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Fumaça preta

Polícia Federal admite temer pela vida de reféns em RR

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A chegada de 73 agentes da Polícia Federal ao município de Uiramutã, em Roraima, onde quatro policiais federais são mantidos como reféns por indígenas contrários à homologação da reserva Raposa Serra do Sol, fez subir o clima de tensão na região. Os chefes indígenas que lideram o protesto se mostram mais irritados e, segundo informações da própria PF, 3 mil índios se dirigiam para o local da crise na tarde desta quarta-feira (27/4).

Pela primeira vez, a Polícia Federal admite que teme pela vida dos quatro agentes transformados em reféns. Nesta quarta-feira, os quatro agentes completaram 96 horas de cativeiro na maloca Flechal, a 29 quilômetros da sede do município de Uiramutã.

Em entrevista exclusiva à revista Consultor Jurídico, o líder sindical da PF na área, agente Fernando Menezes, relata que " a situação não está nada boa. Os índios resolveram desarmar os quatro agentes, que foram separados e escondidos em locais que não sabemos".

Fernando Menezes diz que mesmo lideranças indígenas conhecidas pelos federais passaram a desconhecer a real dimensão do caso a partir desta quarta-feira. "Posso avaliar que é uma situação muito difícil e muito preocupante".

Para o dirigente sindical, a Polícia Federal pode ser criticada no episódio por não ter se preocupado em fazer um levantamento prévio da posição dos indígenas em relação à demarcação da reserva. “Faltou um levantamento sobre o número de indígenas que são a favor e contra a demarcação contínua, faltou mostrar quem é a favor da demarcação em ilhas isoladas, falta saber onde estão as malocas que apóiam uma e outra idéia".

Fernando Menezes acredita que os índios "não vão chegar a extremos, mas nós policiais federais ficamos temerosos pois não sabemos até onde pode chegar essa situação". O agente prossegue dizendo que “não sabemos até onde as partes estão dispostas a negociar ou não. Esses policiais são de outros estados, foram lá para proteger os índios".

Em Assembléia realizada na tarde de terça-feira (26/4), os indígenas queriam retirar as armas dos policiais. Mas o delegado Alexander Biegas, que lidera o grupo, não aceitou. Nesta quarta, a situação mudou de figura com a chegada de reforços da PF, a alteração do humor dos chefes tuxauas e a mobilização dos índios da área.

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 27 de abril de 2005, 17h52

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