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Terça-feira, 9 de setembro.

Primeira Leitura: economia brasileira continuará no 'vôo da galinha'.

Triunfo do paloccismo

A Carta enviada pelo governo brasileiro ao FMI, assinada por Antonio Palocci (Fazenda), e Henrique Meirelles (BC), deve ser lida como a consolidação da estratégia do paloccismo para administrar a crise brasileira, o que terá implicações também na reforma ministerial que se desenha.

Gasto e investimento

O texto, de 20 de agosto, e as declarações de ontem do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, são exemplares. Depois de afirmar que não há restrições no governo para renovar o acordo, Appy enterrou a proposta, defendida por alguns setores do governo, de não mais contabilizar os investimentos públicos como gastos, como ocorre hoje.

O truque de sempre

"Estabilidade fiscal não deve ser feita em cima da mágica", disse Appy. Entre os defensores da mudança de status dos gastos estavam Guido Mantega (Planejamento) e

Carlos Lessa (BNDES). Os dois, que costumam estar errados, estavam certos nesse particular. É uma herança do malanismo que permanece no atual governo, e poderia ser finalmente eliminada.

Vôo da galinha

Na carta, Palocci e Meirelles afirmam que a economia superou dificuldades, especialmente no controle da inflação, e que, agora, é possível relaxar a política monetária -- mas não há nenhuma menção a relaxamento das metas fiscais. Desta forma, a economia brasileira continuará engessada e condenada a ciclos curtos e fracos de crescimento, o chamado "vôo da galinha". Leia mais, inclusive a íntegra da carta ao Fundo, em www.primeiraleitura.com.br.

Não por acaso...

A pesquisa semanal realizada pelo BC e divulgada ontem mostra que o mercado reduziu, pela quinta semana consecutiva, agora de 1,2% para 1,03%, sua previsão de crescimento do país em 2003.

Espere e verá

Ontem, a Bovespa subiu pelo sétimo pregão consecutivo e ultrapassou os 16 mil pontos, com alta de 0,95%. Segundo o presidente da Bovespa, Raymundo Magliano, a alta de 40% na Bolsa paulista neste ano é um sinal da retomada da economia. "A Bolsa antecipa tudo. Acredito que o espetáculo do crescimento já está engrenado."

Quem diria!

O governo também promete ao Fundo "um avanço significativo (...), até o final do ano", na privatização dos bancos estaduais, que não teria ocorrido, segundo a carta, por "questões legais". A privatização era a última barreira ideológica do PT. Caiu também.

Certo e errado

É correta a avaliação do governo de que os bancos estaduais, na prática, serviam como instrumento para que os governos estaduais financiassem seus rombos de caixa, inviabilizando o ajuste das contas públicas, a pretexto de servir ao desenvolvimento regional. O que estava errado, à época, era o PT, que via nas privatizações uma prática entreguista.

Assim falou... Luiz Inácio Lula da Silva

"Pela primeira vez na história (...) a República tem um presidente e um vice-presidente que não têm diploma universitário. (...) Possivelmente, se nós tivéssemos, poderíamos fazer muito mais, mas eu estou convencido de que, para o político, o mais importante é ele saber o que é importante para o seu povo."

Do presidente, durante o lançamento do programa Brasil Alfabetizado, em que voltou a fazer proselitismo de sua condição de sem-diploma, embora agora, é verdade, de forma menos arrogante.

Ironias da história

"Vocês passearam com Menem [o ex-presidente argentino Carlos Menem] pelo mundo, mostrando-o como um exemplo. Menem foi exibido como o aluno-prodígio de um modelo econômico que [terminou] na quebra institucional do país." Palavras do atual presidente argentino, Néstor Kirchner, em junho, durante um encontro com o chefão do FMI, Horst Koehler, que deixaram este até surpreso.

Quando Menem era presidente, o Brasil se vangloriava de, ainda que com atraso, ter modificado o curso de sua história econômica, mudando a política cambial. Agora, o Brasil é que é o aluno-modelo.

O governo argentino ameaça com um calote de US$ 3 bilhões se o Fundo não aliviar a pressão na negociação de um novo acordo. E o que o FMI quer? Aquilo que já tem no Brasil: entre outras coisas, tarifas de serviços públicos livres e superávit fiscal maior do que os 3% do PIB oferecidos por Kirchner. Do lado de cá do Prata, é bom lembrar, Lula ofereceu 4,25% do PIB, sem pedir nada em troca.

Revista Consultor Jurídico, 9 de setembro de 2003, 14h24

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