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Terça-feira, 30 de setembro.

Primeira Leitura: governo e BC adotam mesmo discurso sobre FMI.

Boniteza e necessidade

Às vésperas de decidir se fecha ou não um acordo com o FMI, o governo brasileiro adotou, em todas as suas esferas, o discurso segundo o qual o acerto com o Fundo só será firmado se for "vantajoso para o Brasil" e que a decisão será estritamente "política". Do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até a diretoria do Banco Central, a versão é a mesma.

Autonomia?

Ontem, o jornal espanhol La Gaceta de Los Negócios publicou entrevista com o secretário para Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Otaviano Canuto, em que ele afirma que o país "pode hoje escolher se quer ou não negociar outro tipo de programa" com o FMI.

A versão

"Contamos com o dinheiro do atual programa, nossas reservas superam os US$ 47 bilhões, e nosso ajuste da conta corrente do balanço de pagamentos nos permite ficar relativamente tranqüilos", declarou Canuto.

A verdade

A fala do secretário ignora o fato de que as reservas do Brasil, excluindo-se os recursos de empréstimos do FMI, caem a cerca de US$ 18,2 bilhões. No primeiro semestre do ano, as reservas líquidas em dólar atingiram o nível mais baixo desde 1992. E, para 2004, o país terá de pagar US$ 46,9 bilhões, contra US$ 28,4 bilhões de 2003

A lei do sapo

Ou seja, a despeito do discurso, o fato é que o Brasil, se fizer um novo acordo com o Fundo, vai fazê-lo porque precisa. Ou, como dizia Guimarães Rosa: "O sapo pula não é por boniteza, mas por precisão". Ou: ninguém vai ao FMI porque quer.

Ruim não é péssimo

Henrique Meirelles, do BC, disse também ao mercado financeiro que o país vai crescer de maneira sustentada a partir do ano que vem. Para ele, a previsão de 0,6% de expansão do PIB em 2003 ainda é melhor do que a de outros países em crise.

Na mão de Deus?

Na opinião de Meirelles, o governo já fez tudo o que podia para estimular a competição no setor bancário. Agora, afirma, cabe ao sistema financeiro privado e ao estatal acentuar a competição. Meirelles assegurou que os juros bancários vão continuar caindo nos próximos meses.

No futuro...

Para ele, o fator principal para a redução dos juros nos bancos) é a redução da relação dívida pública sobre o PIB. Meirelles considerou que o governo está "no caminho certo" e já demonstrou que será capaz de reduzir essa relação dos atuais 55% para 40% em... 2011!

Prejuízo...

O Boletim de Conjuntura Econômica, do Ministério da Fazenda, prevê que os reajustes salariais não vão repor as perdas sofridas pelos trabalhadores nem mesmo se houver melhora do cenário econômico do país. "Os reajustes salariais negociados no primeiro semestre de 2003 foram, em sua maioria, inferiores à variação da inflação medida pelo INPC", situação que deve se repetir agora.

...Líquido e certo

"A recuperação gradual da atividade econômica, prevista para o segundo semestre de 2003, não deverá ser suficientemente forte para elevar os reajustes salariais acima da inflação acumulada em 12 meses", diz o texto, que aponta queda real de 11,4% no rendimento nesse período.

Assim falou... Guido Mantega

"As políticas fiscais e monetárias são de nossa autoria. Não temos nenhum condicionante."

Do ministro do Planejamento, negando que o FMI influencie a política econômica do governo. Mantega prometeu que, mesmo que o Brasil feche um novo acordo com o organismo, não sofrerá nenhuma restrição em sua política de desenvolvimento.

A história se repetirá?

No governo de Fernando Henrique Cardoso, a orientação política da Petrobras era clara: os interesses dos 400 mil acionistas da estatal sempre prevaleceram sobre qualquer outro fator, inclusive o interesse estratégico do país, ou seja, de seus 170 milhões de habitantes. Essa "filosofia", pelo visto, perdurou com o novo governo. Ontem, em entrevista à Gazeta Mercantil, diretores da empresa tratavam como "problema" a descoberta de uma fantástica reserva de gás natural de quase 420 bilhões de metros cúbicos na Bacia de Santos.

A preocupação da empresa é que, com uma eventual massificação do consumo de gás no futuro, substituindo parcialmente o óleo combustível, o diesel e a gasolina, sua margem de lucro diminuirá, já que estes produtos permitem uma rentabilidade maior do que o gás. É de ficar preocupado, considerando que, sem a estatal, não haverá investimentos para expansão da rede de gás...

Revista Consultor Jurídico, 30 de setembro de 2003, 12h07

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