"É importante desestimular o uso de véu pelas muçulmanas."

7/01/2004 12:11Regina Caldas (Outros)Para dra. Luiza Eluf ponderar:1) a sra. se lemb...
Para dra. Luiza Eluf ponderar:1) a sra. se lembra daquelas dez estudantes muculmanas que foram assassinadas na porta de uma escola da Arábia Saudita, porque não estavam usando o véu? 2) A sra. acredita que a vida das jovens de origem muçulmana seria poupada caso abdiquem do véu por imposição do govêrno francês? 3) Se as muçulmanas quisessem mudar o seu status elas o fariam pelo caminho mais fàcil que nós as mulheres temos à nossa disposição: somos nós que educamos nossos filhos, portanto se abrimos suas cebecinhas temos o poder de mudar a sociedade 4) Se o uso do véu tem o poder de estigmatizar a mulher muçulmana, como a sra. afirma, como julgar o uso que a mídia faz dos sarados corpos femininos ocidentais? 5) A proibição do uso do véu pelas muçulmanas, nas escolas públicas francesas, fere frontalmente vários artigos da Convenção Internacional de direitos humanos fundamentais, ratificada pela França. Imagina só heim? Violações de direitos humanos justamente na França , berço da Revolução Francesa em prol das liberdades humanas, além de sede de uma Côrte Internacional de Direitos Humanos(Strasbourg).
7/01/2004 10:18Leonardo Peixoto Barboza ()Tenho muito respeito pela articulista, mas infe...
Tenho muito respeito pela articulista, mas infelizmente, desta vez, não se verifica o costumeiro acerto. O maior preconceito é daqueles que não conseguem dar o devido valor aos costumes e crenças de povos diversos e a importância da religião na vida das pessoas. Desestimular o uso do véu seria aceitável. Proibí-lo, jamais!!! Como fica a liberdade da menina ou da mulher muçulmana de expressar a sua fé ou seu simples desejo de manter sua identidade; seu simples anseio de parecer uma muçulmana e assim ser identificada nas ruas, nas escolas e nas repartições públicas? Em nome das mulheres que acham que o véu é constrangedor e opressivo, proibi-se a mulher religiosa, a muçulmana devota, de usar um símbolo de sua fé? Nada mais errado, em minha opinião. Mal comparando, me parece com a autoridade que manda derrubar um prédio por de lá ter caído uma pessoa, em vez de determinar a colocação de telas de proteção! Quem determina se o véu é adequado ou não às mulheres muçulmanas? Ou a batina é adequada a padres? Nossa sociedade ocidental, falida, sem princípios e valores? Por certo que não. O artigo me faz lembrar dos portugueses catequisando nossos irmãos indígenas, colocando-lhes roupas e lhe trazendo doenças ou, anteriormente, as cruzadas "salvando" os perdidos. Acredite em mim, cara articulista, quando a mulher muçulmana quiser, ela se libertará do uso do véu, nem que para isto seja necessário abandonar sua religião. Por outro lado, é totalmente impróprio e chega às raias do vilipêndio ao culto religioso, impedi-la de expressar sua fé. Li outro dia uma frase em uma loja, mais ou menos nestes termos, atribuída a Voltaire (não sei o real autor): "posso não concordar com nenhuma das palavras de que você diz, mas defenderei com minha vida, seu direito de dizê-la". Também não concordo com o uso do véu, mas proibí-lo é uma invasão inaceitável. Se a moda pega, vamos obrigar o trabalho ao sabatista, o corte do cabelo à evangélica, proibir o uso de roupas rituais para budistas e outras. Que tal, também, proibir o trabalho de pajé em nossas tribos? Acreditem: nós não temos o direito de dizer que nossos irmãos orientais estão errados. Eles agem conforme suas crenças, doutrinas, fé e culturas. Devemos fomentar o esclarecimento, nunca proibir a expressão da fé e da cultura. Esclarecer, fazer campanha, tudo bem. Mas proibir o uso do véu é uma invasão à liberdade religiosa que todos nós deveríamos repudiar. Data venia, eu repudio.
7/01/2004 07:45Marcos P. Scherian ()Na verdade, a autora do artigo tratou com profu...
Na verdade, a autora do artigo tratou com profundo desrespeito os muçulmanos (e em particular as mulheres muçulmanas). Se aqui no Brasil algumas mulheres muçulmanas insistem em usar o véu, não está bem claro que elas assim o fazem por pura opção? Se a autora do artigo opta por usar um chapéu, um vestido, uma calça, invocando seu sagrado direito (feminino) não é paradoxal que ela própria queira ditar regras para as muçulmanas, tratando-as como objeto, como se não tivessem opções e vontade própria? Lastimável. Porque o Consultor Jurídico não nos poupa de artigos como este?
7/01/2004 03:02André Pessoa ()Brilhantes os comentários abaixo, de Allan e Fé...
Brilhantes os comentários abaixo, de Allan e Félix. Muito triste esse trecho do artigo: "essas populações resistem tenazmente a assimilar os _valores ocidentais_, isolando-se em suas comunidades" [grifo meu]. Isso tem um único nome: ETNOCENTRISMO (em letras grandes para chamar atenção). Esse tipo de juízo de valor sobre a cultura alheia já foi pretexto para incontáveis genocídios na história da humanidade. O ataque à liberdade religiosa das muçulmanas seria apenas mais um crime numa longa lista.
6/01/2004 13:51patrick (Estudante de Direito)Tenho um grande respeito pela autora do artigo,...
Tenho um grande respeito pela autora do artigo, no entanto discordo de seus argumentos neste artigo. Quando adolescente, tive a oportunidade de residir na Europa e conviver com mulçumanos. Pessoas extremamente normais e que em nada se assemelham ao estereópito que a mídia lhes aplica. O veú utilizado pelas mulheres é, em geral, discretíssimo. Mais discreto, por exemplo, que um boné ou um chapéu. Confundí-lo com a burca é desviar a atenção do foco da discussão. Alegar que eles "resistem tenazmente a assimilar os valores ocidentais" é um tanto vago. Em virtude dos judeus e cristão-novos "resisterem a assimilar os valores ocidentais" da época é que se criou a Inquisão. A verdade é que os europeus (e os franceses em particular) são extremamente racistas (é comum picharem carros de negros e/ou pessoas com a pele um pouco mais escura com dizeres do tipo "Macacos, voltem para a África!" - atualmente, esse tipo de ato só vira notícia quando atinge um famoso, jogador de futebol, por exemplo) e esta foi a maneira mais "sutil" de impor sua vontade sobre a minoria imigrante.

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