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Posição polêmica

Berlusconi chama juízes de loucos e diz que poderia ser terrorista.

Notícia transcrita do site Último Segundo

O primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi parece gostar dos holofotes. Depois do anúncio do lançamento de seu CD, nesta quinta-feira, o premiê encheu a imprensa de novas declarações polêmicas. Chamou os juízes italianos de "loucos" e afirmou que, em condições específicas, poderia ser um "terrorista".

Em uma longa entrevista à revista conservadora britânica "Spectator", a ser publicada na sexta-feira, Berlusconi investiu contra os magistrados que o investigam, dizendo que eles não podem nem mesmo ser comparados ao resto da espécie humana.

"Para fazer esse trabalho, é preciso ser mentalmente perturbado, é preciso ter distúrbios psíquicos", disse ele na entrevista. "Se eles fazem esse trabalho, é porque são antropologicamente diferentes do resto da raça humana."

Berlusconi, um bilionário magnata das comunicações que entrou para a política há uma década, é acusado de ter subornado juízes para facilitar uma fusão empresarial, na década de 1980. Ele nega.

Em junho, o Parlamento aprovou uma lei que garante imunidade para cinco figuras importantes da República. Com isso, os processos contra o premiê foram paralisados, embora as investigações continuem.

Nos últimos meses, o primeiro-ministro direitista vem mantendo uma crescente campanha pública contra os magistrados, que segundo ele participam de uma caça às bruxas promovida pela esquerda contra ele e seus sócios.

A "Spectator" quis saber a opinião de Berlusconi sobre o ex-primeiro-ministro Giulio Andreotti, recentemente condenado por ter mandado a Máfia matar um jornalista. Berlusconi respondeu que os juízes inventaram vínculos entre ele e os bandidos a fim de desacreditarem aquele veterano político de direita.

"Não é verdade. É loucura! Esses juízes são duplamente loucos! Primeiro, porque são politicamente desse jeito, segundo porque seriam loucos de qualquer maneira", afirmou.

A última saraivada de Berlusconi foi recebida como um ultraje pelos magistrados e pela oposição. O porta-voz do governo rapidamente divulgou uma nota tentando evitar a tempestade.

"Foi um pequeno bate-papo de verão com um amigo do Partido Conservador britânico", disse o porta-voz na quinta-feira, em referência ao editor da revista, Boris Johnson, que também é deputado da oposição na Grã-Bretanha.

"A diferença do idioma e um claro grau de coloração jornalística transformaram um piada intrincada, com referência a pessoas em particular, em uma consideração geral sobre toda uma categoria. Isso é algo que não deveria ter acontecido", afirmou a nota.

Mas esse esclarecimento não bastou para muitos juízes, que cobraram mais explicações de Berlusconi. "Estou completamente perplexo com esses comentários bizarros", disse Salvatore Scadiuti, presidente da Corte de Recursos de Palermo, que julgou Andreotti.

"Além de constituírem uma séria ameaça ao princípio de separação dos poderes e da liberdade do Judiciário, esses comentários também descem à vulgaridade", afirmou o juiz.

Vários políticos de oposição também criticaram a entrevista, considerando-a ultrajante e inaceitável, e pediram a Berlusconi que, se puder, se retrate.

"Terrorismo"

Na mesma entrevista em que alfinetou os juízes, o premiê argumentou que as democracias têm o poder e o dever de acabar com a tirania e devem fazer isso com uso da força, se necessário.

"Se eu vivesse em um país onde não houvesse um dia marcado para uma eleição, eu me tornaria um revolucionário, se não um terrorista. E isso porque amo muito a liberdade", disse Berlusconi.

"Hoje somos capazes, com a Rússia e América (Estados Unidos) juntos, de observar todos os Estados do mundo... e podemos dar a eles democracia e liberdade. Sim, pela força, se necessário, porque é a única maneira de mostrar que não é uma brincadeira", disse ele.

Berlusconi também tem idéias próprias sobre reformar a Organização das Nações Unidas (ONU) a fim de permitir que a entidade possa intervir quando países governados por ditaduras não respeitarem direitos humanos.

"Por que não reformamos a ONU? Deixem-nos dizer ao senhor X ou Y se nessa ou aquela ditadura, 'Você deve reconhecer os direitos humanos em seu país, e nós lhe damos seis ou 12 meses para isso, ou então vamos intervir"', afirmou ele.

O lado artístico...

Em reportagem desta quinta o jornal italiano "Líbero" informa que o premiê, além de gastar o tempo com declarações polêmicas, também cuida de sua carreira artística. Segundo a publicação, Berlusconi passou as férias gravando um álbum com composições próprias.

O CD será lançado em outubro pela gravadora do tenor Andrea Bocelli, que foi o convidado de honra na festa que Berlusconi ofereceu no sábado passado, na Sardenha, em homenagem ao presidente russo Vladimir Putin.

"Não sei se acredito quando você diz que ainda me ama. Sinto que a vida quer nos separar, mas vou te amar até o fim", diz uma das seis canções escritas por Berlusconi. Segundo o jornal, o premiê italiano gosta de escrever músicas para relaxar e esquecer os problemas.

Em sua juventude, Berlusconi, que é fã de Julio Iglesias e Charles Aznavour, durante certo tempo ganhou a vida como cantor romântico, animando cruzeiros e festas no balneário de Rimini, às margens do Adriático.

Revista Consultor Jurídico, 4 de setembro de 2003, 15h28

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