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Crime organizado

Ex-contador de Arcanjo detalha remessa de dinheiro ao exterior

Luiz Alberto Dondo Gonçalves, ex-contador do empresário preso no Uruguai -- João Arcanjo Ribeiro --, contou para a Justiça Federal os detalhes das operações de remessa de dinheiro para o exterior. Segundo Dondo, os recursos do jogo do bicho e o lucro das factorings eram enviados para um banco no Uruguai. Ele negou que Arcanjo tenha contas na Suíça.

Dondo é acusado da prática dos crimes de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. No depoimento prestado na quinta-feira (11/9), ele citou o ex-governador de Mato Grosso, Dante de Oliveira, o ex-secretário de Indústria, Comércio e Mineração Carlos Avalone Júnior, os deputados José Riva e Humerto Bosaipo, o ex-senador Carlos Bezerra, o ex-secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, Hilário Mozer e o empresário João Dorileo Leal, do Grupo Gazeta e o presidente da CPI do Banestado, senador Antero Paes de Barros.

Dondo também disse que a factoring de Arcanjo emprestou dinheiro para o Grupo Gazeta para o financiamento da campanha de Antero, que concorreu ao governo de Mato Grosso em 2002. O presidente da CPI do Banestado afirmou ao site Consultor Jurídico: "Nunca fiz e jamais autorizei qualquer pessoa física ou jurídica a fazer empréstimo em meu nome. Essa declaração é uma reação desesperada do crime organizado que continuará sendo investigado à exaustão na CPI do Banestado".

Leia a íntegra do depoimento do ex-contador:

Poder Judiciário Justiça Federal Seção Judiciária de Mato Grosso

Juízo da Primeira Vara

Termo de Re-Interrogatório

PROCESSO Nº: 2003.36.00.012604-6

Aos onze dias do mês de setembro do ano de dois mil e três, na Sala de Audiências da Vara acima referida, onde presente se encontrava o MM. Juiz Federal Dr. JULIER SEBASTIÃO DA SILVA, comigo Técnico Judiciário, deu-se início às 17:00 horas à audiência de Re-interrogatório do Réu a seguir qualificado.

LUIZ ALBERTO DONDO GONÇALVES, brasileiro, separado judicialmente, Contador, portador do RG nº XXX.XX - SSP/MT e CPF nº XXX.XXX.XXX-XX, Título eleitoral nº XX.XXX.XXX.XXX-XX, filho de Santiago Dondo Belagamba e Ofélia Ruth Gonçalves Dondo, nascido aos 06/01/1952, natural de Salto/Uruguai, residente e domiciliado na Rua Estevão de Mendonça, nº 199, Aptº 701, Bairro Goiabeiras e Av. Miguel Sutil, nº 5.285 (DIEGO CONTABILIDADE), nesta Capital, atualmente recolhido no Presídio do Pascoal Ramos.

Sendo o interrogado qualificado e tendo o MM. Juiz lhe informado dos direitos insertos no art. 186 do CPP e art. 5º, LXIII, da Constituição Federal/88, deu-se início ao re-interrogatório. Às perguntas do MM. Juiz, respondeu: que o dinheiro saia das contas da Confiança Factoring, no Banco BCN, agência Cuiabá, que não era contabilizada; que o dinheiro era enviado ao Bank Boston de Montevidéu; que a remessa do dinheiro era feita pelo falecido Sr. Francisco, que trabalhava na INCOMEP; que existia ainda uma empresa em São Paulo, de nome FINANBRAS, cujo proprietário não conhece, que também fazia as remessas para o Bank Boston de Montevidéu em nome da empresa Aveyron S/A; que a Confiança Factoring fez um cadastro junto à FINANBRAS, e por isso o interrogando sabe que a dita empresa também efetuou remessa ao Uruguai;

que a operacionalização das remessas pela Confiança Factoring eram feitas por Nilson Roberto Teixeira, João Arcanjo Ribeiro e pela Srª Kátia Maria Aprá, presumindo o interrogando que esta última tinha conhecimento dos fatos, já que era tesoureira da referida factoring; que o dinheiro remetido era oriundo do jogo do bicho e ainda do lucro da conta existente na agência do BCN; que a Confiança Factoring possuiu ainda uma conta na agência centro do Banco Bradesco, nesta cidade, a qual também não existia na contabilidade da empresa; que o Acusado João Arcanjo Ribeiro comprou uma off-shore no Uruguai, de nome Aveyron S/A, tendo colocado como diretores o interrogando, ele próprio e a Acusada Silvia Chirata Arcanjo Ribeiro;

que a empresa foi comprada do uruguaio chamado Bernardo Bomzteim; que logo após a compra da empresa, que se deu entre 95 e 96, fora aberta a conta na agência do Bank Boston de Montevidéu; que a conta fora encerrada quando os valores passaram a ser depositados no Deutsch Bank de Montevidéu; que inclusive os contratos do Bank Boston foram transferidos para o Deutsch Bank; que o interrogando pode fazer anexar aos autos os balanços da Confiança Factoring relativos à movimentação financeira no Bank Boston; que todo o dinheiro que era remetido para o Uruguai, retornava para o Brasil em forma de empréstimos; que o dinheiro saia do Brasil, era depositado no Bank Boston de Montevidéu, na conta da Aveyron S/A, que era movimentada exclusivamente por João Arcanjo Ribeiro, pois somente ele poderia assinar em nome da empresa; que em seguida a Confiança Factoring realizava empréstimo junto ao Bank Boston, trazendo o dinheiro para o Brasil, mediante registro no Banco Central do Brasil, do contrato de empréstimos, sendo o valor respectivo depositado na conta da Confiança Factoring no Banco do Brasil; que o Bank Boston oficialmente emprestava o dinheiro, que contudo, este pertencia a Aveyron S/A, que mantinha um contrato de comissão com a instituição bancária para administrar seus recursos; que o dinheiro que era emprestado saía da conta da Aveyron S/A, sendo que o Bank Boston debitava na mesma conta o valor referente a comissão pela administração dos recursos da off-shore;

Revista Consultor Jurídico, 12 de setembro de 2003, 17h06

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