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24 julho 2005
Eterno retorno
Policiais federais acham que Valério se prepara para fugir
A percepção de boa parte dos membros da Polícia Federal é a de que o publicitário Marcos Valério, acusado de distribuir o mensalão no governo Lula, está preparando uma fuga cinematográfica – a exemplo do ex-tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor de Melo, Paulo César Farias. Depois de decretada a sua prisão preventiva, em 1993, PC fugiu do Brasil via Paraguai, foi para Londres e depois Tailândia, onde a Interpol o capturou.
A avaliação é de Francisco Carlos Garisto, presidente da Fenapef – Federação Nacional dos Policiais Federais. Garisto, que trabalhou no caso PC, coletou na última semana opiniões de federais que trabalharam no mesmo caso e agora estão às voltas com a investigação de Valério.
Confira as conexões e peculiaridades entre os dois casos levantadas por Garisto:
“O escândalo foi iniciado. Depois veio verba de campanha e, em seguida, envolvimento do tesoureiro da campanha, tanto no caso PC como no caso Valério. São dois carecas operadores, PC Farias e Marcos Valério. Temos a listagem dos bancos e depois uma CPI com pessoas do governo no comando, mas que no final têm de fazer o que tem de ser feito se não são atropelados pela opinião pública.
Depois começam a aparecer as ex-mulheres e secretárias. Em seguida a figura das mulheres do operador, no caso do PC Farias a dona Elma, que ameaçou falar tudo que sabia e depois acabou morrendo. Agora, aparece a mulher do Valério e faz de tudo para que ela não vá depôr. Está faltando o motorista (como no caso PC), mas já temos o motoboy. No caso PC tivemos a operação Uruguai e agora já apareceu a operação que foi batizada de Operação Paraguai.
O PC começou a ameaçar que iria entregar todo o esquema e o Marcos Valério faz o mesmo agora. O PC fugiu e agora o Marcos Valério está certamente se preparando para fugir. Ele já recolheu dinheiro suficiente dos bancos, já está abastecido de dinheiro e uma de suas retiradas já foi interceptada pelo próprio Banco Central. É bom lembrar que o PC Farias, na época, também fez queima de documentos. Temos, também, dois vice-presidentes mineiros, calados. Na antiga CPI o Itamar ficava quietinho também, como está o José Alencar. E a diferença entra a reação de Collor e a de Lula é apenas uma questão de idioma: o Collor falou duela a quem duela e o Lula falou doa a quem doder”.
Claudio Julio Tognolli é repórter especial da revista Consultor Jurídico
Revista Consultor Jurídico, 24 de julho de 2005
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