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Lula afirma que não é alcoólatra em entrevista para a IstoÉ

Em entrevista ao diretor de redação da revista IstoÉ, Helio Campos Mello, na última quinta-feira (13/5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva explicou porque tomou a iniciativa de banir o jornalista americano do Brasil. Ele disse que não é alcoólatra. A revista IstoÉ chega às bancas neste final de semana.

O presidente afirmou que não expulsou o correspondente do The New York Times do país. Segundo Lula, ele apenas não teve seu visto de permanência prorrogado. Nesta sexta-feira (14/5), o governo voltou atrás depois que o jornalista disse que não teve intenção de ofendê-lo e pediu reconsideração do ato do Ministério da Justiça.

O presidente acusou Rother de atacar a instituição Presidência da República e não o cidadão Lula. De acordo com o presidente, a reportagem o deixou com fama mundial de bêbado. "Esse cidadão nunca esteve comigo, nunca viu o meu cotidiano. Não poderia passar para fora que o Brasil é governado por um alcoólatra... Quando eu chegar na África do Sul, em Angola, quando eu for falar com o xeque da Arábia Saudita, ele vai dizer: 'Pô, será que esse cara está bêbado? Ele é um alcoólatra'", disse.

Lula afirmou que não tomou nenhuma atitude precipitada. "Fiquei sabendo da matéria no sábado. Li, reli, reli mais uma vez e fiquei tentando saber o fundamento. Por que um cidadão faria uma matéria daquela? Ele poderia dizer que o governo é incompetente, que o governo não está conseguindo fazer nada. Poderia dizer que eu bebo. Que gosto de tomar uísque, de tomar uma cerveja, de fumar um charuto. É a pura verdade. Esse cidadão nunca esteve comigo, nunca viu o meu cotidiano." Ele disse que tomou a atitude com a "maior consciência".

Leia trecho da entrevista:

ISTOÉ – Então onde é que pegou?

Lula – Primeiro, eu não sou o Lula, sou o presidente da República. Que é uma instituição. Segundo, esse cidadão nunca esteve comigo, nunca viu o meu cotidiano. Não poderia passar para fora que o Brasil é governado por um alcoólatra. Eu duvido que qualquer companheiro tenha me visto bêbado alguma vez. Faço este desafio para a imprensa nacional. Ele poderia ter dito tudo o que quisesse: o presidente Lula vai nos coquetéis e bebe, vai nos almoços e toma um uísque. Poderia até me acompanhar marcando a quantidade que eu tomo. Tomou dois, tomou um, tomou um copo de vinho. Poderia até fazer um cálculo para o IBGE.

Mas não. Baseado em notícias de um tal de Mainardi, que eu não sei aonde fica, baseado numa figura como o Cláudio Humberto e baseado no Brizola – que deve ter muita experiência de alcoolismo mesmo –, ele afirma que o Brasil corre risco porque o presidente Lula é um bêbado e o povo está preocupado com isso. Esse é o problema. Nenhum político neste país já bebeu com o povo como eu bebi. E você lembra. Eu tomava meu aperitivo, e às vezes era na porta de fábrica. Nunca escondi de ninguém, nunca fingi, nunca impedi que tirassem uma fotografia minha.

Agora, veja a situação. Quando eu chegar na África do Sul, em Angola, quando eu for falar com o sheik da Arábia Saudita, ele vai dizer: “Pô, será que esse cara está bêbado? Ele é um alcoólatra.” Fiquei indefeso. O Brasil não é governado por um alcoólatra. Qual era o único instrumento que eu tinha? Bom, esse cidadão não tem direito de estar aqui, é uma concessão do Estado brasileiro permitir que ele fique aqui. Essa pessoa é uma persona non grata no Brasil. Está vencendo o contrato dele e não vamos renovar. O NYT que mande outro para cá. Fiz isto com a maior consciência, sabendo, inclusive, dos antecedentes deste cara.

Clique aqui para ler a entrevista

Revista Consultor Jurídico, 14 de maio de 2004, 20h47

Comentários de leitores

5 comentários

Senhor Presidente, Interessante essa afirmaç...

Marcos (Advogado Assalariado - Empresarial)

Senhor Presidente, Interessante essa afirmação de que "eu não sou o Lula, sou o presidente da República". Desculpe minha ignorância, mas não consigo entender... Quem é o Presidente deste país? Quem é o Lula? Quem é quem nesta estória? Quem é que fez promessas na campanha? Foi o Lula? Quem descumpriu as promessas? O Presidente? Quem atacava o FMI? Quem chorava quando falava da fome? Quem sustentava um salário mínimo digno? O Lula? O Presidente? Nossa, que confusão! Estranho, me pareceu que elegeram o tal Lula para Presidente, mas quem tomou posse não é aquele (ou é?)...Estranho, muito estranho. Afinal, como um cargo pode ser alcoólatra? Quem bebe? O Lula? O Presidente? E se o Senhor chegar na África do Sul e te perguntarem sobre a miséria, sobre a violência, desigualdades sociais, salário mínimo, Waldomiro, filas de aposentados, índios matando garimpeiros, invasões de terra, etc., como o Lula vai se sentir? E o Presidente, será que ele vai ficar indefeso? Será que alguém pode me explicar quem exerce o maldito cargo de Presidente desta República?????? (Ah, o Dirceu!!!) Bom, ainda não entendi nada! Mas entendo uma coisa, Sr. Lula, ou Sr. Presidente (ou sejá lá quem for aquele, da faixa), aperitivos na porta das fábricas é a maior causa dos acidentes de trabalho neste país (o que, aliás, um dos dois deve saber bem - ou o Lula ou o Presidente - já que ambos perderam um dedinho...)! E mais, para finalizar, chamar um jornalista de "cara" não é palavreado de Presidente, deve ter sido obra do Lula mesmo...

O NYT parodiou Galileo Galilei: "Mas que bebe, ...

Luiz Cláudio Guimarães ()

O NYT parodiou Galileo Galilei: "Mas que bebe, bebe...". Um insulto ineqüívoco. O caso do agente imperialista travestido de jornalista deve ser tratado por meio da ação penal própria pois sua conduta está tipificada na Lei de Imprensa como crime contra a honra. Além disso, para o bem do nosso País, é preciso que Lula demita a alta cúpula do Ministério da Justiça, cujos interesses na prática da advocacia privada foram colocados em plano superior às questões de estado. Que o Dr. Márcio, portanto, vá procurar outro encosto onde sua paralisia produza menos danos: saibam mais sobre sua ineficiente atuação, quando aplicou uma simples pena de suspensão num policial rodoviário federal que assassinou uma adolescente na Bahia com um tiro de pistola na nuca. E que Lula reveja seu comportamento público, agindo de fato como um estadista e não como um colega de copo de Zeca Pagodinho e de garfo do Zeca do PT ("O do vitelo"). O aconselhamento é claro: que ele fuja do "fogo amigo", afastando-se daqueles "amigos de fogo"! Sobre o cancelamento do visto (ou decisão de não renovação), ontem, ele justificava sua atitude: "Imaginem quando eu for tratar com um xeque árabe e ele ficar pensando que 'esse camarada deve estar bêbado'." Porém, alguns dias antes ele dizia: "Vou convidar tudo que é príncipe, xeque e jegue." (Vi e ouvi na TV). Parece mesmo que não faz questão em respeitar e ser respeitado.

NO MEIO DO CAMINHO HAVIA O JUDICIÁRIO. GRAÇAS A...

Marcelo Mazzei ()

NO MEIO DO CAMINHO HAVIA O JUDICIÁRIO. GRAÇAS A DEUS, POR ENQUANTO, AINDA HÁ O JUDICIÁRIO, E AS LEIS...NO MEIO DO CAMINHO... Não nos esqueçamos que, antes que esse desclassificado, ao qual, infelizmente, temos que nos referir de "nosso presidente", resolvesse retirar a tentativa de revogação do visto do repórter americano, o STJ já havia concedido liminar, suspendo os efeitos daquele ato arbitrário e ditatorial, o que já indicava um deslinde de mérito, ao final, contrário ao ato emanado do Executivo. Ainda temos na JUSTIÇA a única porta a bater contra os atentados constantes às leis, à segurança jurídica, à ordem pública, e, principalmente , aos direitos fundamentais expressos em nossa Constituição. Justiça essa que os governantes petistas tentam enfraquecer, dia a dia, com campanhas "contra privilégios",ou pela "reforma do Judiciário" e seu "controle externo" pois os ditadores mais facínoras não conseguem conviver com a existência de outros poderes, a muitas vezes atrapalhar seus planos. Querem e precisam do poder absoluto e totalitário. É hora de todos os brasileiros acordarem e vislumbrarem o que realmente está por trás dessa campanha descabida em face do Judiciário e de outras instituições, e a população entender, que a independência dos juízes, em seu sentido mais amplo, é o que assegura a nós, cidadãos, a proteção contra as constantes ilegalidades - a grande maioria, infelizmente, advinda do próprio Governo - que lotam nossos Juízos e Tribunais, as quais, em face de leis processuais retrógradas, tornam, por consequencia, a Justiça morosa, e, por vezes, ineficaz.

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