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Editora lança livro com documentos inéditos da Guerrilha do Araguaia

A Geração Editorial lança nesta quarta-feira (13/4), em Brasília, o livro Operação Araguaia. Escrito pelo jornalista Eumano Silva, a obra traz 112 documentos, 12 mapas e quase 200 fotografias inéditas feitas pelos próprios militares durante a guerrilha.

Segundo o editor Luiz Fernando Emediato -- que apoiou o projeto de coletar entrevistas e depoimentos de ex-guerrilheiros sobreviventes, parentes e militares, num trabalho que durou quase três anos -- o livro é “um magistral esforço de pesquisa e jornalismo investigativo entre civis e militares”. Para ele, trata-se de uma grande reportagem que promete completar, com registros oficiais, lacunas que as investigações jornalísticas do passado deixaram em branco.

A editora vai colocar os documentos na íntegra em seu site no final de abril. O livro contou com o trabalho da pesquisadora Taís Morais, que coletou documentos e assina a obra junto com Eumano.

As páginas mostram estratégias de operações planejadas pelas Forças Armadas, os nomes de seus comandantes, relatórios sobre os resultados, relação de mortos e feridos dos militares, depoimentos de guerrilheiros presos, a confirmação de que foi usado o desfolhante “napalm” na floresta amazônica (o mesmo usado pelos americanos no Vietnã), revelações sobre traições feitas por militantes do PCdoB, documentos do partido que apontam conflitos internos sobre a continuidade da guerrilha e a insistência de seus comandantes para não interromperem a luta armada contra a ditadura, mesmo com praticamente todos os guerrilheiros mortos.

Operação Araguaia revela, além de muitos documentos do PCdoB apreendidos pelos militares, a forma de como a repressão tomou conhecimento da reunião do Comitê Central do partido no bairro da Lapa, em São Paulo, quando foram presos os principais dirigentes e fuzilados dois deles, Pedro Pomar e Angelo Arroyo. Eles foram traídos por um membro do próprio Comitê Central, que os denunciou para os militares e continua vivo, em algum lugar do Brasil. Só agora o nome dele, Manoel Jover Telles, é revelado.

“Serei para sempre grato a todos que colaboraram na execução deste trabalho”, afirma o jornalista Eumano Silva, que em 2003 ganhou um Prêmio Esso de Jornalismo por suas reportagens no Correio Braziliense, feitas com base em documentos obtidos por Taís Morais. “Em graus diferentes, mais de uma centena de pessoas se dispôs a contribuir com a reconstituição da história da Guerrilha do Araguaia”, diz ele.

Para Taís Morais, filha de um oficial das Forças Armadas, o trabalho de pesquisa e contato com os entrevistados, desde militares radicais até integrantes do PCdoB, lhe permitiram ver que “sempre há uma linha tênue que separa duas visões, mas que torna possível uma análise sem comprometimento sobre o assunto”.

A Guerrilha do Araguaia é um tabu entre os militares. Os poucos que comentam o assunto, diz um deles, o fazem baixinho. No início dos anos 70, quando o foco guerrilheiro foi descoberto pelas Forças Armadas e começou o trabalho de repressão, a imprensa estava sob censura e não pôde noticiar o confronto, salvo uma única reportagem, em 1972, do jornal O Estado de S. Paulo.

O livro começa nos anos 60, com os primeiros sinais da instalação de esquerdistas na Amazônia, registra a passagem de militantes do PCdoB pela China, reconstitui o cenário da época e relembra o Brasil de conflitos internos desde a tentativa de se criar uma espécie de república na região de Trombas e Formoso, no Bico do Papagaio, entre Tocantins, Maranhão e Pará.

Os documentos secretos, agora revelados, mostram que, derrotada a guerrilha em 1974, e desestruturado o PCdoB em 1976, ainda em 1985 os militares insistiam em identificar o partido como uma organização perigosa. Informações similares circularam pelo governo até 1992, data do último documento militar obtido pelos autores.

Os documentos são assinados por oficiais do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, pelos serviços de informações das três armas, principalmente pelo Centro de Informação do Exercito, Polícia Federal, Serviço Nacional de Informação e pelos gabinetes dos ministros militares. A maioria tem os carimbos de Confidencial, Reservado e Secreto, dependendo do teor. Várias das fotografias são originais coloridas. Muitos dos documentos possuem anotações escritas à mão.

O livro Operação Araguaia tem 656 páginas e custa R$ 59,00. Mais informações podem ser obtidas no Geração Editorial.

Revista Consultor Jurídico, 8 de abril de 2005, 21h58

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