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18 setembro 2003
Olho do furacão
Promotores e procuradores farão audiência inédita em Sapopemba
No próximo sábado (20/9), a partir das dez da manhã, o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Luiz Antônio Guimarães, fará em Sapopemba, na zona leste de São Paulo, uma inédita audiência pública. Irão ao bairro, um dos mais violentos de São Paulo, promotores e procuradores, de varas específicas, para ouvir da população queixas, denúncias e propostas de solução para os estigmas que tornam Sapopemba, hoje, uma terra de ninguém. "Alega-se que há ali arbitrariedade policial, em especial da Polícia Civil, e muito tráfico de drogas", diz Marrey.
Ele salienta que, além de denúncias da população, a questão sobre Sapopemba foi-lhe pessoalmente trazida, há um mês, quando da visita a seu gabinete do secretário Nacional de Direitos Humanos, ministro Nilmário Miranda. "Nossa presença ali é para obter soluções. Em áreas carentes como essa é razoável e necessário que os promotores sejam acessíveis à população, e que esta narre aos promotores, pessoalmente, todas as suas aflições", afirma Marrey.
O procurador-geral de Justiça salienta que, tecnicamente, não há uma forma fixa de consulta à população de Sapopemba. "Como fizemos uma vez em Capão Redondo, farei a princípio uma exposição inicial. Irão promotores específicos, como por exemplo da Infância e Juventude, de Habitação e Urbanismo. Se alguém da população quiser formalizar algo, será atendido. Também pegaremos com a população contatos indicados".
Essa audiência é um dos balões de ensaio para se levar informações à paquistanesa Asma Jahangir, relatora especial de execuções Sumárias na ONU, que está no Brasil desde esta terça-feira e se encontra com Marrey dia 30 de setembro. Marrey antecipa que, em sua conversa com a relatora da ONU, vai "narrar os problemas do MP e dizer que o MP paulista pretende fazer investigação criminal diretamente, como forma de contenção das violações de direitos humanos".
O pivô que levou tantos e tamanhos holofotes a Sapopemba é sobretudo a série de ameaças de morte sofridas pela advogada Valdênia Paulino, que vem sendo acompanhada por Sandra Carvalho, da ONG Justiça Global, presidida pelo professor de Harvard James Cavallaro. "Ela faz parte da enorme lista de defensores de direitos humanos ameaçados de morte no Brasil", diz Sandra.
A advogada Valdênia Aparecida Paulino foi a primeira defensora de direitos humanos a receber proteção da Polícia Federal. Ela vinha sendo ameaçada por policiais militares e civis na região onde trabalha, no Sapopemba. Valdênia denunciou a prática de policiais militares que, enquanto batiam nas pessoas na favela, "ligavam músicas clássicas num volume muito alto".
Depois da denúncia de Valdênia, músicas clássicas foram gravadas na caixa postal do seu celular, numa tentativa de intimidação. Não satisfeitos com as gravações, os policiais passaram a mandar recados por pessoas conhecidas e a rondar a instituição onde ela trabalha com mais freqüência. Valdênia é defensora dos direitos humanos há de 20 anos, e uma das fundadoras do Centro de Direitos Humanos de Sapopemba. Trabalha com crianças e adolescentes.
Serviço
Marrey em Sapopemba
Data: 20/9, sábado, a partir das 10 horas
Local: Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Adevaldo de Moraes Rua Orestes Damolin, 791 - Pró-morar Sapopemba (acesso pela av. Arquiteto Vila Nova Artigas, altura do nº 10.650 da av. Sapopemba)
Revista Consultor Jurídico, 18 de setembro de 2003
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Comentários de leitores: 3 comentários
Penso que não se deva criticar a Polícia enquan...
Como podemos ver a juventude adotou e instituci...
parabenizo a iniciativa do ministério público, ...
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