Sandro Vaia diz que são os fatos que não poupam Lula
Para o jornalista Sandro Vaia, diretor de redação do jornal O Estado de S. Paulo existem pecados no jornalismo que são imperdoáveis, como a imprecisão, a informação distorcida, a soberba e a arrogância. Entrevistado no Papo na Redação, uma entrevista coletiva online do site Comunique-se, nesta quinta-feira (4/8), Vaia disse também que a relação fonte x jornalista precisa ser acima de tudo honesta: “Um grande furo de reportagem jamais poderá ser obtido se o respeito à ética não for mantido”.
A questão do mensalão marcou presença na entrevista e o jornalista afirmou que a imprensa, de um modo geral, está cumprindo a contento a sua missão. “Está fazendo o que deve fazer. Aí não se trata de poupar ou não o presidente Lula.Se os fatos não o poupam,a culpa é dos fatos,e não da mídia”, afirmou.
A discussão sobre a cobertura da imprensa e sua relação com os acontecimentos passou também pelo caso da Escola Base:
“A imprensa foi leviana e irresponsável na apuração do caso e agora está pagando por isso. Em multas, determinadas por sentenças judiciais,e em credibilidade”.
Leia trechos do bate papo
Fernanda Cristina Pacini (Redator — SBN — Projetos em Comunicação — SP): Existe algum erro que você considera imperdoável no jornalismo?
Sandro Vaia: Boa tarde, Fernanda. Existem várias coisas que considero imperdoáveis no jornalismo. Algumas delas: a imprecisão,a informação distorcida,a soberba, a arrogância.
Marcilênio Arruda (Freelancer — Freelancers): Boa tarde Sandro. Como o Estadão impresso se relaciona com o on-line? É a mesma redação?
Sandro Vaia: Boa tarde, Marcilênio. Não é a mesma redação. Embora a redação online funcione no mesmo espaço físico e sob a mesma orientação editorial, o grupo de profissionais é outro. Mas isso está sendo repensado.
Thá Carolina Yadnak (Estudante): Sandro, como experiente jornalista, qual a maior dificuldade para os récem-formados ao serem contratos na redação do Estadão?
Sandro Vaia: As dificuldades são as de sempre: a oportunidade do aparecimento de vagas, o processo de seleção que eu não considero suficientemente adequado, e às vezes, infelizmente, a falta de talento.
Thá Carolina Yadnak (Estudante): Sandro, como você vê a relação fonte x jornalista? Até onde pode ir a falta de ética para uma boa matéria ou um grande furo de reportagem?
Sandro Vaia: A relação fonte x jornalista precisa ser acima de tudo honesta,como em tudo nas relações humanas. Um grande furo de reportagem jamais poderá ser obtido se o respeito à ética não for mantido. Portanto, a segunda parte da tua pergunta está prejudicada.
Lindoberto Pereira da Silva (Assessor de Imprensa — Lanterna Mágica Multimídia — GO): Como o senhor vê a cobertura que os jornais, e a mídia em geral, está fazendo em relação ao escândalo do Mensalão? Pelo que temos visto, apenas a Revista Carta Capital tem poupado o presidente Lula.
Sandro Vaia: Embora exista um certo tumulto na ordenação dos dados,muito compreensível diante do acúmulo de informações que o caso vem produzindo no dia-a-dia, de um modo geral a imprensa está cumprindo a contento a sua missão.Está fazendo o que deve fazer. Aí não se trata de poupar ou não o presidente Lula. Se os fatos não o poupam,a culpa é dos fatos,e não da mídia.
Márcio Flizikowski (Professor — UFPR): O senhor afirmou que a imprensa está cumprindo a contento seu papel na investigação do caso do mensalão. Como o senhor vê os casos de informações desencontradas como o caso da lista dos freqüentadores do prédio do Banco Rural, que depois se mostrou bastante equivocada e plantada por um integrante da oposição, e principalmente o sensacionalismo das capas das revistas semanais?
Sandro Vaia: Acho que é inevitável que num ambiente conturbado como esse existam informações desencontradas. Ainda mais quando há uma diversidade de fontes tão grande (todos os integrantes da CPI, ministério público, polícia federal etc). O que a mídia tem a obrigação de fazer é a de processar as informações que recebe com extremo cuidado, um extremo rigor, uma extrema preocupação com a credibilidade, a integridade e a boa fé das fontes. As revistas semanais, no meu entendimento, não fogem á regra geral da mídia.
Marcelle Altoé Duarte (Estudante): Ei Sandro, tudo bem? Bom, a neutralidade e a objetividade são dois ideais que o jornalista sempre está em busca. Você acredita que é possível ser completamente objetivo e neutro em uma matéria jornalística?
Sandro Vaia: Tudo bem, Marcelle, e você ? Como neutralidade e objetividade são, intrinsecamente, atributos que contém em si um certo grau de subjetividade, não sei se será possível conseguir sempre objetividade e neutralidade em matérias jornalísticas. Mas é preciso perseguir isso como o centroavante persegue o gol. Sem esse objetivo, é impossível ser jornalista.




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