Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Vigário Geral

Ex-PM é condenado a 59 anos de prisão pela chacina de Vigário Geral

O juiz Luiz Noronha Dantas, do II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, fixou em 59 anos de prisão a pena do ex-policial militar Sirlei Alves Teixeira, um dos autores da chacina de Vigário Geral. Ele foi condenado por cinco dos sete jurados na madrugada de sábado (13/9), depois de mais de 12 horas de julgamento.

O júri popular entendeu que ele participou das 21 mortes e quatro tentativas de homicídio de moradores do Parque Proletário de Vigário Geral em agosto de 1993. Essa foi a primeira vez que o ex-PM foi julgado, porque estava foragido até 2002, quando foi preso por ter participado de um assalto a uma agência bancária. O juiz também decidiu que ele não poderá recorrer da sentença em liberdade.

Em seu interrogatório, o ex-PM negou que tivesse participado da chacina e afirmou que nem mesmo conhecia os outros acusados. Ele garantiu que na noite dos crimes estava trabalhando numa cabine da polícia militar na Praça Seca, o que, no entanto, não conseguiu provar.

Sirlei responde a outro processo por homicídio, também no II Tribunal do Júri. Além disso, ele já foi condenado a três anos de prisão por porte ilegal de arma e uso de documento falso na justiça estadual e a oito anos por roubo na justiça federal do Rio.

Segundo Noronha Dantas, Sirlei tem antecedentes desabonadores e enquanto esteve foragido praticou vários crimes. Na chacina de Vigário Geral, de acordo com o juiz, "ele demonstrou uma descabida insensibilidade moral, além de um inominável desprezo pela vida, bem como uma absurda crueldade, sem prejuízo de uma descomedida violência e selvagem brutalidade, uma incomum covardia e uma descomunal truculência". Para o juiz, a prisão é a única medida de reprovabilidade adequada e compatível com as características bestiais da chacina.

Além de Sirlei, apenas outros dois condenados cumprem pena pelos crimes de Vigário Geral. José Fernandes Neto pegou 45 anos de prisão e Alexandre Bicego Farinha, 72 anos. O Ministério Público denunciou, ao todo, 52 policiais militares. Segundo o MP, eles se dividiram em grupos para praticar os crimes.

Um desses grupos explodiu uma granada no interior de um bar, provocando a morte de sete pessoas e ainda atirou contra os freqüentadores, ferindo outras duas pessoas. A poucos metros dali, outro grupo invadiu uma casa e matou a tiros oito pessoas da mesma família. Outras oito foram atacadas em ruas próximas, das quais apenas duas sobreviveram.

O motivo de todos esses crimes seria vingança pela morte de quatro policiais militares, ocorridas dois dias antes no mesmo bairro. (TJ-RJ)

Revista Consultor Jurídico, 15 de setembro de 2003, 20h12

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 23/09/2003.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.