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Prova de fogo

Prova de estágio em escritórios de SP é quase um vestibular

O caderno Sinapse do jornal Folha de S. Paulo, desta terça-feira (25/5), trouxe uma reportagem sobre como funciona a seleção para estagiário em escritórios de advocacia de São Paulo. Processo que, segundo o jornal, pode ser tão concorrido e elaborado quanto o vestibular para ingressar nas melhores faculdades de Direito.

No Demarest e Almeida, por exemplo, 120 candidatos “enfrentaram uma bateria de testes” no último exame de admissão promovido pelo escritório, no início de março deste ano. No Pinheiro Neto, dos cerca de 1.500 alunos que enviam currículo todos os anos, 10% são chamados para o teste escrito e apenas 3% são selecionados para a fase de entrevistas da seleção.

Um dos determinantes para o sucesso na busca de uma vaga nos grandes escritórios está na faculdade de Direito cursada pelo estudante. As exceções existem, mas grupos como o Lilla, Huck, Malheiros, Otranto, Ribeiro, Camargo e Messina Advogados só analisam currículos de alunos da USP, PUC e Mackenzie. O Pinheiro Neto vai ainda mais longe: lá, o processo seletivo leva em consideração até o colégio onde foi cursado o ensino médio para certificar-se de que o estudante tem "uma formação cultural sólida”.

De fato, para obter sucesso na bateria de exames preparados pelos maiores escritórios, o futuro advogado deve ter uma boa bagagem de conhecimentos gerais. Segundo a reportagem, a seleção nos “grandes” inclui redação e provas de inglês, português, conhecimentos gerais, conhecimentos jurídicos e entrevistas com psicólogos e advogados da empresa.

O Tozzini, Freire, Teixeira e Silva, é um dos únicos escritórios em que as questões de português e inglês são eliminatórias e em que o candidato tem de fazer uma prova técnica, dissertativas, só com questões de Direito. A maioria dos escritórios está mais preocupada com a capacidade do estudante de escrever com propriedade e fluência, seja qual for o assunto. Na última seleção do Machado, Meyer, Sendacz e Opice, por exemplo, os estudantes tiveram de discorrer sobre os atentados em Madri e as chuvas na capital paulista.

O salário pago para estagiários pode chegar a R$ 1,4 mil mensais -- o mínimo é de R$ 700 -- além de benefícios e, em alguns casos, participação nos lucros. Segundo a reportagem, nos “gigantes” da advocacia o número de estagiários costuma chegar perto do de profissionais contratados.

No Demarest, há 300 advogados e 170 estagiários, no Tozzini, a proporção é de 326 para 215 e no Lilli, Huck, Malheiros, é de 56 para 55. Em todos eles, as chances de contratação e até de participação societária são sempre maiores que de profissionais formados vindos de estágios em outros escritórios.

Revista Consultor Jurídico, 25 de maio de 2004, 18h22

Comentários de leitores

4 comentários

Concordo em número, gênero e grau com o Dr. Fra...

Estevão Costa (Advogado Autônomo)

Concordo em número, gênero e grau com o Dr. Francisco Angeli Serra. Mas tenho algo a acrescentar: os "Grandes" escritórios que ainda selecionam seus profissionais apenas com a visão ultrapassada descrita na reportagem é que estão perdendo "Excelentes Profissonais". Quem, no mundo globalizado em que vivemos, onde os paradigmas estão em constante mutação, ainda seleciona profissionais como se selecionava no "longínquo" século XX, está precisando rever seus conceitos (sem paráfrase). Bill Gates (será que os responsáveis pela seleção de profissionais nestes escritórios conhecem a história dele, e sabem como é o método de trabalho na Microsoft?) não estudou em nenhuma escola "classe A", nem se formou em nunhuma "USP" para se tornar um homem bem sucedido. Inúmeros exemplos parecidos temos no mundo todo. Em suma: para ser um excelente profissional, não é necessário falar 200.000 idiomas, ter se formado com conceito "A" em todas as matérias, vir de boa linhagem, etc, etc, etc. Quem ainda pensa assim deve dar crédito aos malfadados testes de QI (os verdadeiros...). Paciência, não seleciona os melhores. Quem sabe, com o tempo, percebam isso...

Com o devido respeito ao colega Dr. Renato de L...

Francisco Angeli Serra (Advogado Autônomo - Consumidor)

Com o devido respeito ao colega Dr. Renato de Lima Junior. Discriminar têm o significado de: diferenciar, distinguir, separar, especificar..ou seja...em outras palavras: estabelecer diferenças. isonomia nada mais é do que o princípio constitucional de igualdade de todos perante a lei. O doutor termina seu brilhante comentário dizendo que não é discrimanação..é isonomia. Bom... a matéria da revista é apenas informativa (eu achei) e na minha modesta e humilde maneira de rever meus atos..eu não fiz nenhuma critica aos grandes escritórios de advocacia elencados na materia..quem sou eu para criticá-los??? Claro, obvio que qualquer escritorio, seja grande, médio ou pequeno pode e deve querer ter bons profissionais e estagiários que sejam...ou como diz: que, pelo menos, saibam conversar com seus clientes. O que eu critico sim...é essa discriminação barata e idiota de separar, de especificar..dizendo que quem estudou na escola A B ou C é bom e quem estudou na X, Y é ruim. Não só escritorios, como tambem empresas exigem formação universitária de quem terá acesso a informações e executará serviços básicos...ingles fluente de quem nunca precisará falar, ouvir ou escrever em inglês. Não é nada pessoal...de um jeito ou de outro...graças a Deus, minha familia e a eu mesmo...já me graduei, já me pós graduei em mais de uma área do conhecimento..isso não quer dizer e nem quero dizer que eu seja bom ou seja ruim..mas nunca precisei prestar conta a ninguem sobre se a faculdade que me graduei era tipo A B C ou Z. Repito...as pessoas precisam ser avaliadas pelo que são e por onde podem chegar e não por suas origens...temos o direito de conhecer sua origem mas não julgá-la ou avalia-la só por isso..sem dar nenhuma chance. O fundo disso é muito mais amplo. É a burguesia podre, fedida e atrasada...a mesma burguesia intelectual e econômica que dizia que o Lula não podia ser presidente porque era analfabeto e hoje para não repetir isso e cair no ridiculo inventa um enVIADO especial de um jornalzinho imperialista qualquer que tenta dizer que ele não pode ser presidente porque bebe pinga... É discrimançaõ sim..ou falta de condições de avaliar com competência. E...queria dizer mais....só que preciso almoçar.

A realidade do dia a dia de um escritório do po...

Renato de Lima Junior ()

A realidade do dia a dia de um escritório do porte dos mencionados na reportagem foge ao conhecimento da grande maioria dos advogados, limitados às questões colocadas em suas bancas. Conheço bem a realidade dos grandes escritórios e a natureza das questões que são tratadas. E, infelizmente, se a formação de seus quadros não for primorosa, simplesmente o profissional não irá dar conta dos desafios a ele lançado, gerando, no mínimo, um grande sentimento de frustração pessoal. Vejam, que não se trata de uma discriminação sórdida mas efetivamente identificar quem está preparado para determinada situação. A CLT tinha alguns dispositivos (que foram revogados) que falava sobre o trabalho portuário, quando se exigia um certo "atestado de robustez física" ao candidato a estivador. Se não fosse robusto, poderia até ser oriundo de uma família abastada, mas estava eliminado. Discriminação ? não, falta de prepararo para a função. Criar modelos de negócios, prestar uma assessoria jurídica de alto nível a uma demanda que igualmente é de alto nível tem de estar bem preparado. Se a escola pública não prepara alguém para isso, então o problema é estrutural e deve ser enfrentado por quem tem a responsabilidade de conduzir a solução desse problema. O que não se pode é criticar profissionais que se prepararam a vida toda para atender a um determinado tipo de cliente, o que lhes dá o direito, sim, de escolher bem os seus assessores, identificando nesses condições mínimas para que possam conversar com os seus clientes. Repito que isso não é discriminação, mas antes de tudo, isonomia.

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