alexandre de Moraes
- 18/05/2005 Senado rejeita secretário de Alckmin para compor CNJ
- 17/05/2005 Comissão do Senado aprova nomes de integrantes do CNJ
- 16/05/2005 Senado sabatina e aprova nomes para o CNJ nesta terça
- 16/05/2005 Vencer resistências à modernidade é o desafio do CNJ
- 10/05/2005 Juiz que atrasa processos não pode pertencer ao CNJ
Comentários
Comentários de leitores: 1 comentário
Cargos e funções comissionadas - tanto para con...
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 22/06/2005.