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Malas de dinheiro

Deputado da Universal não pode ser preso, diz delegado

O delegado da Polícia Federal David Campos afirmou que “não tem elementos suficientes” para prender o deputado e bispo da igreja Universal do Reino de Deus, João Batista Ramos da Silva (PFL-SP). Ele foi detido nesta segunda-feira (11/7) para prestar depoimento sobre sete malas com cerca de R$ 10 milhões, que iria transportar de Brasília para Goiânia.

Foram ouvidas as seis pessoas que acompanhavam o deputado: o piloto e o co-piloto, dois pastores e suas mulheres. Agora, João Batista será ouvido. As informações são da Agência Brasil.

David Campos afirmou que as conclusões do depoimento serão enviadas ao Supremo Tribunal Federal, que decidirá a respeito da instalação ou não de um inquérito, já que o deputado possui foro privilegiado. Segundo ele, no entanto, o deputado pode ser investigado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal já que “transportar valores não é crime” desde que sejam comprovados a origem e o destino do dinheiro.

De acordo com o delegado, a principal questão é saber porque os cerca de R$ 10 milhões estão tramitando fora do sistema financeiro, já que a igreja possui uma conta bancária. David Campos afirmou ainda que, segundo os depoimentos, essa é a primeira vez "que dinheiro de dízimo é entregue direto a um deputado sem usar o sistema financeiro".

O deputado afirma que possui uma declaração escrita neste domingo (10/7), que contém a origem e o destino do dinheiro. O avião estaria indo de Brasília para Goiânia e, em seguida, para São Paulo, onde o dinheiro seria depositado. Antes de recolher as doações de Brasília, o avião passou por Belém e Manaus, onde também teria recolhido dinheiro.

Segundo o senador Marcello Crivella (PL-RJ), o dinheiro seria utilizado para o pagamento de despesas da igreja Universal do Reino de Deus. O senador, que é um dos dirigentes da Igreja Universal no Brasil, disse que o dinheiro foi arrecadado em ações de fiéis no último dia 09 de julho, quando a Igreja comemorou seu 28º aniversário.

Revista Consultor Jurídico, 11 de julho de 2005, 21h50

Comentários de leitores

1 comentário

Não há crime na conduta de portar R$10.000.000,...

Rossi Vieira (Advogado Autônomo - Criminal)

Não há crime na conduta de portar R$10.000.000,00 ( dez milhões de reais) de lá para cá e de cá para lá. Se houve sonegação, basta pagar ao fisco a parte reservada ao Estado. Mas esse negócio de parlamentar andar com tanto dinheiro, a mim, cheira mal. Não me convenci do argumento de que os bancos em Brasília teriam dificuldades de contabilizar o total do dinheiro. Não tenho noçaõ do que seja portar 10.000.000,00. No mínimo uma sensação extravagante. E por falar nisso, como a Universal do Reino de Deus pagou o canal record ? Ouvi dizer, da boca do povo, em maletas desse nível. Bem, até aí não é crime portar dinheiro em reais...

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