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Conquista diária

Conquistar e manter reputação jurídica deve ser o lema dos escritórios

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Quando se fala em “reputação” no meio jurídico, vem logo à mente a figura daquele advogado cuja prática demonstra, além do seu talento e capacidade técnica, os valores morais e éticos. Isso fica evidente ao se observar a forma pela qual o profissional se relaciona com os demais (clientes, outros advogados, juízes, atendentes de cartórios e varas, etc.). Alguns valores desejáveis: o respeito mútuo, a confiança, a simpatia, a lealdade, a paciência, a tolerância. E alguns comprometedores do bom desempenho: a impulsividade, a suscetibilidade, a aspereza, a arrogância.

No entanto, para conquistar um nome de respeito no mercado jurídico, é preciso uma reputação consistente que propicie a fidelidade dos clientes e a conseqüente segurança financeira almejada. Essa reputação consistente é a marca jurídica, o principal componente da imagem do advogado ou da sociedade de advogados.

A marca jurídica é capaz de tornar tangíveis para o cliente as idéias, os valores, a filosofia e os objetivos de um determinado profissional ou organização jurídica, reunindo e representando suas características. Ao compreender a necessidade de trabalhar constantemente a imagem nas várias esferas de atuação é que algumas bancas ou profissionais destacam-se mais do que outros. Não é sorte e nem acaso. É muito estudo, senso de oportunidade, trabalho duro e obsessivo.

As marcas jurídicas que capturam o significado essencial de sua categoria – e que comunicam essa mensagem de maneira sutil, ética e refinada – dominam o mercado. Posto isso, é necessário lembrar que a reputação jurídica nasce principalmente na produção intelectual, ousada, sistemática e persistente.

A imagem é uma referência que o cliente possui para tomar uma decisão que possibilite a escolha do profissional ou escritório que lhe forneça o serviço jurídico e é obviamente mais fácil fazer negócios com quem se conhece, ainda mais quando o serviço é a advocacia. Por conta disso é que o chamado “boca-a-boca” que funcionou tão bem por tantos anos seguidos, mas que agora, por conta dos inúmeros fatores como concorrência excessiva, globalização, saltos tecnológicos e mudança comportamental do cliente, coloca a sua eficiência a prova.

Em outros tempos, trabalhar apenas com a idéia que parcas indicações seriam suficientes para trazer clientes é uma armadilha que somente se tornará visível em longo prazo. Mesmo as grandes bancas, com o nome já solidificado e com a marca estabelecida, estão em constante e forte movimento para não perder espaço na mente de seus clientes, ativos ou potenciais.

Assim sendo, o marketing jurídico procura estabelecer parâmetros organizados e refletidos para que o boca-a-boca de um escritório tenha uma dimensão maior e mais diferenciada que o da concorrência. Ele não cria a reputação jurídica, mas auxilia de forma poderosa a sua solidificação no meio acadêmico, jurídico, social e empresarial.

Dicas práticas para fortalecer a reputação jurídica

1 – Ser obsessivo na tangibilização do conhecimento para o mercado;

2 – Buscar uma produção sistemática e periódica na publicação de artigos via assessoria de Imprensa;

3 – Criar uma cultura da inovação para lidar com as mudanças constantes;

4 – Desenvolver eventos dirigidos para o público que julga ser o seu;

5 – Ao fazer graduação ou pós-graduação, tudo o que escrever já imagina para o mercado de publicação, para não desperdiçar o seu talento;

6 – Eleger como lema: publicar ou perecer.

Há que se ter em mente que a construção de uma marca jurídica não é simplesmente um folder, alguns artigos publicados, a participação em eventos e outras formas de comunicação, tampouco somente a competência técnica e os títulos acadêmicos, nem ainda apenas os valores morais e éticos de um profissional, mas o conjunto dessas variáveis.

Pela exposição dos resultados, e a persistência do profissional as barreiras começam a cair e a projeção sobre determinado nome passa a ter relevância no mercado.

Fazer marketing jurídico sem um sistema de planejamento (metas e objetivos) seria como os antigos navegadores, em mares traiçoeiros, tentando encontrar porto seguro em uma noite de estrelas.

O que eles precisavam era de uma bússola permanente e confiável – um ponto fixo que iluminasse tanto o lugar onde estavam quanto o lugar aonde tinham de ir.

O fortalecimento da imagem do advogado permite uma amplitude maior de possibilidades para atrair novos clientes, o respeito dos colegas e, conseqüentemente, a tão almejada reputação.

A construção de uma marca pessoal duradoura pode e deve ser entendida com um projeto de longa duração. As experiências e desejos, a essência do talento que lhe anima a alma e o senso de oportunidade são combinações que levam ao sucesso. Muitos ainda sentem-se presos a velhas práticas, vivem apenas o presente e os sonhos são inexplicavelmente substituídos pela tragédia do dia-a-dia. Reprograme seus sonhos, altere as perspectivas e mude enquanto há tempo.

Faça essa pequena tabela para um planejamento pessoal:

Ano (pelo menos cinco anos para a frente)

Quais as suas metas?

O que necessita para cumpri-las?

Quais os resultados esperados?

Qual o seu sonho?

Conquistar e manter a reputação são os maiores e mais valorosos objetivos a serem atingidos, por isso, mantenha este foco no exercício da advocacia com disciplina e obstinação. Apenas os visionários com instinto direcionado ao futuro irão conseguir diferenciar-se. Cuidado com o mundo dos iguais. Muito cuidado.

 é advogada, consultora de Serviços Jurídicos, sócia da Selem, Bertozzi & Consultores Associados, mestre em Administração de Empresas (Executive MBA) pela Baldwin-Wallace College (Berea, OH, EUA), especialista em Gestão de Serviços Jurídicos pela FGV-EDESP (São Paulo), autora do livro Estratégia na Advocacia, Juruá Editora, 2003.

 é sócio da Selem, Bertozzi & Consultores Associados, MBA em marketing e administrador especializado em escritórios de advocacia. Autor dos livros Marketing Jurídico Essencial, A Reinvenção da Advocacia, entre outros.

Revista Consultor Jurídico, 21 de setembro de 2004, 10h37

Comentários de leitores

1 comentário

Tanto o texto como suas principais dicas se ref...

Flávio Viana barbosa (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Tanto o texto como suas principais dicas se referem apenas aos grandes escritórios, moldados na forma desenvolvida nos Estados Unidos, verdadeira empresa padrão, de produção em série, mas não se aplica ao jovem advogado e ao profissional liberal. Não há qualquer possibilidade de um profissional liberal de pequeno e médio porte manter uma assessoria de imprensa! Uma vez que ele sequer consegue manter em dia seus compromissos de custeio de seu escritório profissional! Indago aos Srs. "especialistas": Como destacar-se na advocacia, sendo um jovem advogado, formado em 1999, se tanto a OAB como a Imprensa nacional teima em jogarmos aos leões, uma vez que a forma com que se discuti o momento e o futuro do ensino jurídico no Brasil aponta cada vez mais para a generalização do negro quadro de sua qualidade? É verdade que o ensino jurídico no país é no mínimo abaixo da crítica, no entanto, a simples cantinela que se faz a respeito, sem uma única providência real, tem nos colocado na berlinda, eis que o jovem advogado, apenas pelo fato de ser jovem, já é taxado de incompetente! Mesmo nas atuais condições de ensino, jovens profissionais formados em Insituições sérias, tem condição de desenvolverem um excelente trabalho à sociedade! Quando estes advogados poderam, finalmente, obter o tão almejado lugar ao sol no mercado de trabalho? Que atitudes a OAB, a AASP e o MEC podem tomar para resguardar os possíveis expoentes da nova geração de advogados e juristas nacionais, ofuscados pelo excesso de profissionais no mercado e pelo preconceito que ronda nossas bancas profissionais? Ou será que só nos resta mendingar uam vaga nessas multinacionais do Direito? Se alguém tem as respostas, que faça o favor de pronunciar-se a respeito!

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