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13 dezembro 2005

Conversa indiscreta

Grampo telefônico revela ligações suspeitas no TJ-BA

O conteúdo de uma conversa pelo telefone entre o advogado baiano Luciano Cintra e o arquiteto Fernando Frank deixou em polvorosa os meios jurídicos de Salvador depois de circular pela internet e chegar às redações de alguns veículos de imprensa. Na conversa, o arquiteto teria revelado ao advogado que presenteara com anéis de brilhante três desembargadoras do Tribunal de Justiça da Bahia.

Com esta prova material do grampo telefônico, o presidente da seccional baiana da OAB, Dinailton de Oliveira, envia nesta terça-feira (13/12) ofício à Polícia Federal para que se apure a quebra de sigilo ilegal de que foi objeto o advogado. Cintra é irmão do desembargador Carlos Alberto Cintra, atual presidente do Tribunal Regional Eleitoral.

“Não podemos ficar expostos dessa maneira e ter a privacidade violada. Hoje estamos todos vulneráveis à instalação de grampos, o que é ilegal e grave”, afirmou Dinailton de Oliveira. O presidente da OAB informou que levará a questão também à apreciação do Conselho Nacional de Justiça, órgão encarregado do controle externo do Judiciário. Na gravação, o arquiteto teria informado Luciano Cintra de que presenteou três desembargadoras do Tribunal de Justiça da Bahia com anéis de brilhante, que estariam vinculados à eleição da mesa do Tribunal.

A informação cria pelo menos um embaraço em relação ao processo eleitoral para a Presidência do TJ da Bahia, que culminou com a vitória do desembargador Benito Figueiredo. Suspeita-se que os presentes foram dados com vistas a influenciar o resultado da eleição.

Entre os 30 desembargadores do TJ-BA contam-se onze mulheres. Pelo menos uma das presenteadas, a desembargadora, Aidil Silva Conceição, resolveu dar explicações. Ela divulgou um fac-símile de um texto, escrito de próprio punho e endereçado ao arquiteto Fernando Frank, notificando-o da devolução do anel.

No entendimento do presidente da OAB da Bahia, ao dar conhecimento público da devolução do presente, a desembargadora confessa tê-lo recebido. Para Dinailton de Oliveira isso é gravíssimo se for levado em consideração que Fernando Frank teve ou tem processos em julgamento no Tribunal.

Um desses processos foi movido pelo arquiteto contra a Petrobras e teria lhe rendido uma indenização no valor de R$ 35 milhões. “Soa estranho uma magistrada receber mimos de alguém que teve ou tem processo em curso no Tribunal”, criticou Dinailton Oliveira.

Revista Consultor Jurídico, 13 de dezembro de 2005

Comentários

Comentários de leitores: 1 comentário

14/12/2005 21:03 Ottoni (Advogado Sócio de Escritório)
Não podem haver concessões, nem tergiversações ...
Não podem haver concessões, nem tergiversações quando se cuida da moralidade das instituições judiciárias. Desviar o foco desse escândalo para o autor do grampo é cinismo e hipocrisia explícitos. A caso é gravíssimo e compromete um dos Poderes do Estado, o quanto basta para que a apuração seja transpartente e total.

A seção de comentários deste texto foi encerrada em 21/12/2005.