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Agricultura humana

Todas as culturas plantadas comercialmente são mutantes

Todas as culturas plantadas comercialmente na agricultura humana são mutantes. É o que garante Francisco Aragão, engenheiro agrônomo da Embrapa, na unidade Recursos Genéticos e Biotecnologia. Ele trabalha com engenharia genética há mais de 10 anos. Sua declaração pode assustar muita gente, mas tem fácil explicação.

"O homem, ao longo dos milênios, vem selecionando plantas que germinam mais adequadamente, exigem menos adubação, não necessitam de tanta irrigação. Com isso, modificou suas características. Há plantas cultivadas que, hoje, são totalmente diferentes das silvestres", disserta o pesquisador. Aragão trabalha hoje com a introdução de genes que conferem a leguminosas como a soja e o feijão a resistência a doenças. Ele também pesquisa outras plantas transgênicas, como algodão, banana e alface.

As mutações ocorrem também na natureza. A maioria delas, ensina Aragão, não é benéfica. Na agricultura, são selecionadas as que podem auxiliar o homem. Os princípios e leis da engenharia genética são conhecidos desde o início do século XX. Antes desse avanço, além da separação das culturas de seu ambiente nativo, o homem passou a realizar o que se chama hoje de melhoramento. Isso foi feito, e ainda é, com radiação e outros agentes ditos mutagênicos, que podem ser químicos ou físicos. Por isso, há plantas que já apresentavam mudanças moleculares em sua estrutura genética antes mesmo de o homem poder identificar um gene e transferi-lo entre espécies distintas.

A diferença é que a ciência fazia o melhoramento sem saber o que realmente tinha acontecido para produzir a mudança. "Hoje, a engenharia genética permite que se identifique, por exemplo, um gene de tolerância à seca presente numa espécie, e que esse gene seja transferido para outra incompatível sexualmente com aquela", conta Aragão.

Ameaça às plantas nativas?

O cruzamento que ocorre naturalmente no campo entre plantas transgênicas e convencionais é um argumento muito usado por entidades contrárias aos organismos geneticamente modificados, como a organização não-governamental Greenpeace, que lidera a campanha "Por um Brasil Livre de Transgênicos", junto com o Idec - Instituto de Defesa do Consumidor.

No caso da soja, essa possibilidade está descartada em se tratando das plantas nativas, diz Aragão. Segundo ele, a soja não é originária do Brasil e, por isso, não há espécies nativas que poderiam cruzar com a planta cultivada. Além disso, a soja é uma planta de auto-fecundação e, quando chega a ser polinizada por insetos, a freqüência é baixa. "Acontece numa distância de, no máximo, oito metros, e há um evento de polinização entre plantas em cada cinco mil. Já verificamos isso no campo, em experimentos", afirma.

Há questões mais controversas quando o assunto é cruzamento, ressalta a pesquisadora da Embrapa Maria José Sampaio, que atua na área de transferência de tecnologia. O milho, por exemplo, é planta de polinização aberta, e nessa cultura a fecundação pode acontecer entre plantas distantes mais de 200 metros uma da outra.

O algodão, se geneticamente modificado, precisa de estudos detalhados sobre seu comportamento na natureza, alerta a pesquisadora. Apesar de não ser originário do Brasil, ele tem parentes silvestres no país. A Embrapa já detectou esses parentes na Amazônia, no Pantanal e numa pequena porção da região Nordeste. "A questão dos transgênicos, infelizmente, ganhou contornos políticos. É preciso discutir a engenharia genética do ponto de vista científico e legal, com mais critério. Afinal, nenhum pesquisador vai querer esculhambar com a diversidade brasileira", argumenta Maria José.

Diabéticos já utilizam insulina transgênica

O termo insulina transgênica não é totalmente correto, mas pode ser usado por aproximação, partindo-se do princípio de que pesquisadores inseriram na bactéria chamada Agrobacterium o gene de produção da insulina, e o microorganismo passou a produzir a substância necessária à quebra de açúcar ingerido pelo ser humano. Essa insulina é usada, hoje, por milhares de diabéticos e, segundo Francisco Aragão, é muito mais vantajosa do que a insulina produzida artificialmente.

Ou seja, é possível produzir transgênicos com fins farmacológicos. Além disso, alguns organismos são modificados geneticamente para apresentar novas características nutricionais e até mesmo para que seja retirada especificamente uma proteína que produz alergia em algumas pessoas. O gene, como explica Aragão, são seqüências de DNA que fazem parte do genoma de todos os organismos vivos da Terra. Nessa seqüência, está o código para produzir outras moléculas, como ácido ribonucléico e proteínas que são as que vão fazer com que as características do indivíduo se expressem. "Isso é o que diferencia um cachorro de um gato, uma planta de um animal, é o que vai determinar se a pessoa terá olho castanho ou azul", ensina. Justamente por isso um organismo geneticamente modificado é chamado comumente de transgênico, porque houve transferência de genes. A técnica pode ser aplicada em qualquer ser vivo, plantas, microorganismos e animais. (Agência Brasil)

Revista Consultor Jurídico, 18 de setembro de 2003, 15h11

Comentários de leitores

1 comentário

Este artigo é totalmente técnico e, a exemplo d...

Ricardo Augusto Flor ()

Este artigo é totalmente técnico e, a exemplo da maioria dos debates veiculados na imprensa, desconsidera totalmente os reflexos da transgenia ao consumidor. Uma coisa é o dano natural ou inevitável, outro é o imposto por interesses particulares. Uma coisa é o processo de obtenção ser transgênico, outra é o produto final, em especial o alimento o ser. Ou a tecnologia ser a única alternativa como tlavez o seja no caso da insulina...

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