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16 setembro 2003
Demissão polêmica
Senai recorre ao TST contra condenação por racismo
Foi iniciado, nesta terça-feira (16/9), o julgamento de um recurso do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) para reverter condenação por racismo. O processo está na Subseção de Dissídios Individuais 1 do Tribunal Superior do Trabalho.
A instituição recorre de decisão da 1ª Turma do TST que determinou a reintegração de um instrutor negro ao trabalho, por considerar discriminatória a sua demissão, ocorrida em dezembro de 1995. Depois de o relator, ministro Moura França, ler o voto, o julgamento foi interrompido com pedido de vista do ministro Luciano de Castilho.
França votou pela absolvição do Senai e pelo restabelecimento da sentença de primeiro grau que julgou improcedente a ação do instrutor de Belo Horizonte. Para o ministro, não houve provas suficientes de ter havido prática discriminatória dentro da instituição e o que se constatou foi a "existência de forte animosidade de natureza pessoal" entre o empregado e o chefe imediato.
No voto, o relator citou decisão do Tribunal Regional do Trabalho do
Minas Gerais (3ª Região) que confirmou a absolvição do Senai. De acordo com o TRT, para efeitos jurídicos, a responsabilidade do empregador na demissão por racismo deveria ser seguramente caracterizada. "Se os atos tidos como discriminatórios não passaram do relacionamento pessoal do reclamante com o seu chefe imediato", não se poderia, segundo o TRT-MG, atribuí-los ao empregador, "que deles sequer teve ciência".
Para a Primeira Turma do TST, entretanto, houve provas suficientes de discriminação racial. Além dessa circunstância, o colegiado considerou os "aspectos sociais que envolvem o tema" para atribuir responsabilidade objetiva do empregador pelos atos praticados pelo chefe imediato do instrutor, mesmo que à época da dispensa a instituição desconhecesse os atos discriminatórios atribuídos a ele. (TST)
ERR 381531/1997
Revista Consultor Jurídico, 16 de setembro de 2003
Comentários
Comentários de leitores: 1 comentário
A questão em tese deve ser muito bem apreciada ...
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