NotÃcias
2 setembro 2003
Terça-feira, 2 de setembro.
Primeira Leitura: entrevista de MaurÃcio Corrêa à Veja é inaceitável.

Um grande acerto
A equipe econômica do governo rompeu com o princÃpio -- equivocado, ressalte-se -- de não-intervenção no mercado cambial. Decidiu pagar uma dÃvida em bônus samurais (emitidos no mercado japonês) que venceu na semana passada, em vez de renová-la.
A correta intervenção
Para resgatar parte do US$ 1,7 bilhão em bônus samurais, o Tesouro Nacional passou, segundo apurou o Primeira Leitura, os últimos dois meses comprando dólares no mercado brasileiro. Essas compras teriam somado algo em torno de US$ 900 milhões e explicam o fato de a cotação do dólar ter subido do preocupante patamar de R$ 2,81 na primeira semana de julho para o nÃvel atual, de cerca de R$ 3,00.
O dólar bom
A contrário do que muita gente imagina, o dólar mais alto (algo em torno de R$ 3,20) é bom ao manter as exportações competitivas e aquecidas, o que protege o Brasil da desconfiança global de que possa haver uma moratória.
Tiro no populismo
O paÃs, que quase quebrou como conseqüência do chamado "populismo cambial" da primeira gestão do governo FHC, corria o risco de, por excesso de ortodoxia, se ver de novo sem meios de se financiar.
Reduzindo o risco
Ao deixar de lado esse dogma de não intervenção no mercado de câmbio, o Brasil reduz a possibilidade, infelizmente ainda elevada, de enfrentar no médio prazo uma crise externa que mais uma vez aborte o crescimento sustentado da economia. Ou mesmo que leve paÃs à moratória, como ocorreu com a Argentina.
O que diz o mestre
O economista e ex-ministro do Planejamento (1961-64), Celso Furtado, afirmou ontem que o paÃs não tem outra alternativa a não ser decretar a moratória da dÃvida externa dentro de três ou quatro anos, durante o seminário "Brasil em Desenvolvimento", realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Bóia
A balança comercial registrou superávit recorde de US$ 2,67 bi em agosto. É o melhor saldo mensal da série histórica sobre o comércio exterior, iniciada em 1959. O saldo acumulado no ano subiu para US$ 15,13 bi, valor 182,05% superior ao do mesmo perÃodo de 2002 (US$ 5,36 bi). A recessão ajudou por causa da redução do consumo interno, que aumentou o excedente exportável e reduziu a despesa com importações.
"Não me sinto bem"
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) criticou as nomeações polÃticas no governo Lula, que foram tratadas por Primeira Leitura nas duas últimas semanas e se tornaram tema de destaque no noticiário do fim de semana. "Não me sinto bem de ver um governo que fica com esse tipo de procedimento. Não acho saudável, e o PT era crÃtico dessa forma de agir", afirmou.
Nomear e desnomear
Em sua crÃtica, Suplicy escolheu como alvo principal o ministro José Dirceu (Casa Civil). Segundo o senador, Dirceu está "assoberbado demais com essa questão de nomear e desnomear" e, com isso, "não lhe sobra tempo para reflexões mais importantes".
Acorda, oposição!
A Executiva Nacional do PT suspendeu por 60 dias os oito parlamentares que se abstiveram na votação em primeiro turno da reforma da Previdência na Câmara. Pode-se, à luz da decisão, acusar o partido de intolerância, centralização, de certo stalinismo, até. Mas, reconheça-se, os petistas agem como profissionais da polÃtica quando tratam de unificar as práticas de seus representantes. A oposição que trate de acordar.
Assim falou...Maria da Conceição Tavares
"Não vou falar nada dos meus amigos nem dos inimigos... só dos que já estão fora."
Da economista do PT, ao se recusar a comentar a flagrante redução de poder do presidente do BNDES, Carlos Lessa, seu afilhado polÃtico no governo Lula. Lessa nega informações de que estaria sob risco de perder o cargo.
Está escrito
A entrevista do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), MaurÃcio Corrêa, à revista Veja só é aceitável porquanto seja que a imprensa cumpra a tarefa de tornar público o que pensam homens públicos, mormente aqueles que concentram doses consideráveis de responsabilidade. Assim, a revista faz com mister o seu trabalho. Mas o que diz Corrêa é absolutamente inaceitável.
Assim como este Primeira Leitura repudiou com veemência as vezes em que a Presidência da República ou altas figuras do petismo se arvoraram a satanizar o Poder Judiciário, repudia-se aqui, agora, o desassombro com que o ministro Corrêa se dá ao desfrute de censurar as alianças eleitorais do PT, a sem-cerimônia com que é judicioso sobre a atuação de ministros, a voz desabrida com que pretende analisar a atuação do presidente da República, vocalizando, de resto, um ranço que mistura um tacanho preconceito de classe a uma sociologia do poder que está, vê-se, muito acima do que o aparato do crÃtico pode alcançar.
Revista Consultor JurÃdico, 2 de setembro de 2003
Comentários
Comentários de leitores: 7 comentários
Não morro de amores pelo Ministro Mauricio Corr...
O dolar alto é bom para exportações, e sim para...
Ótimo texto, pois o Primeira Leitura revela, a ...
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