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PMs condenados

Leia a sentença que condena 10 PMs por crime de tortura em SP

A testemunha Alex Sandro da Silva encontrava-se na lanchonete onde as vítimas se encontravam no momento da abordagem inicial. Foi revistado como as duas vítimas e não viu apreensão e qualquer coisa. Depois os policiais perguntaram pela motocicleta que estava estacionada em frente e Roberto se identificou como proprietário. A partir de então não ouviu o que eles conversaram com Roberto. Viu que um policial deu um tapa em Natacha, bem como dois policiais militares darem os socos na região do abdômen de Roberto, quando ele estava sendo levado para o lava-rápido. A abordagem foi feita por três policiais, mas na seqüência compareceu uma outra viatura e eles pegaram a vítima e levaram para o lava-rápido do Hélio, que fica a uns vinte ou trinta metros do bar. Foi liberado e retirou-se do local e depois passou novamente e viu que havia duas viaturas estacionadas em frente à casa de Roberto Carlos (fls. 622/629).

A testemunha Valdir Freitas Cavalcanti é o proprietário do estabelecimento onde as vítimas foram abordadas. Assegurou que uma viatura da polícia estacionou um pouco mais adiante do bar, por volta das 15:00 horas. Três policiais militares realizaram a diligência. Eles revistaram Alex, Natacha e Roberto Carlos. Não viu apreensão de entorpecente e os policiais saíram do bar junto com as vítimas e conversaram com Roberto, mas não ouviu o que eles diziam, pois continuou dentro do bar. Os policiais saíram com o casal e não viu o que ocorreu, pois havia uma parede que tapava a sua visão e não sabe se eles foram colocados dentro da viatura ou se seguiram a pé para algum lugar (fls. 905/907).

A testemunha Hélio H. Mishimura, proprietário do lava-rápido, afirmou que chegou no local e viu duas viaturas paradas.Conversou com o policial que estava do lado de fora. O policial entrou, logo em seguida saiu e liberou para que entrasse em seu imóvel. Os policiais saíram com Roberto e Natacha e caminharam em direção à residência das vítimas, que é próximo do imóvel, mas não sabe informar se eles foram a pé ou se foram colocados em uma viatura. Não se recorda da fisionomia dos policias, mas acredita que eram cerca de oito a dez e eles na pediram para revistar a sua casa, que fica no mesmo espaço do lava-rápido. Esclareceu que as duas viaturas obstruíram a visão de quem passava pela rua, pois eram duas e estavam estacionadas em frente da casa. Não viu a prática de nenhuma agressão contra as vítimas (fls. 615/621).

A testemunha Adauto Rosa, que trabalha no 99º D.P., estava de plantão no dia da prisão das vítimas e recebeu os dois e os deixou em um quarto para que fossem depois ouvidos. Levou Roberto e Natacha para o IML, de noite, acompanhado do policial André Luiz. Viu que o rosto de Roberto Carlos estava inchado e as sobrancelhas pareciam que estavam raspadas, mas o rosto estava muito inchado e não dava para notar muito. Roberto Carlos estava cheirando muito mal e o carcereiro deu papel para que ele se limpasse. No caminho do IML as vítimas comentaram que tinham sido agredidas e Roberto falou que fizeram que ele rolasse nas fezes do cachorro. Não houve nenhuma agressão na delegacia e esclareceu que eles foram colocados separados dos demais presos, para que não tivessem qualquer contato e dali foram levados para o IML. Ouviu na delegacia que Roberto estava cheirando mal, pois tinham jogado fezes nele. Não conversou muito com as vítimas e inclusive evitou ter essa conversa (fls. 654/663).

O investigador de polícia André Luiz da Paixão estava no plantão quando as vítimas foram trazidas pelos policiais militares. Afirmou que Roberto Carlos estava com o rosto inchado, não se recorda se ele tinha a sobrancelha raspada. Natacha reclamava que estavam caindo os cabelos dela, pois tinham puxado o mesmo. Levou o casal para o IML e os dois reclamaram que tinham sido agredidos antes de chegar na delegacia. Não se recorda do horário que levou os dois para o IML. Quando os dois chegaram no distrito pensou que eram indigentes, pois ele estava sujo e Roberto disse que tinha fezes de cachorro noi corpo. Ele não deu detalhes das agressões e Natacha era que falava mais. Foi ela que disse que foram pegos no bar e levados para casa, que foi revistada e as agressões, com socos e empurrões, ocorreram na própria residência das vítimas. Afirmou que o casal permaneceu numa sala fechada e quando retornaram do IML permaneceram nessa mesma sala, pois era noite e não podiam abrir a cadeia. Só depois que amanheceu é que podiam colocar Roberto Carlos com os demais presos. A advogada que esteve na delegacia foi quem avisou a corregedoria (664/673).

A testemunha Sandro A. Gallego é a pessoa referida pelos acusados que veio noticiar o furto de sua motocicleta. Informou que conhecia os policiais Vicente e Valdenir e na data dos fatos, por volta das 09:00 ou 10:00 horas, viu uma viatura da polícia militar quase em frente ao bar e conversou com Valdenir para lhe informar sobre o furto de sua moto e nesse instante o acusado Vicente estava com outro policial e viu que eles fizeram revista em um rapaz. A vítima Roberto Carlos estava em pé na porta do bar e Natacha sentada do estabelecimento. Foi para sua casa e passados vinte minutos verificou que havia uma segunda viatura no local. Dirigiu-se para suas atividades e só retornou de noite. Permaneceu na calçada, conversando com o policial, no máximo por cinco minutos (898/899).

Revista Consultor Jurídico, 19 de fevereiro de 2005, 11h21

Comentários de leitores

1 comentário

Não por que sou policial militar, mas achei uma...

Nei (Policial Militar)

Não por que sou policial militar, mas achei uma verdadeira aberração juridica a condenação dos pms em SP por este motivo é que o tráfico de drógas e a violência urbana está cada vêz pior em nosso país. lendo a sentença da nobre magistrada é evidente a incenação e a facilidade com que os bandidos conceguem ludibriar a visão de alguns de nossos juízes. infelismente hoje no Brasil a palavra de um bandido vale mais do que a de um policial.com todo o respeito, mas alguém para julgar este tipo de crime teria que no mínimo ter uma formação prática na rua, junto com os policiais garanto que sentindo na pele o que sentimos, sendo ameaçados como estamos sendo, sendo executados nas ruas pelos marginais (pelo simples fato de estarmos fardados)tendo as nossas famílias masacradas. eu garanto que nenhum juiz aguentaria isso, é muito fácil quando se forma e fica atrás de uma escrivaninha somente imaginando a "histórinha" que ás supostas vítimas inventam.

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