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Terça-feira, 2 de setembro.

Primeira Leitura: entrevista de Maurício Corrêa à Veja é inaceitável.

Um grande acerto

A equipe econômica do governo rompeu com o princípio -- equivocado, ressalte-se -- de não-intervenção no mercado cambial. Decidiu pagar uma dívida em bônus samurais (emitidos no mercado japonês) que venceu na semana passada, em vez de renová-la.

A correta intervenção

Para resgatar parte do US$ 1,7 bilhão em bônus samurais, o Tesouro Nacional passou, segundo apurou o Primeira Leitura, os últimos dois meses comprando dólares no mercado brasileiro. Essas compras teriam somado algo em torno de US$ 900 milhões e explicam o fato de a cotação do dólar ter subido do preocupante patamar de R$ 2,81 na primeira semana de julho para o nível atual, de cerca de R$ 3,00.

O dólar bom

A contrário do que muita gente imagina, o dólar mais alto (algo em torno de R$ 3,20) é bom ao manter as exportações competitivas e aquecidas, o que protege o Brasil da desconfiança global de que possa haver uma moratória.

Tiro no populismo

O país, que quase quebrou como conseqüência do chamado "populismo cambial" da primeira gestão do governo FHC, corria o risco de, por excesso de ortodoxia, se ver de novo sem meios de se financiar.

Reduzindo o risco

Ao deixar de lado esse dogma de não intervenção no mercado de câmbio, o Brasil reduz a possibilidade, infelizmente ainda elevada, de enfrentar no médio prazo uma crise externa que mais uma vez aborte o crescimento sustentado da economia. Ou mesmo que leve país à moratória, como ocorreu com a Argentina.

O que diz o mestre

O economista e ex-ministro do Planejamento (1961-64), Celso Furtado, afirmou ontem que o país não tem outra alternativa a não ser decretar a moratória da dívida externa dentro de três ou quatro anos, durante o seminário "Brasil em Desenvolvimento", realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Bóia

A balança comercial registrou superávit recorde de US$ 2,67 bi em agosto. É o melhor saldo mensal da série histórica sobre o comércio exterior, iniciada em 1959. O saldo acumulado no ano subiu para US$ 15,13 bi, valor 182,05% superior ao do mesmo período de 2002 (US$ 5,36 bi). A recessão ajudou por causa da redução do consumo interno, que aumentou o excedente exportável e reduziu a despesa com importações.

"Não me sinto bem"

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) criticou as nomeações políticas no governo Lula, que foram tratadas por Primeira Leitura nas duas últimas semanas e se tornaram tema de destaque no noticiário do fim de semana. "Não me sinto bem de ver um governo que fica com esse tipo de procedimento. Não acho saudável, e o PT era crítico dessa forma de agir", afirmou.

Nomear e desnomear

Em sua crítica, Suplicy escolheu como alvo principal o ministro José Dirceu (Casa Civil). Segundo o senador, Dirceu está "assoberbado demais com essa questão de nomear e desnomear" e, com isso, "não lhe sobra tempo para reflexões mais importantes".

Acorda, oposição!

A Executiva Nacional do PT suspendeu por 60 dias os oito parlamentares que se abstiveram na votação em primeiro turno da reforma da Previdência na Câmara. Pode-se, à luz da decisão, acusar o partido de intolerância, centralização, de certo stalinismo, até. Mas, reconheça-se, os petistas agem como profissionais da política quando tratam de unificar as práticas de seus representantes. A oposição que trate de acordar.

Assim falou...Maria da Conceição Tavares

"Não vou falar nada dos meus amigos nem dos inimigos... só dos que já estão fora."

Da economista do PT, ao se recusar a comentar a flagrante redução de poder do presidente do BNDES, Carlos Lessa, seu afilhado político no governo Lula. Lessa nega informações de que estaria sob risco de perder o cargo.

Está escrito

A entrevista do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício Corrêa, à revista Veja só é aceitável porquanto seja que a imprensa cumpra a tarefa de tornar público o que pensam homens públicos, mormente aqueles que concentram doses consideráveis de responsabilidade. Assim, a revista faz com mister o seu trabalho. Mas o que diz Corrêa é absolutamente inaceitável.

Assim como este Primeira Leitura repudiou com veemência as vezes em que a Presidência da República ou altas figuras do petismo se arvoraram a satanizar o Poder Judiciário, repudia-se aqui, agora, o desassombro com que o ministro Corrêa se dá ao desfrute de censurar as alianças eleitorais do PT, a sem-cerimônia com que é judicioso sobre a atuação de ministros, a voz desabrida com que pretende analisar a atuação do presidente da República, vocalizando, de resto, um ranço que mistura um tacanho preconceito de classe a uma sociologia do poder que está, vê-se, muito acima do que o aparato do crítico pode alcançar.

Revista Consultor Jurídico, 2 de setembro de 2003, 9h58

Comentários de leitores

7 comentários

Não morro de amores pelo Ministro Mauricio Corr...

GOMES (Funcionário público)

Não morro de amores pelo Ministro Mauricio Correa, tampouco me interessa sua genealogia política, mas, confesso que aprovei em TODOS os sentidos sua entrevista, concedida às Páginas Amarelas da Revista Veja. Primeiro, porque simplesmente, vivemos em um país democrático e qualquer cidadão (independente de quem seja) tem o direito soberano de expressar sua opinião. Aliás, diga-se de passagem, espaço àquele, que "qualquer" cidadão comum deste país e medianamente alfabetizado ou com o mínimo de esclarecimento político, econômico e/ou jurídico gostaria de de ter acesso para dizer aquilo que pensa, principalmente a respeito dessa podridão demagógica, hipócrita, traiçoeira, arrogante que inunda nosso sofrido Brasil. Segundo, porque o Ministro Correa não só falou do Sr. Lula, esse traidor do povo brasileiro, sucateador do serviço público, vendedor da aposentadoria dos servidores públicos aos Fundos de Pensão privados (principalmente americanos que, certamente, invadirão o país), sociólogo de causa própria e seus ministros, mas, também, cortou a própria carne ao falar do judiciário; desses togadinhos singulares despóticos e carreiristas, que só pensam em uma coisa: promoção aos Tribunais. A grande maioria destes neófitos, como diz o Sr. Ministro - sempre temporários nas cidades em que se localizam - fazem qualquer coisa para subirem de posto. Por exemplo, autorizando grampos telefônicos a-torto-e-a-direito, sentenciando absurdos pela tal "convicção" - (ilação ou prova circunstancial) - sem nenhuma materialidade e muitas vezes apenas por citações de terceiros em conversas telefônicas. Destruindo assim, inexoravelmente, a honra e a moral de um cidadão, no seio de sua comunidade, há anos conquistados. Outros, as vezes, na ânsia de notoriedade e aliado à ingenuidade, são usados por Delegados, Procuradores e Promotores, também buscadores de fama e promoção. De maneira senhores, que concordo com o SR. Ministro, Presidente do STF, não só pelo que ele falou do robusto e bem nutrido presidente desta nação de analfabetos, inseguros, desempregados e famélicos compatriotas, mas, por todas as outras cousas que tive o prazer de ler e que tive a grata sensação de ter ele sido, naquela entrevista, meu procurador. Luiz Carlos Gomes (Técnico da Receita Federal em Foz do Iguaçu - PR)

O dolar alto é bom para exportações, e sim para...

João Victor dos Santos Fonseca ()

O dolar alto é bom para exportações, e sim para grandes empresários, agora o povo que vive sobre a sombra das taxas cambiais não bebe da mesma lágrima.

Ótimo texto, pois o Primeira Leitura revela, a ...

Octavio Motta (Advogado Autônomo)

Ótimo texto, pois o Primeira Leitura revela, a despeito das aparencias, qual é o coração que verdadeiramente bate em seu peito. O ministro tem todo o direito de ter opiniões e divulga-las. Cabe a revista ser lembrada que, como o Brasil é uma democracia, o PT não é imune à críticas... pelo menos, por enquanto, não é?

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