Sistema de cotas é reflexo das deficiências da educação

24/02/2006 12:54Luciene_DeNegrirUERJ (Outros)Faço parte do Coletivo de Estudantes Neg@s da U...
Faço parte do Coletivo de Estudantes Neg@s da UERJ - DeNegrir, resultado e defensora incondicional das Ações Afirmativas e outras medidas que nos devolvam os rumos de uma vida em condições dignas. Em primeiro lugar, esta história de vamos atacar primeiro lá atrás, o início e depois mudar aqui na frente é discurso de quem está muito bem acomodado em seus privilégios, o que não é o caso da população negra, os rendimentos estaduias precisam ser repartidos, as universidades precisam deixar de encastelarem os privilégios de uma minoria branca que se organiza para reproduzir seus iguais. nós não temos problema algum com a palavra cotista e o principio da igualdade constitucional ainda não é real e se depender dos que insistem em não saber quem é negro no Brasil quando lhe cabe e cai bem, está muito bem. dizer que vestibular avalia intelig6encia é no minimo uma ação criminosa, pois eu fui professora de pré-comunitário por 4 anos e o que ensinei foi a passar na loteria do vestibular, não sejamos inocentes, ou de pura má fé, que parece ser o termo mais adequado aqu. Agora que esta palavra, cotista-cotista-cotista nos introduz, vamos lutar pelo bolo que nos cabe nesta festa, obrigada. Vale lembrar, se é que é possível esquecer, que os cotistas brancos salvaguardados históricamente estão muito bem e, o que em contrapartida nos coloca, negros em uma outra cota , a de excluídos politicamente, socialmente e civicamente. Concorer em grau de igualdade, significa dar a todos os participantes o mesmo patamar para buscarem, isso não acontece, os dados estão aí, mas parece que pautar as argumentações em fatos não é um critério dos contrários. Citar Leis e artigos que falam em igualdade não fazem esta acontecer, portanto a artigo peca em ignorar a realidade e isso é espantoso, e se é para citar lei, porque não falamos da necessidade da Lei Federal 10.639/2003??? Alguém se habilita, o Sr. Paulo Sergio Nied poderia escrever um artigo sobre ela, gostaria muito de ler, aguardo, ou melhor, aguardamos o referido. O acesso à universidade não está sendo facilitado, fazemos a mesma prova, o que mudou e vai continuar mudando é a divisão deste acesso, as universidades que adotaram cotas até agora demonstram explicitamente que a população negra não estava lá, o estudante de escola pública do bolão não estava lá - Este fato tem o que de igualdade? Art. 5º, sei!. Quanto ao discurso da mestiçagemm, Freire e companhia agradecem, pois o que repetem isto por aí sem consciência, baseado num senso comum racista só fortalecem as poíticas eugênicas da época, trabalhados também e muito em universidades de Direito (Ler Espetáculo das Raças - Schwarcz) A Educação da população negra é um problema da sociedade brasileira e quem se vê como uma pessoa alheia a isso, fora dela, está sentada em algum montes de privilégios, João Cândido,o Almirante Negro excluído da Marinha até hoje é um exemplo do racismo dentro do histórico das forças armadas que deveriam servir a população, negra também, será que um dia a Marinha reconhecerá a sua falta com o Almirante Negro?, se precisa de Lei para isto, a instituição é racialmente branca. A pequena população negra que passa pelo crivo das desilguadades até a universidade não terá vergonha de estar la, vergonha devem ter aqueles que estão lá ocupando espaço de fortalecimento de seus preconceitos e racismos. Se os investimentos que deveriam ser feitos para uma sociedade de igualdade de direitos para brancos e negros não acontece é porque as mãos prioritariamente neles não o querem, então as nossas mãos negras é que terão que cair em cima destes investimentos e redividi-los. Favores discriminatórios são as denúncias de nepotismo branco sobre o dinheiro público todos os dias. Os dados sobre o mercado de trabalho mostram que mesmo com qualificação o negro é preterido em razão da cor, então as cotas não mudaram as cabeças racistas do mercado, mas a denunciarão com muito mais força, os bancos que o digam ultimamente. Nunca houve harmonia, o que existia é um grupo inserido e dententor dos meiosde denúncia e outro calado na força, hoje temos mais espaço, não por uma mudança de consciência, mas porque os profissionais negros estão lá exigindo a sua fala.Para fechar é válido lembrar que o negro pós-abolição não foi inserido e ainda não está, a Lei 10.639 prova isto, o Ministério Público com o programa Coordigualdade mostra isso, e muito mais. Sugiro que o dever de casa para falar em cotas comece a ser feito, até para falarem contra. Ps: A imigração branca está documentada em qualquer livro universitário como uma política eugênica de branqueamento da população, favor ler censos e livros que relatam a época, lembrando também que os asiáticos só foram aceitos no final desta política e os negos africanos livre eram excluídos, Ah, a política de distribuição de terras para imigrantes europeus foi cotas, algum destes cotistas está envergonhado? não e está muito bem, dizendo obrigado .
9/04/2005 07:57Luís da Velosa (Advogado Autônomo)Esse caso de sistema de cotas, além de demagógi...
Esse caso de sistema de cotas, além de demagógico é temerário, uma vez que pode lançar a semente de um tornado de racismo infundado (não há racismo, e sim, pobreza), mais do que já possuímos. O senador Paim, que é mulato, mestiço, precisou de alguma cota? Ademais não há negros no país. O Brasil é mestiço e pobre. O negro não compete com o esbranquiçado misturado porque, às vezes, é muito menos suficiênte. Qual é branco que tem na Bahia? Aqui todos são mestiços e a maioria é paupérrima. Agora, se fizessem um programa para a pobreza ter acesso ao estudo, dessa maluquice de cota não se cogitaria. A moda é cota. Pelé nunca foi discriminado, nem Romário, nem...
6/04/2005 01:22Plinio Gustavo Prado Garcia (Advogado Sócio de Escritório - Tributária)O discrimen adotado na lei de cotas fere o prin...
O discrimen adotado na lei de cotas fere o princípio constitucional da razoabilidade, do devido processo legal e da igualdade, que, neste caso, se mede com base no critério da igualdade de conhecimentos dos candidatos que, por meio de exame vestibular, disputarão as vagas disponíveis nas universidades. Raça, cor, sexo, origem, nacionalidade são critérios espúrios e constitucionalmente inválidos para que possam vedar o ingresso à universidade de quem simplemente ali seria admitido pelo critério objetivo de medição de seu conhecimento. Tal como a mediocridade deve dar lugar à excelência, os mais preparados devem merecer o prêmio de seu esforço, estudo e preparo. Que seja, pois, melhorado o ensino fundamental e o ensino médio nas escolas públicas, como já antes o fora. É a opinião de quem se orgulha de ter cursado um colégio estadual (de 1955 a 1957) e que, dali saindo, foi aprovado em vestibular da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, em 1958, formando-se em 1962, sem jamais ter sido reprovado. Isso numa época em que as provas do vestibular eram escritas e também orais, incluindo latim, inglês ou francês, entre outras tantas matérias. www.pradogarcia.com.br
4/04/2005 20:48Rodrigo Martins (Advogado Assalariado)Prezado Colega Ronaldo dos Santos Costa, Em ...
Prezado Colega Ronaldo dos Santos Costa, Em que pese sua defesa de opinião, por sinal, muito bem explanada, vale lembra-lo que as universidades avaliam (salvo algumas) a inteligência do vestibulando e que me conste a inteligência não ter "cor". Com a Lei de Cotas, ai sim esta havendo uma discriminação de pessoas que apesar de estarem acima "intelectualmente" de pessoas negras, não conseguem aprovação. A Lei de Cotas deve perdurar? Não sei, só sei que esta sendo mal interpretada ou digamos mal "dirigida". É isso !
4/04/2005 14:53Ronaldo dos Santos Costa (Advogado Sócio de Escritório)Discordo totalmente do artigo. Em primeiro luga...
Discordo totalmente do artigo. Em primeiro lugar, o fato de a Constituição Federal garantir o acesso aos níveis mais elevados de ensino “segundo a capacidade de cada um” (art. 208, inc. V ), não afasta, em absoluto, a possibilidade de instituição de cotas, pois é exatamente isso que se busca com tal medida, ou seja, equiparar indivíduos com a mesma capacidade, para que possam concorrer em grau de igualdade a uma vaga no ensino superior. Há ressaltar que existem índices mínimos que devem ser obtidos pelos cotistas para que possam concorrer a uma das vagas reservadas. Tanto que várias vagas não foram preenchidas, pois os candidatos não lograram score mínimo. Portanto, a capacidade intelectual de todos os aprovados no certame acaba por se assemelhar, ocorrendo, entretanto, um abrandamento nas notas exigidas dos cotistas, partindo-se do pressuposto de que não tiveram eles as mesmas possibilidades e oportunidades para exercitar suas respecivas "capacidades intelectuais". Em segundo lugar, a ausência de lei (em sentido estrito) em nada viola o princípio da legalidade, pois a própria Constituiação Federal apregoa o princípio da "autonomia universitária", autorizando as instituições a eleger os critérios de seleção. Em terceiro lugar, insta esclarecer que o sistema adotado pela UFPR não favorece afrodescendentes, mas sim NEGROS E PARDOS, o que considero muito correto, já que no Brasil o preconceito é referente à cor da pele não à origem racial ou étnica. Em quarto lugar, o autor muito bem define o princípio da isonomia quando diz "que assegura tratamento igual a todos, naquilo que sejam iguais (art 5º, caput, da CF)". É exatamente aí que, no meu modesto entendimento, incorre em erro, pois os negros, em quase sua totalidade, não estão em pé de igualdade com as pessoas de cor de pele diversa, pois o preconceito em nosso país é em relação aos negros e pardos (eufemismo para denominar negro), e não contra judeus, amarelos, vermelhos etc. Em quinto lugar, não me parece ser um mero paliativo a medida tomada pela UFPR, pois também de nada adiantaria investir pesadamente em ensinos básico, fundamental e médio, sem qualquer interferência no ensino superior, eis que somente em 11 (onze) anos teríamos os primeiros frutos das medidas tomadas. Faz-se necessário, destarte, investir na base e também no topo. Falta, agora, o investimento na base, pois o sistema de cotas deve perdurar.

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