Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Primeira Leitura

Primeira Leitura: Genoino reavalia defesa do PT de mínimo de US$ 100

Silêncio calculado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quebrou o silêncio que, calculadamente, manteve durante quatro dias sobre o reajuste de R$ 20 do salário mínimo, para R$ 260. Lula foi aconselhado a não se pronunciar sobre o assunto — que desgasta o governo desde quinta-feira — até depois do 1º de Maio, o Dia do Trabalho.

Morre uma promessa

No programa de rádio quinzenal Café com o Presidente, Lula reconheceu que o reajuste do benefício é “pequeno” e usou o déficit da Previdência para justificar a decisão. Segundo o presidente, conceder um reajuste maior seria “total irresponsabilidade”.

Nasce outra promessa

Mesmo, na prática, sepultando a promessa de campanha de dobrar o salário mínimo em quatro anos — já não há mais tempo para isso — Lula fez outra promessa, só que imune a cobranças. Agora, o que ele anuncia é a intenção de “dar um jeito” de melhorar o mínimo, seja lá o que isso signifique.

Mais mea-culpa

Andam ficando cansativos os exercícios de mea-culpa do presidente do PT, José Genoino. Ontem, ele afirmou que o reajuste, para R$ 260, foi o “possível em razão da realidade econômica e financeira do país”. Diante das cobranças em relação à defesa intransigente que o PT fazia, quando era oposição, de um mínimo de US$ 100, Genoino não se constrangeu em dizer que o partido que preside deveria ter agido “com mais consistência” antes.

Tradução

Levada ao extremo, a desculpa de que o PT deveria, na oposição, ter agido “com mais consistência” pode ser usada para justificar qualquer mudança de posição em relação às propostas que levaram à vitória de Lula.

Congresso

Nenhum dos dois negou, no entanto, o desgaste que a medida impinge ao governo. Os aliados e a oposição sabem disso e vão pressionar por mudanças. Hoje, a bancada do PT na Câmara discute formas de propor um valor maior.

Blindagem

Para blindar o governo das pressões no Congresso, Lula convocou para quinta-feira uma reunião do Conselho Político, uma instância que reúne os presidentes dos partidos aliados e que não funciona desde a campanha.

Mudar sem mudar

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, saiu-se com uma frase de efeito para defender o crescimento da economia e, ao mesmo tempo, garantir que nada muda num dia em que o mercado deu novos sinais de estresse. “É claro que queremos, que temos o dever de crescer. Mas não há atalho. É preciso perseverar na direção correta”, disse. Enquanto isso, no mercado financeiro, havia nova rodada de desvalorização de Brasil: o risco do país se aproximou dos 700 pontos, o dólar quase encostou em R$ 3.

Assim falou... Luiz Inácio Lula da Silva

“É por isso que nós não podemos dar um salário mínimo que eu, particularmente, gostaria de dar e, tenho certeza, que o ministro Palocci gostaria de dar, que o ministro Dirceu... Dar um aumento que pudesse chegar a R$ 300. Agora, fazer isso sabendo que não tem dinheiro seria total irresponsabilidade nossa.” Do presidente da República.

O semeador de Garotinhos

O ministro José Dirceu esteve em São Paulo para um encontro que reuniu personalidades na casa do jornalista e escritor Fernando Morais, aquele que escreveu alguns best sellers, entre eles, A Ilha. Em 1976, durante a ditadura brasileira, Morais transformou um campo de concentração, Cuba, comandada por um tirano que manda jornalistas e escritores para a cadeia, num paraíso de resistência ideológica e acabou abrindo caminho para a fama.

Afrontava a nossa ditadura, que ensaiava os primeiros passos da abertura, fazendo a apologia de outra, que vivia o auge do seu vigor. Em tempo: se alguém ficou chateado com o que leu até aqui, o teste é simples: a ditadura que todos combatíamos à época permitia a publicação de livros como A Ilha.

Até hoje, a ilha de Fidel só permite a publicação de livros que não combatam a ditadura. Mas curiosa, mesmo, foi a avaliação que Dirceu fez sobre o futuro do Brasil. Ele disse que é mais fácil alguém como Garotinho suceder a Lula do que alguém do PSDB vir a ganhar a Presidência da República em 2006. Terão os presentes rido de satisfação, medo, sarcasmo? Seria, então, Lula um semeador de Garotinhos?

* A coluna é produzida pelo site Primeira Leitura – www.primeiraleitura.com.br

Revista Consultor Jurídico, 4 de maio de 2004, 12h23

Comentários de leitores

3 comentários

No programa "Café com Bobagem", DIGO, Café com ...

Ivan (Advogado Autônomo)

No programa "Café com Bobagem", DIGO, Café com o Presidente, Lula reconhece que o reajuste do benefício é “pequeno” e usa o déficit da Previdência para justificar sua pequenez (a do salário, lógico). Tal assertiva, em si, é coerente. Se é justa ou não, isto fica a critério de cada um. Mas o que não foi e nunca será COERENTE com esse novo salário são as promessas mendazes - dos tempos de oposição e de campanha eleitoral. Realmente, o Presidente acertou numa coisa: em ficar ESCONDIDO durante alguns dias...

Sobre o comentério deixado por João Paulo da Si...

Odinei W. Draeger (Juiz Estadual de 1ª. Instância)

Sobre o comentério deixado por João Paulo da Silva: a "deterioração" constatada pelo autor de "A Ilha" seria da mesma qualidade que a do arrependimento de José Saramago, que teve de esperar algumas décadas, e centenas de mortos, para, por conta de mais três execuções, "romper" com o regime de Havana? Ora essa, Cuba começou a deteriorar no exato momento em que houve a Revolução, e o autor d'A Ilha poderia ter constatado isso bem antes. Da mesma forma como Saramago, que não deveria ter ignorado por tanto tempo o sangue inocente lá derramado. Por fim, exigir que se leia por uma vez qualquer material de apologia à Revolução Cubana é imoral, mas aceitável para fins informativos, já pedir que se repita esse esforço é demais para qualquer pessoa.

Se o autor da coluna primeira leitura se desse ...

João Paulo da Silva (Estudante de Direito)

Se o autor da coluna primeira leitura se desse ao trabalho de ler os livros sobre os quais comenta, teria a oportunidade de constatar que nas últimas edições de A Ilha, o autor, Fernando Morais, incluiu um novo prefácio comentando a deterioração do regime cubano, constatação decorrente das últimas viagens que fez a esse país.

Comentários encerrados em 12/05/2004.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.