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Todos contra um

PF e servidores federais se unem contra o governo

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A Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais) anunciou acordos de integração com outros sindicatos de servidores federais. A intenção é criar uma força política capaz de ceifar a vasta articulação política "do governo Lula no Executivo e Judiciário, que é muito grande", segundo o presidente da entidade, Francisco Carlos Garisto.

A Fenapef fez uma greve de quase 60 dias este ano. E, mesmo tendo os federais recebido 17% de aumento na semana passada, a categoria considera que as relações sindicais com o governo petista são as piores possíveis. "No governo FHC era menos pior", dispara Garisto -- ex-segurança do Papa João Paulo Segundo, de dois presidentes dos EUA e do Príncipe Charles.

Garisto contou que, na semana passada, durante o 10º Congresso da PF, em Brasília, muito se debateu sobre a greve. "O assunto da greve foi um dos principais, mas não como uma volta dela. Esse congresso, de nível nacional, realizado em Brasília, era para discutir o sistema grevista na Polícia Federal e a relação com o governo federal. Vamos adotar uma nova relação política com o governo porque nós entendemos que esse governo está tratando o servidor público de uma maneira diferente de como ele pregava anteriormente. Temos que nos adaptar porque o sistema de greve convencional não está adiantando", ressaltou.

Garisto informou: "Uma das resoluções que tomamos é que devemos nos unir com as demais categorias, como da Receita Federal, a Fenajufe, a Unacom e demais entidades nacionais que têm os mesmos problemas da Polícia Federal. Essas greves isoladas, longas, com o governo tendo uma grande tendência sobre a Justiça, sobre o Congresso Nacional, fica muito difícil que tenhamos delas um resultado positivo".

Garisto diz que a categoria está desencantada com o PT. "Achamos que com o governo do PT as portas seriam abertas aos sindicalistas, já que o presidente e 70% de seus ministros são oriundos do movimento sindical. Mas foi uma grande ilusão nossa. Não adianta darmos murro em ponta de faca. O presidente tem força no Judiciário, no Executivo. Vamos mudar de tática. Do jeito que está a coisa está muito complicada. Muitas coisas pioraram. No governo FHC nunca existiu a relação sindical. O presidente sempre nos ajudou nessa relação de confronto com o FHC. E hoje ele faz esse mesmo confronto muito mais feroz do que FHC fazia conosco. Juntos faremos um embate político-sindical com o governo com mais força que temos hoje", analisou.

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 23 de setembro de 2004, 9h40

Comentários de leitores

1 comentário

Parabenizo o Sr. Francisco Carlos Garisto pela ...

Marmo (Advogado Sócio de Escritório - Administrativa)

Parabenizo o Sr. Francisco Carlos Garisto pela verdade objetiva que exprime em suas palavras enfocando a questão do sindicalismo dos servidores públicos no Brasil. Penso, que a questão é a seguinte: já foi o tempo em que o funcionário público gozava de incomum "status", de sorte, que se criou uma cultura de que o mesmo não estava dentro da parcela daqueles que promovem a riquesa deste país chamados "trabalhadores" O termo "trabalhador" chegou a ter até conotação pejorativa nos tempos em que um metalúrgico suado e barbudo enfrentava os poderosos para defender os direitos dos "companheiros" "trabalhadores". Funcionário, portanto, não era "trabalhador", mas algo superior a isso. Foi preciso que o tempo passasse para verificarmos que hoje, o "trabalhador" é uma camada de profissionais que tem seus direitos reconhecidos, defendidos e exigidos por greves severas enquanto que o "funcionário", hoje, sem "status", sem direitos e sem esperança vê afundando a sua dignidade num oceano de incompreensões do maior patrão, o Estado. Acho oportuno, que esse notável presidente de entidade sindical, levante em todos os quatro cantos do país a discussão do verdadeiro papel do servidor público, seus direitos mínimos como trabalhador (agora sem aspas) o respeito aos seus sindicatos e direito de greve. Tive a oportunidade, a pedido de meu sindicato, (UDEMO - Sindicato de Especialistas de Educação - SP) de escrever um projeto de regulamentação do direito de greve dos servidores públicos, encaminhado através da deputada Luiza Erundina, que foi APROVADO nas comissões, porém, permanece sendo encoberto por poeira em alguma prateleira do Congresso e enquanto isso, a falta de regulamentação, acaba beneficiando o governo que não tem nenhuma obrigação de dar o devido respeito aos sindicatos de servidores e ficou livre de ter que cumprir dissídios coletivos (direito atualmente só do trabalhador das empresas privadas) podendo, como faz, massacrar categorias de servidores públicos que ousaram aderir à greve, (a greve é ilegal segundo o ponto de vista do Governo) sem levar em conta que há mais de 10 anos o Supremo Tribunal Federal declarou o Presidente da República e o Congresso Nacional em mora, no dever e compromisso constitucional de regulamentar o direito de greve. Assim vamos indo, companheiros, sacolejando nesse campo minado de contradições e injustiças, vendo, que no Brasil, por ser tão grande a influência do Executivo nos demais poderes, nossas instituições não funcionam mais.

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