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Atentado ao pudor

Jovem acusado de violentar menina de rua está foragido

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O jovem acusado de violentar na semana passada uma menina de rua não se apresentou nesta segunda-feira para depor à polícia e é considerado foragido. O promotor Marcelo Luiz Barone, designado pelo procurador-geral de Justiça para acompanhar o caso, considera um absurdo a possibilidade de revogação do pedido de prisão para que o acusado se apresente à polícia.

Barone espera que o inquérito seja enviado para ele nas próximas horas, para que decida se há elementos suficientes para o oferecimento da denúncia contra o rapaz de classe média alta que é apontado pela polícia como o autor do atentado violento ao pudor contra a garota, de 12 anos.

Até agora, as principais provas do crime são o exame de corpo delito que constatou coito anal na garota, a placa do carro do acusado, que foi anotada por um garoto que fazia malabarismo junto com a vítima, e o reconhecimento do acusado por fotos mostradas a ambos.

A maior preocupação do promotor é com a possibilidade de fuga do acusado, uma vez que a família tem alto poder aquisitivo. “É um crime grave e dificilmente o acusado obteria algum benefício penal. Além disso, temos de levar em conta a própria atitude dele, de não se apresentar para dar possíveis esclarecimentos”, afirma.

Segundo a vítima e a testemunha, os dois teriam sido abordados por volta das 21h da última quinta-feira, nas proximidades do bairro do Morumbi, por um jovem com um Peugeot cinza. O agressor teria se aproximado e oferecido um lanche, o que convenceu os dois a entrarem no carro.

Depois de obrigar o garoto a descer do carro, o rapaz seguiu para uma rua escura, onde teria consumado o ato de violência sexual contra a garota. Mais de uma hora e meia depois, ela foi encontrada por policiais militares que haviam sido chamados por seu colega e encaminhada ao hospital.

Leonardo Fuhrmann é repórter da revista Consutor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 25 de julho de 2005, 18h54

Comentários de leitores

1 comentário

Todo o cuidado é pouco. Em passado não muito re...

Maria Lima Maciel (Advogado Autônomo)

Todo o cuidado é pouco. Em passado não muito remoto, algumas crianças, dando asas à fertilíssima imaginação, que é o tesouro da infância de todos nós, narravam, com minúcias, detalhes de crime de abuso sexual de que teriam sido vítimas. O Delegado lhes deu crédito. A imprensa e a sociedade deram crédito ao Delegado. A inocência dos supostos criminosos, donos da escola Base, ficou comprovada, perante a justiça dos homens. Este caso, estarrecedor, continua vívido na consciência de todos, maculando a Polícia Judiciária e o próprio Poder Judiciário. Não sabemos, hoje, como vivem os inocentes, que, durante anos, suportaram a dor de um processo que, à luz das provas, não deveria ter existido. Não há indenização que seja reflexo verdadeiro da injustiça praticada pelo Estado.*** Abandonamos nossas crianças à própria sorte. Dezenas de vezes, escrevi na ConJur, falando sobre o descaso do Estado para com os menores. Sozinhos nas ruas, eles têm dor de dente, dor de barriga, sentem frio e fome, têm desejos de ganhar presentes de Natal, como qualquer criança. Passamos, em nossos carros, fechamos os vidros, vamos para casa acreditando que estamos em paz. Não estamos, no entanto. Crianças de cinco anos vivem como adultos, ganham dinheiro para comer, para elas não há escola, moradia, lazer. Elas acabarão se voltando contra nós, de um jeito ou de outro. É preciso considerar esses dados, pois um menor que teve de tudo, ao falar, dá asas à imaginação, quer viver em abstrato. O menor que vive como adulto pode agir sob o comando do verdadeiro adulto que, além de nada lhe dar, não permite que ele viva abstratamente. E lhe ensina meios de mentir, para sobreviver. Este, o verdadeiro crime, que, todos os dias, sob todas as formas, é praticado pelo Estado, com nosso beneplácito.*** Que Deus nos ilumine, e que possamos ver, em cada ser humano, a nós mesmos, independentemente de quem ele seja. Só assim, ora seremos a criança abandonada, ora seremos a pessoa inocente, a quem se imputa a prática de crime, sem que haja prova alguma acerca desse crime, a não ser as palavras de uma criança, dando início ao que pode ser verdadeira e irreversível tragédia.

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