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Luzes da ribalta

Advogado de Delúbio Soares brilha na CPI dos Correios

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O advogado Arnaldo Malheiros nunca recebeu mensalão em sua vida, mas foi uma das estrelas da CPI dos Correios, que investiga o pagamento de mesada aos deputados da base aliada do governo. Na sessão da CPI desta quarta-feira (20/7), uma única pessoa chamou mais atenção do que o advogado — seu cliente Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT e autor intelectual do mensalão.

Uma diferença marcou a atuação dos dois. Delúbio falou e foi ouvido por todos os presentes na sala da CPI. Mas praticamente ninguém acreditou no que ele disse. Não por acaso, Delúbio chegou ao Congresso amparado por um Habeas Corpus, conseguido por seu advogado, que lhe garantia o direito de não responder as perguntas que não lhe conviessem.

Sentado à esquerda de Delúbio Soares, Malheiros falou muito, mas só foi ouvido por seu cliente. O que disse, ninguém sabe, mas incomodou a nobre platéia. Um deputado, de tão incomodado com os cochichos do assistente com o assistido, sugeriu que as perguntas feitas a Delúbio fossem respondidas diretamente por Malheiros.

Não se chegou a tanto, mas Malheiros garantiu até o fim o direito de seu cliente ser interrogado na presença de um advogado. E como comentou um colega seu no Rio de Janeiro, “o advogado não vai ao interrogatório para fazer o papel de pedra. É para instruir o cliente mesmo”. Só num momento Delúbio admitiu que não seguiu a orientação recebida: foi quando informou que sua renda familiar, somando o seu salário e o da mulher, é de R$ 13 mil.

Com tal renda, os deputados quiseram saber quem paga os honorários de Malheiros, segundo eles “um dos advogados mais caros do país”. O ex-tesoureiro informou com rara clareza. “Ele foi contratado pelo partido”. Pelo menos neste ponto, foi convincente.

A deputada Denise Frossard (PPS-RJ) se lembrou de seus tempos de juíza e sugeriu que Delúbio pagasse seu advogado ou requisitasse um defensor público. Talvez porque, com sua experiência nos tribunais, tenha chegado à conclusão de que não vale à pena investir em causas perdidas.

 é diretor de redação da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 20 de julho de 2005, 21h13

Comentários de leitores

10 comentários

O dispositivo legal que permite ao acusado sile...

Ottoni (Advogado Sócio de Escritório)

O dispositivo legal que permite ao acusado silenciar, contém a ressalva expressa, dificilmente entendida pelos leigos, de que o silêncio pode ser interpretado contra o réu. O Dr. Malheiros sabe disso e optou pelo risco. Caberá à Comissão saber interpretar o dispositivo legal que, longe de garantir a impunidade, permite o reconhecimento da culpabilidade pela presunção amparada na admissão tácita, posto que o interrogatório do acusado é peça de defesa. Tudo o que foi produzido e não repelido, expressamente, pelo interrogado, poderá ser aceito como verdade.

Que o Circo está armado nós já sabemos! O espe...

Luciano Stringheti Silva de Almeida (Advogado Autônomo)

Que o Circo está armado nós já sabemos! O espetáculo é que é novo! Os artistas não, apenas alguns! Os leões estão soltos! E os domadores? E os palhaços? Esses, os palhaços, somos nós assistindo os jornais e os demais canais de mídia ganharem às custas da desgraça brasileira. O que seria da mídia se a desgraça não existisse? Mas este é uma outra questão. Já pararam para pensar como tão rapidamente as coisas estão sendo investigadas, apuradas? A velocidade espetacular e a paixão patriótica dos nossos REPRESENTANTES? Gostaria de ver a mesma celeridade, esta tão grande velocidade, a mesma paixão e nacionalidade, para a resolução de problemas muito e muito piores, tais como a fome, a miséria, o desemprego, a violência ("mesmo apesar de lá terem dito que o estupro é um acidente"), a falta de saúde, o desrespeito moral entre os seres humanos (estes itens, bem como os que não foram citados, não estão em ordem de valor). Os brasileiros estão esperando uma mudança de fora para dentro, mas, ao meu ver, a mudança é de dentro para fora, de dentro da família, de dentro do ser humano. Enquanto não passarmos a valorizar bens intangíveis continuaremos sendo reféns dos tangíveis. O mundo que vemos é o reflexo de nós mesmos. Mas fiquem calmos, liguem a tv, busquem os jornais, e percebam que o espetáculo continua, não pode parar. Chamem as crianças de hoje para assistir o espetáculo de um futuro desesperador, desacreditado! Melhor, desculpem-me, não as chame, apenas as ame e temam por seus futuros! Quanto ao advogado! Parabéns, ao menos um trabalhando seriamente! Respeitemos o mínimo, respeitemos o ordenamento jurídico, aprovado pelos próprios que dele reclamam! Enquanto isso, na CPI, respeita-se o velho e sábio ensinamento: Atiremos a primeira pedra, e as demais, pois nossos telhados são de vidro, blindado!!! Saudações! Luciano

Assim como já comentado pelo Dr. Gilberto Ameri...

Luciano Garcia (Advogado Autônomo - Civil)

Assim como já comentado pelo Dr. Gilberto Americo, também venho acompanhando atentamente o desenrolar da CPMI dos correios (MENSALÃO). O que mais me indgna, em verdade, é o fato de os integrantes daquela CPMI insistirem e limitarem-se a tornar público apenas respostas já esperadas e, ainda, ao que nos parece, tal CPMI já vem mostrando mudanças de rumo. É esperar pra ver!

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