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Circo vicioso

Duda Mendonça é preso em rinha de galo no Rio de Janeiro

O publicitário Duda Mendonça, que cuidou da campanha vencedora de Lula à Presidência da República e que deveria estar em São Paulo gerenciando o marketing eleitoral da candidata Marta Suplicy foi preso na noite desta quinta-feira (22/10), no Rio de Janeiro.

Duda Mendonça e mais de duzentas pessoas participavam de campeonato de briga de galo, modalidade de jogo de apostas proibida no país. As prisões, em flagrante, foram feitas pela Delegacia de Meio Ambiente da Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro.

O publicitário é um dos maiores criadores de galos de briga do país. No meio, ele é conhecido pelo apelido de Sansão.

Presença certa em todos os campeonatos do país, Duda é tão considerado que, durante a campanha de Lula à Presidência, o campeonato nacional foi adiado para que ele pudesse participar da disputa com suas aves.

Os participantes chegam a apostar quantias que vão de 500 a 1.000 reais, cada vez que seus galos entram na rinha. Quem não é proprietário pode empatar cerca de 100 reais em cada luta. A competição chega a durar uma semana e os prêmios principais podem ser carros ou motos.

Segundo publicou a revista Época, Duda é um dos mentores do Clube do Galo da Bahia, que aglutina cerca de 400 associados. Em Salvador, há uma lei municipal, que permite as rinhas "em nome do folclore nacional", a exemplo do que acontecia com a Farra do Boi, em Santa Catarina -- hoje na ilegalidade.

Com base nas leis de proteção aos animais, o Ministério Público estadual tentou várias vezes barrar os torneios. Mas, na Justiça, os criadores sempre garantiam a organização do concurso. Para se livrar da má-reputação, os aficionados do “esporte” passaram a usar protetores de plástico nas patas e nos bicos dos galos. A rinha tem um único "round", com tempo de duração preestabelecido, mas podem acontecer nocautes, se o galo ficar muito abatido, ou desclassificações, caso o animal dê as costas para o adversário. Ao final da luta, os feridos vão para a "UTI" - uma caixa de papelão onde são colocados para descansar. O Clube do Galo estima que no Brasil exista 1 milhão de adeptos da prática que Machado de Assis apelidou de "Jockey Club dos pobres". Hoje, no entanto, com os valores das apostas e os custos da criação, há cada vez menos pobres na modalidade.

O Supremo Tribunal Federal já decidiu que os estados não podem legislar sobre brigas de galo. Na ocasião, os ministros consideraram inconstitucional a Lei 2.895, de 20.03.98, do Rio de Janeiro.

Leia a ementa do julgamento no STF

EMENTA: CONSTITUCIONAL. MEIO-AMBIENTE. ANIMAIS: PROTEÇÃO: CRUELDADE. "BRIGA DE GALOS". I. - A Lei 2.895, de 20.03.98, do Estado do Rio de Janeiro, ao autorizar e disciplinar a realização de competições entre "galos combatentes", autoriza e disciplina a submissão desses animais a tratamento cruel, o que a Constituição Federal não permite: C.F., art. 225, § 1º, VII. II. - Cautelar deferida, suspendendo-se a eficácia da Lei 2.895, de 20.03.98, do Estado do Rio de Janeiro.

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Revista Consultor Jurídico, 21 de outubro de 2004, 23:18

Comentários de leitores

20 comentários

Entendo que este assunto deve ser tratado com c...

Audalio Novaes farias Neto ()

Entendo que este assunto deve ser tratado com carinho. Pois, o esporte que envolve a competição do galo de briga, não é um fenônimo recente. e principalmente no nosso país, desde os tempos da antiga Grécia já se praticava este esporte, ou seja, há muitos e muitos anos os antigos filosófos como Socrates, Aristoteles entre outros. Já criavam estes animais e exerciam a prática deste esporte, no nosso país aproximadamente cria-se desde 1850, então diante do exposto venho postular que este caso que ocoreu com o Duda, nada mais teve do que enterrese político, porque estão tratando o Duda e os outros criadores como Bandidos. A nossa Justiça deveria no lugar de perssegir pessoas que dão condições a outras de trabalharem e de exercer a sua vida de ser humano com dignidade, tentar se preocupar em tirar das ruas as nossas crianças que andam nas ruas consumindo drogas, tentar evitar o trafico descontrolado que esta acontecendo em todo o país e principalmente nas grandes cidades.... Diante de to todo o exposto, venho requerer dos senhores estudiosos do direito que não hajam por emoção e que ao discutirmos este assunto releve em conta a historia deste esporte e as pessoas envolvidas que" não são bandidos", por fim estou concluindo que os galos de briga não pertecem a nossa Fauna e Flora Brasileira e não é proibida a sua criação, apenas o que se disculte e de seu extinto para a briga. neste último ponto quero salientar que na antiguidade quando acontencia os combates era sobre qualquer aves, hoje existe regras que eles só vam para o combate se caso os adversario tenha o mesmo peso e altura. Por faço um desafiu aos senhores, para que peguem duas ou mais aves combatentes e as coloquem pero uma das outras para verificar se elas precisam de provocação para começarem o combatente, ou ainda se eles iram apenas ficarem se olhando. Desde de já agradeço, e peço a todos vcs que antes de qualquer julmento analize a historia e o que existe de benefico neste esporte, e não simplismente oferecer críticas disconstrutivas.

É um absurdo discutir tal assunto uma vez que n...

André Henrique Martins Pedro ()

É um absurdo discutir tal assunto uma vez que não há uma justificativa racional para a permição de tal crueldade. Desta forma qualquer tentativa de justificativa deve ser entendida como da mesma forma que um alcoolatra diz não ter dependencia de bebidas.

Concordo com o Dr. João Paulo Vaz (Empresarial/...

Manuel Sabino (Bacharel - Administrativa)

Concordo com o Dr. João Paulo Vaz (Empresarial/Diversos - Advogado — Guarujá, SP) — 22/10/04 · 17:26, que postou: "Acredito não ser o caso de tanta surpresa. Cometeu-se um ilícito criminal, deve-se pagar por ele, dentro dos limites da lei e com a amplitude de defesa e contraditório constitucionalmente garantidos. Pouco importa se o indiciado foi marqueteiro do Sr. Lula, bem como se isso é é perseguição política ou não. Houve o flagrante, haverá o inquérito. A maturidade jurídica só se alcaça com o uso da razão. Eventuais posicionamentos políticos fogem da discussão legal, atrapalhando a isenção necessária para o juízo da conduta alheia". O Sr. Duda foi pego em flagrante, em um campeonato nacional de rinha de galo, no Rio de Janeiro. A tese de perseguição política é ridícula, com todo respeito, pois implicaria em dizer que a campanha de José Serra para a prefeitura de São Paulo é capaz de controlar, de uma tacada só, a polícia do Rio de Janeiro e o calendário do campeonato nacional de briga de galo. Vale lembrar que o Sr. Duda não é candidato, é marketeiro. Ademais, ele não é simplesmente um "esportista", ele é o maior criador de galo para birga do país e membro fundador de uma associação destinada a promover o "esporte" (apologia ao crime e formação de quadrilha). Por fim, quem acha que promover briga de galo é um crime muito tolo para ser combatido pela polícia carece da devida consciência ecológica e está com a mentalidade mais atrasada que a lei (no Brasil, isto é espantoso). Olhovivo, o sr. é um filósofo.

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