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28 julho 2004

Exploração de prestígio

Justiça do Rio condena economista acusado de negociar sentenças

O juiz João Ziraldo Maia, da 2ª Vara Criminal de Niterói, Rio de Janeiro, condenou o economista Marcos Benício Alonso a quatro anos de prisão por estelionato e exploração de prestígio. Ainda cabe recurso.

Marcos foi preso em flagrante, em novembro de 2003, com cartões que o apresentavam como “assessor jurídico” de um escritório de advocacia. Ele é acusado de negociar sentenças da Justiça fluminense.

Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no dia 8 de novembro do ano passado, o economista procurou a professora Elza Maria Marino, que movia uma ação no Fórum de Niterói contra um banco.

Como a professora estava viajando, ele apresentou-se ao filho dela, Fellipe Marino Mendes, e disse que precisava pagar R$ 10 mil à juíza Maria Isabel Paes Gonçalves, para que a sentença fosse favorável. O intermediário na transação, segundo o estelionatário, seria “o filho de um promotor”.

O estudante não conseguiu o dinheiro, mas acessou a Internet e descobriu que o processo já tinha sido julgado e a sentença divulgada. Procurou, então, a juíza e explicou o que se passava.

Com a ajuda da polícia, foi montada uma operação para o pagamento num bar em Niterói, onde o economista foi preso em flagrante. Ele estava de posse de outro processo e suspeita-se que tenha agido em outras ocasiões da mesma forma.

Em sua sentença, o juiz João Ziraldo Maia afirmou que o economista “não poderia ter escolhido pior momento para atuar, na medida em que o Poder Judiciário vem sofrendo processo difamatório e de desprestígio, onde forças ainda ocultas buscam elementos para subjugá-lo e atrelá-lo a interesses outros através do tão falado controle externo”.

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Revista Consultor Jurídico, 28 de julho de 2004

Comentários

Comentários de leitores: 11 comentários

28/07/2004 19:18 Marin Tizzi (Professor)
Hoje já não há dúvida de que grande parte do ju...
Hoje já não há dúvida de que grande parte do judiciário decide para não desagradar a mídia. Os juízes que dão liberdade provisória a réus condenados antecipadamente pela mídia são chamados de polêmicos. Existe vasta literatura a respeito da influência do quarto poder (a mídia) sobre decisões judiciais. O caso Anaconda comprova isso. E as trabalhadas dessa chamada investigação foi revelada pela revista Istoé, que demonstrou que até pessoas falecidas foram incluídas como envolvidas. Nem o Judiciário não respeita mais o princípio da presunção de inocência, que é uma garantia que se tornou letra morta na Constituição. Isso é fato.
28/07/2004 18:49 Maria Lima Maciel (Advogado Autônomo)
O economista não negociava sentenças. Enganava ...
O economista não negociava sentenças. Enganava as pessoas, como qualquer estelionatário o faz. E quem advoga sabe que é da (triste) história de nossa justiça o fato de haver, aos montes, ADVOGADOS que dizem para o próprio cliente que é preciso dar dinheiro "para o juiz, o promotor" etc. A sentença é que foi infeliz, misturou alhos com bugalhos, entrou em defesa da classe, o que fez - isto, sim - em má hora, pois era hora de falar de estelionato, não de forças ocultas, e que tais. Maria Lima
28/07/2004 18:05 Daniel Roberto ()
marina, você tem certeza do que fala? os envolv...
marina, você tem certeza do que fala? os envolvidos da Anaconda são pessoas sérias e isentas, e todas as alegações são falsas ou inventadas? Será que é alguma conspiração? Será que todo o órgão especial do TRF3 (que decidiu sobre a prisão), o STJ (que analisou habeas corpus) e o STF (que também analisou writs) ainda não viram isso? Meu Deus...

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