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26 agosto 2005
Entre três poderes
Poderes do MP incomodam o Legislativo e o Executivo
A constituição de 1988 recuperou as liberdades democráticas, reforçou prerrogativas e institucionalizou o Ministério Público e o Judiciário, que começaram a dividir espaço com o Poder Legislativo e o Executivo. Essa ampliação favoreceu o tensionamento das relações entre os poderes e o Ministério Público, na opinião do deputado federal José Eduardo Cardozo (PT-SP).
O deputado foi um dos ocupantes da mesa do III Congresso do Ministério Público do Estado no debate sobre “O Ministério Público e o Poder Legislativo”. Com ele estiveram também os deputados Dimas Ramalho(PPS-SP), Luiz Antonio Fleury Filho(PTB-SP) e José Thomaz Nonô (PFL-AL).
“A Constituição de 88 deu novos mecanismos ao Ministério Público para o combate, à improbidade e a corrupção”, afirma Cardozo. Segundo o deputado o sistema político eleitoral e as regras para captação de recursos nas campanhas são a porta de entrada para a corrupção no país, o que torna inexorável o choque entre o Ministério Público e o Poder Legislativo.
“As tensões entre o Ministério Público e o Legislativo são fruto da função institucional do MP, que vem controlando a imoralidade e promiscuidade do sistema político partidário brasileiro”, afirma.
Relator da subcomissão de contratos da CPMI dos Correios, Cardozo afirma que o MP tem sido decisivo no combate à corrupção no país, com destaque no crime organizado, improbidade e cassação de mandatos. Porém ele faz a ressalva de que o MP deve criar regras e limites para coibir situações de excesso, sem violar sua autonomia e princípios.
Amigos e inimigos
O deputado Luiz Antonio Fleury Filho revelou que a atuação do MP é uma das preocupações dos parlamentares brasileiros. Pelo menos é o que se depreende pelo número de proposições contra ou a favor do Ministério público apresentadas nas duas casas do congresso. São 1.451 proposições na Câmara e 145 no Senado.
Tem desde propostas de CPI para investigar a atuação do MP até projetos que pedem sua extinção pura e simples. Do total de proposições na Câmara, 971 são Projetos de Lei, 81 de Lei Complementar e 77 de Proposta de Emenda Constitucional.
Fleury defende que o MP incomoda poucos e é aplaudido por muitos. “A sociedade se convenceu da importância do trabalho do Ministério Público, tanto que quando propuseram a Lei da Mordaça a sociedade se levantou contra. Não receio retrocesso, não que as bases políticas não queiram. O MP tem de continuar a crescer”.
Relação recíproca
“Quando o MP deixou de prender peixe pequeno e começou a mexer em setores de poder e interesses difusos criou problemas”, afirmou o deputado Dimas Ramalho, explicando as razões que fizeram crescer a desconfiança mútua que permeia a relação entre o promotor e o político.
Ramalho acredita que a profunda crise política que sofre o país vai fortalecer as instituições e que nesse contexto o Ministério Público tem papel fundamental.
Esperança sempre
Talvez seja mais justo pensar que o conflito entre o MP e o Congresso não seja tão grande. Afinal de contas, foram os senadores e os deputados que fizeram a Constituição que concedeu poderes e avanços institucionais ao MP e à Justiça. “Por isso não posso descrer no Congresso”, afirma o deputado José Thomaz Nono. O deputado alagoano acredita que conflito do MP com o Congresso não é institucional. “Mais ainda, a primeira mágoa do MP não vem do poder político e sim do Judiciário”.
Para o deputado, se o MP tivesse usado as suas prerrogativas, poderíamos ter melhor solução para a crise política, do que esse “espetáculo televisivo” que é a CPI.
Maria Fernanda Erdelyi é correspondente da Revista Consultor Jurídico em Brasília.
Revista Consultor Jurídico, 26 de agosto de 2005
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Comentários de leitores: 1 comentário
É preciso esclarecer que o MP não tem poderes, ...
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