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Pérolas Processuais

Pérolas: Adeamus ad montem fodere putas cum porribus nostrus.

"Adeamus ad montem fodere putas cum porribus nostrus" -- foi a frase empregada como fecho de uma petição judicial, na comarca de Soledade (RS).

Na ação se discutia a indenização pela destruição de uma plantação de batatas, invadida pelo rebanho de gado da propriedade vizinha. Por cautela, o juiz da causa solicitou que o advogado explicitasse e traduzisse o suposto ditado latino.

O profissional da Advocacia manifestou ao juiz que não se preocupasse e explicou: "essa frase de aparente linguajar incompatível com o vocabulário forense significa 'vamos à montanha plantar batatas com as nossas enxadas'. Mas não é bem assim! O Espaço Vital pediu ao advogado Milton Carlos Loff, que foi professor de Direito Romano na Ufrgs, que traduzisse a frase.

Explicação

O professo disse: "Não encontrei nos dicionários as palavras 'putas' e 'porribus'. Existe o verbo 'puto', eu julgo, eu estimo do infinitivo 'putare' = julgar, estimar, calcular. Tem também o significado, não usual de limpar, podar. 'Putas' é a segunda pessoa do indicativo presente do verbo putare = tu julgas.

Não encontrei a palavra 'puta', que pertence à primeira declinação latina, com o significado de 'batata'. Se, de fato, 'puta' é batata, a concordância está certa. 'Putas' é o objeto direto plural de 'puta'. E 'porribus', se existe, deve ser o ablativo de 'porris'.

'Porrum' ou 'porrus', palavra da segunda declinação neutra, ou masculina, significa alho porró. Se existe 'porribus', a concordância com o adjetivo deve ser 'nostris'. O início da frase é correto: vamos ao monte cavar ou plantar com enxada. 'Fodere', entre outros significados -- sem nenhum com relação ao português -- é plantar, cavar com enxada".

Tem bichos?

O professor de Introdução ao Estudo do Direito ditando a matéria: "... logo, o lógico..."

O aluno expõe sua dúvida:

-- Zoológico, professor?

Com ou sem vídeos?

Na aula de Direito Civil, a professora explicando sobre fatos jurídicos, apresenta um exemplo a respeito dos relativamente capazes: "o maior de 16 e menor de 18 anos não podem, por exemplo, estabelecer um contrato de locação".

Um aluno a interrompe e questiona: "Nem locação de videolocadora"?

Desunião de idéias

A professora de Ciências Políticas referindo-se aos acidentes geográficos é questionada por uma aluna: "Acidentes geográficos são os lugares onde caem aviões, ou onde há muitos acidentes de carro"?

A mesma professora em outra aula, sobre a União, é interrogada: "Mestra, a senhora poderia me explicar a que 'união' se refere? Porque eu ouço muito sobre 'união dos povos', açúcar 'União' e outras coisas a respeito desta palavra"...

*Pérolas Processuais são publicadas no site Espaço Vital -- www.espacovital.com.br

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Revista Consultor Jurídico, 31 de outubro de 2003, 15:59h

Comentários de leitores

3 comentários

Fui preposto do Banco em varias açoes, e embora...

Paulo Renato da Silva ()

Fui preposto do Banco em varias açoes, e embora nao falasse nada, sempre me interessei em ler os processos, me chamava atençao varias frases em latim, que passava adiante, sem ler e notando que de fato nao influia em nada o merito da questao. Idem a expressoes/palavras de dificil utilizaçao, que confesso, recorria ao dicionario para decifrar. Isto nao seria uma especie de insegurança e perda de tempo do redator? Sera que o Juiz, tambem nao tinha recorrer para entender? O caso de Soledade e uma sacanagem, e me desculpe o Dr. Hotans, nao entendi o "sofema", ou seria sofisma.

Esta infame frase circula por emails na interne...

Rodrigo Laranjo ()

Esta infame frase circula por emails na internet há muito tempo. Ver isto em um processo judicial só demontra que: - Este advogado perde muito tempo com inutilidades na Internet; - Toma por verdade qualquer absurdo que chegue em sua caixa de correio eletrônico; - Não tem respeito à profissão, pois está claro e óbvio que quis fazer uma "gracinha" em algo tão sério. Só tenho a lamentar. www.wibs.com.br

A expressão latina é chula e seus termos não ex...

Sartori (Advogado Autônomo - Criminal)

A expressão latina é chula e seus termos não existem. O final, se existissem os vocábulos, o predicado deveria ir para o ablativo sem a preposição "cum", ou seja "nostris. Absurdo. Noto que o latim vem sendo desfigurado por magistrados, promotores, advogados e até professores, que não atendem à regência e ao sofema das declinações.

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