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Governo Eletrônico

Conferência internacional discute inovações tecnológicas

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Teve início neste domingo a terceira conferência internacional sobre "Governo Eletrônico, Comércio Eletrônico e Negócios Digitais", que está sendo realizada no Brasil.

O evento desfruta de forte prestígio internacional, e está acontecendo no Guarujá, em São Paulo, sob a organização do Centro de Pesquisas Renato Archer. A sua realização em território nacional é um sinal altamente positivo para as iniciativas brasileiras no âmbito de Governo Eletrônico e Sociedade da Informação.

Dezesseis pesquisadores do Instituto de Governo Eletrônico, Inteligência Jurídica e Sistemas (Ijuris) estão presentes no evento, acompanhando as novidades científicas e tecnológicas que estão sendo apresentadas na conferência. Os principais acontecimentos do primeiro dia são os seguintes:

1) Sessão técnica: "Ontologies: Representation, Engineering, learning and applications".

Relatada por Cristina Souza Santos e Aline Junckes.

O assunto tratado foi representação de ontologias e o desenvolvimento de aplicações na área. Este tema é amplamente discutido em todo o mundo, e o Brasil está acompanhando com competência os trabalhos.

O grande objetivo de representar ontologias é conseguir desenvolver aplicativos que sejam capazes, não apenas de localizar links que tratem de determinado domínio, mas de interpretar as partes mais importantes dos documentos localizados. Isso permite diminuir consideravelmente a necessidade de o especialista ler todas as respostas de um sistema de busca para avaliar o seu conteúdo para valorá-las dentro do domínio. Aplicativos desenvolvidos para grandes áreas de conhecimento encontram este problema, uma vez que o número de respostas pode ser bastante volumoso, porém dependendo do contexto, um mesmo termo pode ser localizado com significados diferentes. Assim o conteúdo do documento só poderá ser valorado de acordo com o conjunto de conceitos localizados num mesmo documento, para poder classificar o contexto em que ele se enquadra.

O Ijuris vem desenvolvendo um trabalho exatamente nesta linha, e pode-se dizer que as dificuldades encontradas são as mesmas para todos os pesquisadores da área. Os maiores problemas concentram-se na tarefa de tentar determinar qual modelo de organização do conhecimento deverá ser utilizado. O que já parece ser um consenso geral é que, para cada domínio, um novo modelo deve ser aplicado, pois ele que determina a necessidade de uma especificação maior ou menor dos conceitos.

Sendo assim, pelo menos até o momento, não existe uma fórmula básica a ser seguida. O que existem são diversas metodologias, aplicadas a domínios como o criminal, o médico, o jornalístico,além da agricultura e da arquitetura. Cada uma delas possui conceitos genéricos que podem ser aproveitados em outros domínios, mas a ontologia só será válida após adaptada e validada no domínio específico.

2) Sessão técnica: "XML - in business - lessons learned from industrial use and challenges for the future".

Relatada por Fabricio Donatti e Valdir Luiz Jr.

A sessão da tarde do IFIP - I3E 2003 foi marcada pela continuação de alguns tutoriais iniciados pela manhã (Towards a Global Society; Model-driven architecture: core Technologies, models and application; e Ontologies: Representation, Engineering, learning and Applications) e pelo tutorial XML in business -- lessons learned from industrial use and challenges for the future, ministrado pelo prof. Dr. Michael Merz, da Ponton Consulting GmBG - Alemanha.

Diante de uma platéia bastante eclética, que reuniu profissionais de diversas áreas e países, como Finlândia, Estados Unidos, Espanha, Estônia, Chile e, com grande presença -- Brasil, o tutorial abordou, além dos conceitos de XML e suas representações, algumas inovações relacionadas a esta tecnologia.

Dentre estas inovações, foi apresentado um sistema de integração entre empresa e clientes, que permite fazer de forma mais eficiente e segura a comunicação via Internet, usando uma espécie de chave para validação e novos modelos de dados baseados na tecnologia XML.

3) Sessão técnica: "Towards a global information society".

Relatada por Eduardo Marcelo Castella e Tiago Nunes Mendonça.

O polonês Wojciech Cellary, da Pozna University of Economics, acrescentou ao 3º IFIP seus estudos sobre "Knowledge", no Tutorial intitulado "Towards a Global Information Society".

Inicialmente o ilustríssimo professor explanou sobre a trajetória do conhecimento perante os séculos, quem o detinha e suas formas de transferência à população. Mostrou interessantes aspectos da evolução econômica na história da humanidade até a chegada da revolução silenciosa provocada pelas novas tecnologias. A transformação dos meios de produção e, no mesmo sentido, a maneira como o conhecimento a ser ensinado. Dentro da explanação abordou-se a troca das funções na atividade laboral; inicialmente agrícola, passando pela era industrial e finalizando na sociedade tecnológica. Na medida que evoluímos tecnologicamente altera-se o foco das empresas e das atividades do ser humano.

Antes a retenção era o caminho para o lucro, hoje a detenção é o caminho.

Possuir conhecimento sempre significou domínio. Na atual era do conhecimento, ou sociedade da informação, a agregação deste valor será cada vez mais exigida. Aliar pessoas às novas tecnologias é necessário, e para tanto a formação profissional continuada, e atualização, é uma constante neste inovador mercado de trabalho.

Uma das conseqüências, nada inovadora, é a incidência de uma segregação, in casu, social-digital, onde os que não conseguem atualizar-se passam a ser excluídos do mercado. Para minorar este problema, exclusão digital, importa na implementação de políticas e mecanismos de ensino continuado, tanto com a readequação de professores quanto de seus alunos. Neste aspecto o professor Cellary chamou a atenção para a necessidade da busca do conhecimento por conta própria, utilizando os mecanismos disponíveis na Web (ensino a distância), e afins, bem como os métodos tradicionais. O novo aluno, que será um adulto já com formação profissional, será também um disseminador do conhecimento. Desta maneira "pode-se prever um desenvolvimento científico cada vez mais rápido."

Na finalização, Professor Cellary comentou sobre formas que seu país tem utilizado para amenizar este aspecto. Um país que tem uma faixa de 35% de habitantes que se encaixam nesta segregação social, pessoas entre 30 a 50 anos, e com mínimo de 3º grau. Felizes eles, que não precisam trabalhar um público, onde a grande maioria mal sabe ler, como nós temos em nosso país.

4) Sessão de conclusões (Research coloquium).

Relatada por Tânia C. Bueno e Erica B. Ribeiro

Com a presença de membro do Comitê Europeu de Governo Eletrônico e professores europeus, treze pesquisadores de diferentes partes do mundo participaram de mesa redonda ocorrida após as apresentações de domingo.

Os principais assuntos discutidos foram:

- Segurança na Web;

- O papel das ontologias;

- Inteligência artificial (IA) no desenvolvimento de sistemas na Web;

- A questão da integração dos sistemas jurídicos.

As principais conclusões foram as seguintes:

- O problema de segurança não deve ser o ponto principal para o desenvolvimento de sistemas na Web;

- A aplicação de IA e ontologias para alguns pesquisadores tem menos importância para o desenvolvimento do futuro da Web, estão valorizando demais este tipo de aplicação, pois o e-gov pode se desenvolver muito bem sem este tipo de aplicação. No entanto é muito importante para a maioria e, essencial para alguns;

- No futuro, a web terá aplicações com IA e, principalmente, será semântica.

 post doc em governo eletrônico professor da UFSC. É também ex-secretario de Geração de Oportunidades de Florianópolis. Especialista em Informática Jurídica, doutor em Inteligência Aplicada e pós-doutor em Governo Eletrônico. Ex-Promotor de Justiça e ex-Procurador da Fazenda Nacional.

Revista Consultor Jurídico, 22 de setembro de 2003, 1h37

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