Notícias
15 setembro 2003
CPI do Banestado
CPI do Banestado ouve Nicéa Camargo sobre obras de Pitta e Maluf
A CPI mista do Banestado vai ouvir o depoimento de Nicéa Camargo, ex-mulher do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, nesta terça-feira (16/9), às 11h. Convocada por iniciativa da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), Nicéa deve confirmar à CPI as informações que forneceu ao promotor Silvio Marques, de São Paulo, sobre a cobrança de propinas nas obras da avenida Águas Espraiadas e do Túnel Airton Senna nas administrações de Paulo Maluf e Celso Pitta. O dinheiro teria sido enviado para contas bancárias em paraísos fiscais.
Em depoimento à CPI, o promotor relatou ter recebido de Nicéa a informação de que os recursos desviados das obras da avenida e do túnel eram entregues a doleiros, que providenciavam a sua remessa para o exterior, utilizando contas CC5 abertas no Banestado de Foz do Iguaçu (PR). Segundo Nicéa, Paulo Maluf recebia 20% dos valores desviados das obras e Celso Pitta, quando assumiu a Prefeitura, "herdou" de seu antecessor o direito de ficar com 15% do dinheiro pago a título de propina.
No dia seguinte ao depoimento de Marques, Nicéa telefonou para a senadora e se colocou à disposição da CPI do Banestado para prestar esclarecimentos. Nicéa confirmou à senadora as informações do promotor de que Maluf, Pitta e outras autoridades da prefeitura paulistana recebiam propina da construtora Mendes Júnior e que os recursos eram oriundos do superfaturamento das referidas obras.
O senador Antero Paes de Barros, presidente da CPI, espera que Nicéa revele em seu depoimento os números de contas e nomes das empresas off shore utilizadas para enviar ao exterior os recursos desviados das obras.
Audiência pública
Na quarta-feira (17/9), também às 11h, a CPI do Banestado fará uma audiência pública para ouvir quatro ex-funcionários do Banestado acusados de envolvimento no esquema ilegal de recursos ao exterior.
Entre os convocados está o ex-gerente de câmbio da agência do Banestado na rua 15 de novembro, em Curitiba, Eraldo Ferreira, responsável pela abertura de contas de brasileiros no exterior, e o ex-gerente da agência do Banestado em Grand Cayman, Ricardo Franczyk.
Também devem depor o ex-gerente de Foz do Iguaçu, Valderi Werle, e um dos ex-gerentes da agência de Nova Iorque, Valdir Antonio Perin, que no período 1996/2002 respondia pela movimentação de contas de estrangeiro naquela agência.
A CPI do Banestado marcou, ainda, dois depoimentos para quinta-feira (18/9). Estão convocados o ex-governador do Paraná, Jaime Canet Júnior, e o ex-diretor da Unimed São Paulo, José Ricardo Savioli. Segundo o senador Paes de Barros, os dois figuram como remetentes de dinheiro para o exterior através de contas CC5 abertas em Foz do Iguaçu. (Assessoria de imprensa do senador Paes de Barros)
Revista Consultor Jurídico, 15 de setembro de 2003
Comentários
Comentários de leitores: 1 comentário
Caros Colegas. Não entendo as razões para esse ...
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 23/09/2003.