NotÃcias
7 abril 2004
Refazendo as contas
OAB afirma que com a atual dÃvida externa não há desenvolvimento
O conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil pela Bahia, Arx Tourinho, classificou a dÃvida externa brasileira como impagável e acredita que ela esconde a realidade do povo. Para ele, jamais existirá desenvolvimento no paÃs enquanto a sociedade tiver que arcar com o ônus dessa dÃvida.
O conselheiro é o relator da proposta de ação de descumprimento de preceito fundamental que será encaminhada pela OAB ao Supremo Tribunal Federal. A entidade decidiu recorrer à Justiça para exigir que o Congresso Nacional faça auditorias nas contas da dÃvida externa.
As auditorias seriam feitas por meio de uma comissão mista que, de acordo com o artigo 26º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição, deveria ter sido criada há cerca de quinze anos.
O dispositivo prevê que no prazo de um ano a contar da promulgação da Constituição, em outubro de 1988, o Congresso deveria promover auditoria sobre os fatos geradores da dÃvida externa brasileira. "Esse artigo tem caráter impositivo. O Congresso não poderia ter deixado de cumprir com o dever de fazer essas auditorias", afirmou Arx Tourinho.
"Por mais que o governo faça superávit disso ou daquilo, cada vez mais vamos empobrecer porque sempre há dinheiro saindo do Brasil para o exterior", disse o conselheiro. "Pode ter certeza que por trás dessa dÃvida externa existe crime, ilÃcito civil e existe irresponsabilidade criminal de muita gente. Não só por parte do Brasil, mas também de fora do paÃs", ressaltou.
Leia a entrevista com Arx Tourinho
O senhor acredita que é possÃvel o Brasil obter percentuais de crescimento mesmo tendo que pagar essa altÃssima dÃvida externa?
Nós não chegaremos a lugar nenhum do ponto de vista econômico e social com essa dÃvida que está aÃ. Isso porque essa dÃvida é impagável e nós vamos passar a vida toda pagando só os acessórios dessa dÃvida, o que impede qualquer condição de desenvolvimento para este paÃs. Porque sempre há dinheiro saindo do Brasil para o exterior.
A OAB vai apresentar uma ação perante o STF para fazer com que o Congresso examine os detalhes dessa dÃvida.
Essa ação, na verdade, interessa a todo o povo brasileiro. Se houver uma conjugação real de esforços das diversas entidades que estão à frente desse problema e das centrais sindicais, tenho certeza de que vamos ter algo de diferente, de mudança nesse paÃs. Essa dÃvida externa esconde uma realidade que o povo desconhece e também não sabemos qual é a sua real extensão. Pode ter certeza que por trás dessa dÃvida externa existe crime, ilÃcito civil e existe irresponsabilidade criminal de muita gente. Não só por parte do Brasil, mas também de fora do paÃs.
O senhor acredita que o governo do Partido dos Trabalhadores, que sempre defendeu a transparência, deveria ir a fundo na origem e causa dessa dÃvida externa?
Sim, mas como este governo tem se mostrado contrário até mesmo à abertura de Comissões Parlamentares de Inquérito para a apuração de denúncias graves, eu não sei exatamente qual será o seu posicionamento.
O senhor sabe precisar qual é o real valor de nossa dÃvida externa?
Nossa dÃvida hoje ultrapassa R$ 1 trilhão, valor que é simplesmente impagável. Por mais que os recursos financeiros do paÃs sejam usados, que as pessoas trabalhem o tempo todo, não há condições de pagar esse valor e essa dÃvida aumenta cada vez mais. Mesmo devendo, continuamos recebendo dinheiro externo, o que acabou por se transformar em uma bola de neve uma vez que esses novos recursos externos terão que ser pagos um dia. Nós tivemos um salto fenomenal da dÃvida nos últimos oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso e ela continua enorme. Enquanto o governo continuar tirando dinheiro do povo brasileiro para pagar a dÃvida externa, não teremos condição de desenvolver o paÃs. Não vejo condição alguma de o Brasil se desenvolver e alcançar os princÃpios fundamentais que estão no artigo 3º da Constituição Federal enquanto essa dÃvida existir.
Mas o que a OAB está propondo, na prática?
Não há, na verdade, propositura de calote de dÃvida. A OAB está longe disso. O propomos é o exame analÃtico e pericial dessa dÃvida que se formou durante tantos anos no paÃs e continua a se formar. Nós precisamos saber exatamente qual é a dimensão e a responsabilidade com relação a essa dÃvida. (OAB)
Revista Consultor JurÃdico, 7 de abril de 2004
Comentários
Comentários de leitores: 2 comentários
Não creio ao discutir essa matéria a OAB, ou um...
As OABs. deveriam cuidar da Justiça e de seus f...
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