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19 agosto 2005
Mensalão em Ribeirão
Leia o depoimento em que Buratti acusa o ministro Palocci
Os R$ 50 mil reais que a empresa Leão Leão pagava a Antônio Palocci, quando o atual ministro da Fazenda era o prefeito de Ribeirão Preto, tinham como contrapartida obrigação da prefeitura manter o contrato de lixo com a Leão e o cuidado de manter em dia os pagamentos devidos à empresa. É o que garante o advogado e ex-assessor de Palocci, Rogério Buratti em seu depoimento aos promotores de Justiça e ao delegado de polícia de Ribeirão Preto.
A revista Consultor Jurídico publica nesta página a íntegra do depoimento de Buratti, prestado ao delegado Seccional da Polícia Civil de São Paulo em Ribeirão Preto Benedito Antonio Valencise, na presença dos promotores Aroldo Costa Filho, Naul Luiz Felca, Luiz Henrique Pacini Costa, Daniel José de Angelis, Thiago Cintra Essado e Sebastião Sergio da Silveira.
Buratti relatou que soube das doações através de Ralf Barquete, já falecido, e que na época era o sercretário da Fazenda da Prefeitura de Ribeirão Preto. “Pela amizade que eu tinha com o Ralf sei que ele repassava o dinheiro ao Diretório nacional do PT, com autorização do prefeito Palocci”. O advogado garante que o “dinheri foi pago mensalmente durante toda a gestão do prefeito Palocci, ou seja, durante dois anos”.
Buratti deu informações também a respeito de uma suposta doação de casas de bingo à campanha à presidência de Lula em 2002. Segundo Buratti, duas casas de Bingo, uma do Rio de Janeiro e outra de São Paulo fizeram doações de R$ 1 milhão para a campanha.”O interesse dessas contribuições era a regulamentação do jogo de bingo no Brasil, a qual não aconteceu”.
Depois de prestar o depoimento, Buratti, que estava preso desde quarta-feira (17/8), foi liberado pela Polícia.
Leia a íntegra do depoimento de Buratti
Leia o depoimento
SECRETARIA DE ESTADO DOS NEGÓCIOS DA SEGURANÇA PÚBLICA
POLICIA CIVIL DO ESTADO DE SÃO PAULO
DELEGACIA SECCIONAL DE POLÍCIA DE RIBEIRÃO PRETO/SP
Fone: 610 4611 CEP 14015 040
AUTO DE QUALIFICAÇÃO E INTERROGATÓRIO Em Aditamento
As 8:30 horas do dia 19 de agosto de dois mil e cinco, nesta cidade de Ribeirão Preto, na Delegacia, Seccional de Polícia de Ribeirão Preto, onde presente se achava o Sr. Dr. Benedito Antonio Valencise, Delegado Seccional de Polícia, comigo, Escrivão de Polícia, ao final assinado, compareceu o interrogado, o qual às perguntas da Autoridade, respondeu como segue:
Qual o seu nome? ROGÉRIO TADEU BURATTI RG. 10.831.278 SP.
Qual a sua nacionalidade? Brasileira.
Onde nasceu? São Paulo SP (10/02/63)
Qual a seu estado civil? Casado.
Qual a sua cor? Branca.
Qual a sua idade? 42 anos.
Qual a sua filiação? Ezio Buratti e Deifina Gomes Buratti
Qual a sua residência? Rua Da Bahia, 1.601 ap.601 Belo Horizonte MG
Qual o seu meio de vida ou profissão? Advogado,
Qual o lugar onde exerce a sua atividade? Rua Culabá, 372 Belo Horizonte MG,
Sabe ler e escrever? Sim.
Cientificado de seus direitos constitucionais, inclusive de se manter calado e só se manifestar em Juízo, interrogado pela autoridade, na presença dos Srs. Drs, Aroldo Costa Filho, Naul Felca, Luiz Henrique Pacini Costa, Daniel José de Angelis, Thiago Cintra Essado e Sebastião Sergio da Silveira, Promotores de Justiça desta Comarca, respondeu;
Que, inicialmente quero deixar patente que desejo de livre e espontânea vontade melhor esclarecer meu interrogatório já prestado no presente Inquérito Policial, além de mencionar dados tendo em vista a possibilidade de benefícios com relação à delação premiada;
Que, também desejo constar que no final da tarde de ontem, neste cartório, encontrava se presente meu advogado, Dr. Roberto Telhada, como o qual conversei reservadamente sobre a minha atitude que está sendo adotada neste momento, deixando claro que o mesmo deixou o cartório após o momento em que eu iria iniciar a delação de dados referentes a este inquérito policial e outros que fossem necessários;
Que, em relação à cidade de São Paulo, no tocante a licitações de concessão de lixo, esclareço que havia um acordo no mercado entro as grandes empresas que participariam, sendo que as menores não tinham condições de participar por conta do capital inicial e como eram muitas empresas haveria uma disputa muito grande;
Que, a notícia que tinhamos é que não haveria nenhuma "contribuição" para a prefeitura e também a prefeitura não participava deste acordo, porém, tinha conhecimento;
Que, a notícia que tenho é que as empresas sempre colaboravam nas eleições;
Que, nessa época a prefeita era a Sra. Marta Suplici;
Que, tudo a que desejo antecipar que tudo o que acontecia na empresa Leão & Leão, certo ou errado, a diretoria tinha total conhecimento;
Claudio Julio Tognolli é repórter especial da revista Consultor Jurídico
Revista Consultor Jurídico, 19 de agosto de 2005
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Comentários de leitores: 2 comentários
O próximo "dedão premiado" vai apontar ao Lula....
O próximo "dedão premiado" vai apontar ao Lula....
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 27/08/2005.