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27 outubro 2004
Operação Chacal
PF invade sede da Kroll durante Operação Chacal
Três meses depois de ler na Folha de S.Paulo que foi espionado por uma empresa privada, o governo Lula resolveu reagir. Nesta quarta-feira (27/10), a Polícia Federal invadiu a sede da Kroll Associates, especializada em investigações, em São Paulo, na rua Gomes de Carvalho, 1.511.
A ação faz parte da Operação Chacal, iniciada pela Polícia Federal e que acontece simultaneamente em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Distrito Federal. Somente em São Paulo, seriam 16 mandados de busca e apreensão que devem ser cumpridos até o fim do dia. Os mandados foram concedidos pelo juiz Luiz Renato Pacheco Chaves de Oliveira, da 5ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo.
Outros endereços visitados são a sede do Grupo Opportunity, no Rio de Janeiro, e a casa da presidente da Brasil Telecom, Carla Cico, em Brasília. A operadora foi quem contratou a Kroll para investigar uma de suas acionistas, a Telecom Italia. A encomenda do serviço teria sido motivada pela suspeita de que a multinacional italiana teria lesado a BrT em cerca de 250 milhões de dólares.
O problema é que as investigações acabaram tropeçando em conexões aparentemente inesperadas: o ministro Luiz Gushiken e o presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb. A bisbilhotagem constatou que o empresário Luís Roberto Demarco, inimigo figadal de Daniel Dantas (cabeça do Opportunity, que controla a Brasil Telecom), trocou mensagens com Gushiken (antes de sua chegada ao poder), em manobras contra Dantas. Em relação a Casseb constatou-se que o dirigente do BB manteve encontros secretos com o comando da Telecom Italia. Casseb foi quem articulou a instalação da TI no Brasil.
Em São Paulo e no Rio de Janeiro são 80 os agentes, delegados e escrivães da PF incum,bidos de cumprir os mandados. Em Brasília, são 10 homens e no Paraná, a mesma quantidade. Na capital paulista, a ordem foi concedida pela 5ª Vara Criminal da Justiça Federal.
A Agência Brasileira de Inteligência, a Abin, e a Polícia Federal vêm investigando a Kroll e já produziram 80 arquivos de informações sobre a espionagem. De acordo com os arquivos, empresa Armour, de Londrina. ajudou a Kroll a espionar o governo e empresas. A participação da Armour, autora de grande parte dos relatórios da Kroll, custou-lhe a invasão nesta quarta.
Veja a nota divulgada pela Kroll
A Kroll Brasil, conforme enfatizado anteriormente durante o episódio Brasil Telecom, está à disposição das autoridades para esclarecer que suas investigações foram conduzidas legalmente, com a análise de documentos públicos, entrevistas e conversas informais. Em momento algum se utilizou de qualquer prática que desrespeitasse a legislação brasileira, tais como: grampos telefônicos ou quebra de sigilo eletrônico.
A empresa também reitera que, em momento algum, investigou qualquer agente do governo brasileiro. A investigação conduzida limitava-se única e exclusivamente a uma disputa entre duas empresas, sendo elas a Telecom Brasil e a Telecom Itália.
Na mais absoluta certeza de que este episódio está próximo de seu pleno esclarecimento --após a análise formal dos nossos documentos-- a Kroll enfatiza aos seus clientes e colaboradores que sua forma de atuação, correta e legal, será sempre mantida de acordo com a legislação dos 60 países onde tem atuado e construído uma respeitada reputação há três décadas.
Atenciosamente,
Kroll Associates
Claudio Julio Tognolli é repórter especial da revista Consultor Jurídico
Revista Consultor Jurídico, 27 de outubro de 2004
Arquivo
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Quem assistiu o programa Fantástico no domingo ...
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