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Rinha federal

Delegado que prendeu Duda Mendonça diz que está sendo perseguido

Por 

Assédio moral. Stalinismo. Terrorismo administrativo. Esses vocábulos brotam com facilidade da boca do delegado federal Antônio Carlos Rayol, um dos mais respeitados da Polícia Federal, quando fala do que vem suportando desde que entrou em rota de colisão com figuras do alto escalão do governo.

Depois de 28 anos de corporação com uma folha de serviços sem reparos, o delegado sofreu, em dois meses, cinco diferentes sindicâncias. Por trás desta devassa está o fato de Rayol ter comandado a operação que resultou na prisão do publicitário Duda Mendonça numa rinha de galos, no Rio de Janeiro, em outubro passado. Desde então, conta, não teve mais paz. Tampouco sua equipe. “Fomos dissolvidos e perseguidos”, diz o delegado.

Em entrevista à revista Consultor Jurídico, o delegado Rayol desabafa:

O senhor é agora perseguido técnica e politicamente ?

A história é um pouco complexa. No dia 28 de outubro do ano passado, ou seja, sete dias depois da operação, que foi no dia 21, saiu uma nota no jornal Folha de S. Paulo segundo a qual o presidente Lula teria determinado ao ministro da Justiça que investigasse se a operação teve motivação política, e que tomasse as providências que julgasse adequadas, inclusive com troca de comandos.

Com essa expressão “troca de comandos”?

Sim, esta expressão foi usada pelo jornal Folha de S. Paulo. Em razão disso nós começamos a observar que realmente começaram a acontecer coisas estranhas, uma movimentação estranha inclusive dos advogados do Duda Mendonça. O fato é que de lá para cá eu, o delegado Lourenço e os dois agentes que assinaram o auto de prisão em flagrante, fomos retirados da Delegacia do Meio Ambiente e espalhados pela Superintendência do Rio de Janeiro. Cada um foi para um setor diferente. A administração tentou mandar os agentes Guimarães e Amado numa viagem de serviço sem data prevista de retorno.

Que viagem?

Eles só não foram nessa viagem porque entraram com um mandado de segurança. Houve uma pressão muito grande da mídia porque a coisa ficou óbvia demais. Eles se livraram da viagem mas foram afastados da Delegacia do Meio Ambiente.

E o inquérito?

O inquérito 133, que investigava essas rinhas de galo, foi paralisado por muito tempo, depois da nossa saída. E uma coisa interessante é que desde então, até o presente momento, foram instauradas, na Superintendência do Rio de Janeiro, cinco sindicâncias, e sabe-se lá mais o que poderão fazer, que são sindicâncias para apurar as coisas mais estapafúrdias possíveis, todas relacionadas à operação das rinhas de galo.

E com o senhor?

Vou completar agora 28 anos de serviço público sem nenhuma punição. De repente me transformo num funcionário respondendo a cinco sindicâncias. Ou seja: ou eu enlouqueci ou tem alguma coisa de muito estranho acontecendo. Esssas sindicâncias estão sendo instauradas, estão sendo direcionadas contra a minha pessoa, contra o delegado Lourenço e contra os agentes Amado e Guimarães, que são os quatro principais responsáveis pela operação e são os quatro policiais que foram arrolados pelo Ministério Público como testemunhas de acusação no processo contra Duda Mendonça e outras cinco pessoas envolvidas com a rinha de galo.

Os senhores são perseguidos politicamente?


Eu não tenho outra explicação. Tudo o que está acontecendo é muito estranho. Estamos sendo acompanhados por advogados e eles estão identificando, em tudo o que está acontecendo, um completo cabimento daquilo que na doutrina vem sendo chamado de assédio moral. O que encontramos como exemplos de assédio moral, na doutrina, são exemplos que se encaixam como uma luva nas coisas que estão acontecendo conosco hoje. Eu fui retirado da chefia da Delegacia do Meio Ambiente depois de estar naquela delegacia por três meses, e disseram que foi um ato de rotina. Isso é um absurdo.

Por quê?

Nenhuma organização do mundo troca a chefia de três em três meses. E eu pedi ao Serviço de Recursos Humanos da Superintendência da PF do Rio, certidão com todas as chefias que já ocupei e o período em que fiquei em cada uma. Eu nunca fiquei em nenhuma chefia por menos de dois anos. Esse é o período normal. O único caso em que alguém é retirado de uma chefia por pouco tempo, como foi no meu caso, três meses, é quando a pessoa cometeu alguma irregularidade muito grande ou ela está sendo encaminhada para outra chefia. Não foi nada disso o que aconteceu comigo. Fui retirado da chefia e não recebi sequer um telefonema me avisando que estava sendo retirado. Fiquei sabendo pela publicação no boletim de serviços.

O que isso significa?

Foi uma coisa já feita, cuidadosamente planejada para desmoralizar, para humilhar, e isso tem sido feito não só comigo como também com os outros funcionários. O agente Guimarães, por exemplo, é um agente em final de carreira, um agente especial. Segundo o regulamento do Departamento de Polícia Federal, deve ser empregado em tarefas mais complexas. Hoje ele foi colocado num balcão entregando documentos, que é uma tarefa normalmente reservada ao policial que está ingressando na carreira. Tudo tem sido feito para humilhar, para desmoralizar, para quebrar o moral dos funcionários, para nos intimidar com essas sindicâncias. Agora eles estão tentando inventar irregularidades que nunca existiram na operação da rinha de galos, para poder justificar todas essas medidas estranhas que eles têm tomado.

Outros governos fizeram o mesmo?

Olha, isso não é uma coisa nova, não só na Polícia Federal como em outras polícias. Isso tem acontecido com uma certa regularidade. É uma prática lamentavelmente instalada, essa questão da interferência política. Mas, um caso como esse, eu nunca vi. Ele está sendo feito de uma forma tão escandalosa. As pessoas que estão promovendo esse terrorismo administrativo, agem de uma forma tão escancarada, como se tivessem certeza de que nada acontece, de que não existe Judiciário, de que não existe Ministério Público. Eles estão revoltando toda a categoria, porque todos os policiais do Brasil querem ver o fim dessas práticas. Se a população quer uma polícia que investigue com isenção e independência, essa polícia tem de ter um mínimo de salvaguarda. Se toda a vez que esbarrar num poderoso ou num amigo de poderoso acontecer esse tipo de coisa, a polícia não é mais republicana. Isso que estamos verificando agora é uma conjuntura completamente stalinista.

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 5 de abril de 2005, 12h53

Comentários de leitores

45 comentários

Não sou a dona da verdade T, mas posso garantir...

Elaine Paiva (Outros)

Não sou a dona da verdade T, mas posso garantir que você também não é. T aonde eu vou, mesmo com meus defeitos e qualidades e até com muitos mais defeitos do que qualidades eu sou respeitada, sabe por quê. Porque eu sempre sou Elaine P@iva, até mesmo quando falo ou escrevo coisas como essa abaixo. Considerando que você não foi elegante comigo no final do seu comentário, eu não tenho obrigação nenhuma de ser elegante com a sua pessoa. T você não se identifica não é por vergonha de ser morador de uma republiqueta das bananas não, e sim, porque você não tem c-u-l-h-ã-o mesmo. Quer notoriedade T? Trabalhe. Trabalhe muito quem sabe um dia você consegue. Adeus T. Boa sorte na sua caminhada. Elaine P@iva PS: Se eu fosse vc não responderia mais nessa notícia, pois ela já perdeu sua notoriedade. Espere até a notícia da aprovação do requerimento para que os policiais possam falar tudo o que aconteceu na época da prisão do Sr. Duda Mendonça e também da perseguição que estão sofrendo após esse, digamos, “evento”.

Membros como você são muito comuns em comunidad...

Elaine Paiva (Outros)

Membros como você são muito comuns em comunidades na internet.Identidade anônima, sempre atacando as pessoas que vão contra seus pensamentos e que fica escolhendo sempre o tópico ou notícias de maior notoriedade. Não traga suas frustações para o Conjur T. O Conjur é uma comunidade onde opiniões claras e bem explicadas são de grande valor para os visitantes. Aprendemos muito aqui no conjur que oferece artigos, notícias e informações de seus membros de forma mais simples dando a oportunidade para que pessoas que não sejam da área possam ter acesso a informações jurídicas de relevância. Finalizando Não vou nem comentar a sua gracinha no início de seu “post” porque não perco meu tempo com pessoas que não podem entender determinados assuntos. É uma questão de evolução. È uma questão de entender o que está ao nosso redor, mas vc ainda não pode entender isso. Ainda não está pronto. Antes de terminar eu gostaria de te dizer o seguinte: Ao contrário do que você pensa, eu votei no candidato Lula. Não que eu goste do PT ou tenha algum partido, mas considerei que ele poderia fazer a diferença. E me arrependo amargamente, pois nada mudou. E pior, nunca pensei que fosse ouvir de pessoas humildes que sonharam uma vida inteira em vê-lo no poder comentarem que não votariam mais nele. O presidente subiu no telhado e esqueceu daquele que o colocou no poder, o Povo. É uma pena não T? Um presidente que teve uma posse tão bonita! Uma posse que todo presidente de um país democrático gostaria de ter, a cada dia despenca na aceitação do povo e corre o risco de não reeleger. Que pena né T! Eu sinto tanto! É lamentável! Continua

Com a palavra uma mulher madura e que sabe muit...

Elaine Paiva (Outros)

Com a palavra uma mulher madura e que sabe muito bem o que quer, o que fala e acima de tudo se identifica. Mas antes de continuar meu comentário quero dizer que resolvi lhe dirigir a palavra através de uma letra, e não pelo nome que escolheu para manter seu anonimato. Vou me dirigir a você com a letra T. Primeiro lugar T, em nenhum momento eu disse que os galos têm mais valor que a vida humana, e sim, que esta situação – como a chacina da baixada - já existe há décadas e nunca se fez nada de efetivo para conter o avanço da criminalidade e muito menos dos grupos de extermínios. Estou cansada da hipocrisia da sociedade que a cada nova chacina faz movimentos como passeatas e abraços da Paz. Quando se deveria cobrar dos legisladores penas mais duras e uma estrutura decente para os policiais trabalharem. Enfim, chegamos a essa situação por puro comodismo e por não nos importamos mesmo. Esssa não será a última T, principalmente, se tiver outros motivos além perversidade de homens que se curvaram a ganância e até mesmo pelo simples prazer de matar. Voltando as "rinhas" Se você quer saber T por mim todos os galos que fossem apreendidos nas rinhas seriam doados para instituições sérias ou pessoas para matar um pouco da fome desse nosso povo tão miserável. Sabe T, tem muita gente morrendo de fome enquanto ficamos aqui discutindo o óbvio. Lei é lei, e eu não aceito e não vou aceitar nunca que o poder se oponha a Lei. A lei tem que ser cumprida doa a quem doer. E só para encerrar o caso das rinhas e aproveitando a frase de sua amiga: ver um bando de pessoas em volta de uma arena babando e gritando enquanto “galos” se atracam até a morte , além de um ato covarde é de uma "A bestialidade humana sem limites"! Sobre você Em nenhum momento questionei a sua sexualidade, e sim, comentei que não sabia se o “comentarista” era homem ou mulher (questionando se vc tinha algo no meio das pernas), pois seu jeito de escrever possui traços femininos e eu fiquei em dúvida se a pessoa que se mantém no anonimato era “homem ou mulher”. Continua...

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