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Quarta-feira, 10 de setembro.

Primeira Leitura: Kirchner usa a moratória como arma eleitoral.

Moratória dupla

O governo argentino esperou até o último minuto, mas acabou anunciando, no fim da tarde de ontem, que não pagaria a dívida de US$ 2,9 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Má companhia

Embora já não pagasse a maioria de suas obrigações internacionais desde dezembro de 2001, o país vinha preservando os organismos internacionais, como FMI e Banco Mundial, ainda que, muitas vezes, à custa destas mesmas instituições. Com a moratória oficial, o país forma ao lado de Libéria, Sudão e Zimbábue, os únicos outros países que deram o calote no FMI.

Bicho de sete cabeças

O presidente argentino, Néstor Kirchner, recomendou que o país que não dê atenção às previsões do mercado a respeito da moratória. "Que não venham a nos assustar com o caos e com as sete pragas", disse. Já o chefe de governo, Anibal Fernández disse que "a intenção" do presidente é "alcançar um acordo e cumprir com as obrigações" que o país tem com os organismos internacionais.

Futuro alcaide

Kirchner, na verdade, usa a moratória como arma eleitoral. No próximo domingo, acontece o segundo turno da eleição para prefeito de Buenos Aires. Anibal Ibarra, candidato de Kirchner, disputa com o empresário Mauricio Macri. A vitória significa maior controle sobre a Câmara.

Rumo a 2004, 2006...

O PT e o governo já estão a construir a sua nova face eleitoral. Ela apareceu ontem, na cerimônia em que o presidente Lula comemorou a marca de 500 mil contas populares abertas em três meses, pelo programa "Caixa Aqui", da Caixa Econômica.

Os sem-conta

Lula disse que a "exclusão bancária agrava a concentração de renda", que o povo não pode ser dividido entre os com e os sem-banco e que mudar o quadro da exclusão social "é uma necessidade tão importante quanto a gente fazer a economia crescer, quanto gerar empregos."

Os sem-crescimento

Ou seja, Lula está a propor uma compensação. Se não há renda, nem crescimento, que se fique com o microcrédito e as microcontas. É a mesma lógica que apareceu no programa do partido na TV, exibido na noite de segunda-feira.

A parte e o todo

A reforma da Previdência foi apresentada pelo presidente do PT, José Genoino, como a forma para acabar com os "marajás" do serviço público, embora esse seja um aspecto muito pequeno da reforma, cujo objetivo central é gerar caixa para o governo. O mesmo vale para a reforma tributária, vendida como forma de reduzir os impostos da cesta básica, ainda que esse seja apenas um detalhe no conjunto da obra.

Na mosca

O ministro Cristovam Buarque (Educação), disse, em entrevista à rádio CBN, que o modelo de organização do ensino público universitário não pode servir para que a "elite estude de graça e apenas enriqueça". Para esses casos, sem contrapartida social pelo investimento público, o Estado não deveria pagar o curso superior, disse.

Assim falou... Frei Betto

"O MST evita que quatro milhões de famílias se favelizem nas periferias."

Do assessor especial de Lula, durante palestra em Olinda (PE), ao defender a invasão de terras como instrumento de pressão pela reforma agrária, embora afirmando que não estimula as ocupações. Sem querer, Frei Betto reconhece que o problema do Brasil não é agrário, mas social.

Tudo é história

Em outro evento, nesta terça, Frei Betto deu uma contribuição mais significativa à retórica do que a frase acima. Também coordenador de mobilização social do programa Fome Zero, ele disse que se conseguir garantir "direitos animais" à população, ou seja, comida todo dia, o presidente Lula "entrará definitivamente para a história como um grande estadista". Frei Betto cita o famoso advogado Sobral Pinto.

Durante o Estado Novo, de Getúlio Vargas, Sobral era advogado de Luis Carlos Prestes e de vários outros líderes comunistas. Ele soube que um dos presos, Harry Berger, ex-marido de Olga Benário, mulher de Prestes, era mantido preso em um vão de escada, impedido de dormir e torturado com um arame quente enterrado na uretra. Era tratado como bicho, e Sobral Pinto invocou a Lei de Proteção dos Animais, que, em seu artigo 14, reza que nenhum animal pode ser posto em situação de desacordo com sua natureza. O advogado não convenceu a polícia com isso, mas criou um fato político, e acabou conseguindo condições mais dignas para os presos.

Revista Consultor Jurídico, 10 de setembro de 2003, 9h24

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