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Investigações reabertas

PF vê conexão entre presos na Operação Lince e desvio de diamantes

A Polícia Federal anuncia esta semana que vai retomar investigações de pelo menos dois inquéritos, gerados em Rondônia, para tentar estabelecer supostas conexões entre os delegados federais Wilson Perpétuo e José Bocamino. Os dois delegados foram presos semana passada em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Junto deles a PF também prendeu o empresário Mário Glikas.

O empresário vem sendo acusado pela PF de ter colaborado com contrabandistas de diamantes na Reserva Indígena Roosevelt, dos índios cintas-largas. Os delegados Perpétuo e Bocamino foram presos na Operação Lince, sob acusação de roubo de cargas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Outras cinco pessoas foram presas pela Operação Lince: o policial federal Luiz Cláudio Santana, Jair Dias de Morais, Mário do Amaral Fogaça e Roberto Lopes Alvares, acusados como assaltantes, e o advogado Fauzi José Saab Júnior.

No início de 2004, o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, já declarara que 71 inquéritos sobre o contrabando de diamantes na Roosevelt, reserva dos cintas-largas, estavam sendo tocados, com 121 pessoas indiciadas. No ano passado, um agente da PF foi preso.

Segundo a Polícia Federal, dentre os principais suspeitos de envolvimento no contrabando de diamantes, há um empresário que já foi indiciado nos Estados Unidos por lavagem de dinheiro proveniente de tráfico de drogas.

Nomes de federais constam de dois inquéritos sobre contrabando de diamantes. Em novembro de 2003, o agente federal José Cadete da Silva foi acusado de dar cobertura à retirada ilegal de diamantes da reserva dos cintas-largas. Em abril, junto do empresário Glikas, a PF prendeu outro agente, Mário Amélio Soares Bonfim.

As suspeitas de que os dois delegados podem ter ligação com Glikas surgiram em escutas telefônicas feitas pela área de inteligência da PF, quando da realização da Operação Kimberly, em abril.

Os cintas-largas, em Rondônia, têm a segunda maior reserva de diamante do mundo. Nos últimos três anos, foram extraídos dali R$ 3 bilhões.

As investigações agora reabertas tentam conectar os presos em Ribeirão Preto com o desvio de diamantes da reserva Roosevelt. Esta reserva tem 1.425 hectares e abriga pouco mais de mil cintas-largas. Só com o empresário Anselmo Peron, preso por contrabando, em 2001, a PF apreendeu pedras e recibos no valor de R$ 1,2 milhão -- numa apreensão a abarcar apenas 20 dias de trabalhos de Peron na reserva Roosevelt.

Revista Consultor Jurídico, 28 de junho de 2004, 5h55

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