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Quarta-feira, 3 de setembro.

Primeira Leitura: não há muitos recursos para reforma agrária.

Insustentável -1

As constantes queixas dos governadores que colecionam problemas com invasões de terra, principalmente de Roberto Requião (Paraná/PMDB), Jarbas Vasconcelos (Pernambuco/PMDB), Blairo Maggi (Mato Grosso/PPS) e Geraldo Alckmin (São Paulo/PSDB), levaram o presidente Lula a demitir o presidente do Incra, Marcelo Resende.

Insustentável -2

A demissão foi anunciada ontem pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, mas já estava decidida havia mais de uma semana. Diagnóstico do governo: a situação de Resende, considerado um aliado do sem-terra, tornou-se insustentável. Até porque o governo Lula precisa justamente se descolar do MST, e não o contrário.

Começar de novo

O novo presidente do Incra é o economista e ex-assessor parlamentar do núcleo agrário do PT, na Câmara, Rolf Hackbart -- que vinha assessorando o senador e líder do PT, Aloizio Mercadante (SP).

Paralisação

A marca da administração do Incra, do ex-presidente Resende passando pela maioria dos superintendentes regionais, ligados do MST, é a mais absoluta inoperância e um infindável rosário de reuniões que nada decidem. "Vamos chegar a duzentas reuniões e não assentei ninguém", desabafou o superintendente do Incra em Minas, Marcos Helênio Pena.

Artes da política

Os governadores vêm criticando abertamente o Incra e, sintomaticamente, foram atendidos no dia das negociações que antecedem a votação da reforma tributária. Os governadores queixam-se que o Incra mais atrapalha do que ajuda nas negociações com os sem-terra e que, não raro, os superintendentes desfazem acordos pré-acertados com reivindicações que eles mesmos levam para as negociações.

À francesa

Resende representava a manutenção de uma aliança do governo com a ala esquerdista do MST, o que não interessa mais a Lula, que não tem como manter de pé as promessas de assentamento feitas na campanha.

Intimidade exposta

No cargo, Resende não escondia sua intimidade com MST, quando, como homem de Estado, deveria fazer a arbitragem técnica e política da questão. Certa feita, chegou a dizer que não via problema em ser considerado um homem dos sem-terra já que o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, seria ligado aos ruralistas.

Os sem-emprego

A demissão, que serve, também, de clara advertência a Rossetto, é a admissão implícita de que, como afirma a revista Primeira Leitura que está nas bancas, "os sem-terra não existem". Existem, isso sim, os "sem-emprego" e os "sem-renda". E é para essas carências que o governo Lula deve olhar. Ao apear Resende do cargo, Lula está evidenciando que pretende ver diminuídas as tensões no campo.

No Orçamento, a verdade

O governo Lula não reservou muitos recursos para a reforma agrária no ano que vem, segundo o Orçamento que enviou ao Congresso. Sabem por quê? Porque a questão dos sem-terra está inchada pela militância política (leia mais em www.primeiraleitura.com.Br)

Assim falou... José Dirceu

"O mínimo que se exige de alguém que quer votar contra o governo é a dignidade (...) de colocar à disposição os cargos."

Do ministro-chefe da Casa Civil, referindo-se ao comportamento de petistas que desafiaram a orientação do governo e votaram (ou votarão) contra as reformas, mas querem manter as vantagens de ser governo, como a permanência de apadrinhados em cargos públicos.

Bolsa de Futuros

O governo George W. Bush, tudo indica, tentará atribuir os problemas econômicos dos Estados Unidos, inclusive o desemprego, ao que seria uma espécie de dumping cambial de alguns países para manter suas exportações competitivas. Ontem, o secretário do Tesouro dos EUA, John Snow, cobrou abertamente do governo chinês que pare de manter a moeda do país artificialmente baixa e que adote uma política de câmbio flutuante. O governo chinês ignorou a pregação.

"Não haverá nenhuma mudança na taxa de câmbio apenas porque alguém está visitando a China", disse um porta-voz do Banco Central chinês. Desde 1995, o governo chinês mantém a cotação de sua moeda, o yuan, a uma taxa fixa em relação ao dólar. Têm sido constantes no governo Bush alegações de que o país não consegue gerar novos empregos porque há um êxodo de indústrias para países com mão-de-obra barata, uma forma indireta de criticar a China, com a qual os EUA tiveram um déficit comercial de US$ 10 bilhões só no mês de junho.

Revista Consultor Jurídico, 3 de setembro de 2003, 9h46

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